Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727364
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Um paciente de 48 anos com linfoma difuso de grandes células B inicia quimioterapia com um regime de combinação. Durante a discussão com os residentes, o oncologista explica por que esquemas combinados são mais eficazes do que monoterapia. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o princípio que fundamenta o uso de múltiplas drogas em quimioterapia combinada.
AAumento intencional da toxicidade cumulativa para maior efeito citotóxico.
BRedução significativa de alguns efeitos adversos com o uso combinado.
CPossibilidade de uso também para redução de doses individuais.
DAção em diferentes fases do ciclo celular e redução do risco de resistência clonal.
ENecessidade de combinação por ausência de ação citotóxica isolada.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Ação em diferentes fases do ciclo celular e redução do risco de resistência clonal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Quimioterapia combinada: fundamentos da poliquimioterapia
Gabarito: letra D. A quimioterapia combinada é superior à monoterapia porque associa fármacos que atuam em diferentes fases do ciclo celular e com mecanismos de ação distintos, o que amplia a morte celular e reduz o risco de resistência clonal — princípio clássico da oncologia, aplicado em esquemas como CHOP e ABVD. A alternativa D espelha exatamente esse fundamento.
A quimioterapia combinada (poliquimioterapia) é a espinha dorsal do tratamento oncológico sistêmico. Diferentemente da monoterapia, que expõe o tumor a um único mecanismo de ação, a combinação de drogas explora a heterogeneidade tumoral: dentro de uma mesma neoplasia coexistem células em diferentes fases do ciclo celular (G1, S, G2, M) e com diferentes graus de sensibilidade aos fármacos. Ao combinar agentes com alvos e fases de atuação distintos, maximiza-se a fração de células mortas em cada ciclo de tratamento.
O segundo pilar é a prevenção da resistência clonal. Tumores com alta taxa de mutação podem desenvolver clones resistentes a um fármaco específico. Quando se usa uma combinação de drogas com mecanismos independentes, a probabilidade de uma célula ser simultaneamente resistente a todos os agentes é drasticamente menor — é o mesmo raciocínio da terapia antirretroviral combinada (HAART) e do tratamento da tuberculose. Esse conceito é conhecido como "cobertura de células resistentes" e "retardo do desenvolvimento de resistência".
Na prática, os esquemas combinados são escolhidos com base em três critérios: (1) cada fármaco deve ter eficácia comprovada como agente único; (2) os mecanismos de ação devem ser diferentes; e (3) os perfis de toxicidade devem ser não sobrepostos, permitindo doses plenas de cada componente. Exemplos clássicos: CHOP (ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona) para linfomas, ABVD (doxorrubicina, bleomicina, vimblastina e dacarbazina) para linfoma de Hodgkin, e FOLFOX (5-fluorouracil, leucovorina e oxaliplatina) para câncer colorretal.
A pegadinha desta questão está em distinguir o objetivo real da combinação (eficácia + prevenção de resistência) de efeitos colaterais ou justificativas falsas. A banca explora a confusão entre "reduzir toxicidade" (que não é o objetivo primário) e "reduzir doses individuais" (que é consequência da toxicidade não sobreposta, não o fundamento). Guarde o par ação em fases distintas + redução de resistência clonal: é exatamente ele que separa a alternativa correta das demais.
Quimioterapia combinada: Fundamentos (Ação em diferentes fases do ciclo, Mecanismos de ação distintos, Reduz risco de resistência clonal); Critérios de seleção (Eficácia comprovada isolada, Mecanismos diferentes, Toxicidades não sobrepostas); Exemplos (CHOP (linfomas), ABVD (Hodgkin), FOLFOX (colorretal))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a combinação busca "aumento intencional da toxicidade cumulativa". Isso é o oposto do princípio: a poliquimioterapia busca maximizar o efeito antitumoral com toxicidade gerenciável e não sobreposta. Aumentar toxicidade intencionalmente seria iatrogênico e não é fundamento de nenhum esquema combinado. O que se busca é eficácia máxima com toxicidade aceitável.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a combinação "reduz significativamente alguns efeitos adversos". Embora a escolha de drogas com toxicidades não sobrepostas evite a soma de efeitos tóxicos iguais, a redução de efeitos adversos não é o princípio fundamental da combinação — é uma consequência da seleção criteriosa, não o objetivo. O objetivo central é aumentar a eficácia e prevenir resistência. Além disso, muitos esquemas combinados aumentam a toxicidade global (ex.: mielossupressão mais intensa no CHOP do que em monoterapia).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona a "possibilidade de uso também para redução de doses individuais". De fato, em alguns casos a combinação permite doses menores de cada fármaco para evitar toxicidade sobreposta, mas isso não é o princípio que fundamenta a combinação — é uma consequência prática. O fundamento é a ação sinérgica em diferentes alvos e a prevenção de resistência. A alternativa confunde efeito colateral com causa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a resposta. A combinação de drogas atua em diferentes fases do ciclo celular (ex.: antimetabólitos na fase S, alcaloides vegetais na fase M, agentes alquilantes em qualquer fase) e reduz o risco de resistência clonal ao atacar a população tumoral por múltiplas vias. É exatamente o que a literatura descreve: "a terapia combinada provoca morte celular máxima e proporciona maior cobertura de células resistentes; além disso, pode impedir ou retardar o desenvolvimento de células resistentes".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a combinação é necessária "por ausência de ação citotóxica isolada". Isso é falso: os fármacos usados em combinação têm eficácia comprovada como agentes únicos — é um dos critérios de seleção. A combinação não existe porque os agentes são ineficazes sozinhos, mas porque a associação potencializa o efeito e previne resistência. A alternativa inverte a lógica.
Gabarito: letra D — a quimioterapia combinada fundamenta-se na ação em diferentes fases do ciclo celular e na redução do risco de resistência clonal.