Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727365
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Segundo o consenso internacional sobre Câncer de Sítio Primário Oculto (CUP), qual abordagem diagnóstica é considerada fundamental antes de rotular um caso como CUP verdadeiro?
AUso isolado de exame metabólico para exclusão de todos os sítios primários.
BSubstituição completa da avaliação histopatológica por perfil genômico.
CRealização sistemática de biópsias aleatórias em múltiplos órgãos.
DHistória clínica detalhada, imuno-histoquímica estruturada e exclusão sistemática de sítios comuns.
EIndicação obrigatória de exame de imagem corporal total em todos os casos.
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GabaritoD — História clínica detalhada, imuno-histoquímica estruturada e exclusão sistemática de sítios comuns.
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Câncer de Sítio Primário Oculto (CUP): abordagem diagnóstica fundamental
Gabarito: letra D. Antes de rotular um caso como CUP verdadeiro, o consenso internacional exige uma abordagem estruturada que combine história clínica detalhada, imuno-histoquímica (IHQ) dirigida e exclusão sistemática dos sítios primários mais comuns — não exames isolados ou biópsias aleatórias. A alternativa D é a única que espelha essa conduta integrada, que é o padrão-ouro na investigação do CUP.
O Câncer de Sítio Primário Oculto (CUP, do inglês Cancer of Unknown Primary) é definido como uma doença metastática comprovada histologicamente sem que se identifique o tumor primário após investigação inicial. A palavra-chave é "oculto": o primário existe, mas não é encontrado. O grande desafio clínico é que o tratamento e o prognóstico dependem crucialmente de qual é o primário — por isso, a investigação não pode ser aleatória nem se limitar a um único exame.
A abordagem diagnóstica recomendada segue uma lógica sequencial e racional:
História clínica e exame físico minuciosos — muitas vezes o primário é sugerido por sintomas, fatores de risco ou achados específicos (ex.: nódulo mamário, sangramento retal, lesão cutânea).
Imuno-histoquímica (IHQ) estruturada — painel de anticorpos que identifica a linhagem e o possível tecido de origem (ex.: CK7/CK20, TTF-1, GATA3, CDX2, PSA, entre outros). É a ferramenta central para direcionar a busca.
Exclusão sistemática dos sítios comuns — com base no perfil imuno-histoquímico, investigam-se os primários mais prováveis (pulmão, mama, cólon, pâncreas, próstata, ovário, tireoide, etc.) com exames de imagem dirigidos e endoscopias quando indicadas.
Essa abordagem é fundamental porque evita dois extremos: a investigação excessiva e desnecessária (que atrasa o tratamento) e a rotulação precoce de CUP verdadeiro (que pode privar o paciente de um tratamento específico e mais eficaz).
A alternativa D sintetiza exatamente esse tripé: história clínica detalhada (passo 1), imuno-histoquímica estruturada (passo 2) e exclusão sistemática de sítios comuns (passo 3). É a única que contempla a abordagem integrada e racional que o consenso preconiza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que um único exame sofisticado (PET-CT, perfil genômico) substitui a avaliação clínica e a IHQ. Na prática, o PET-CT é um complemento valioso, mas não é o primeiro passo nem substitui a IHQ; o perfil genômico é uma ferramenta emergente, mas ainda não substitui a histopatologia. A pegadinha está em trocar a abordagem integrada por um exame isolado.
1História clínica detalhada
2Imuno-histoquímica estruturada
3Exclusão de sítios comuns
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso isolado de exame metabólico (como o PET-CT com FDG) é um complemento na investigação do CUP, não um substituto da avaliação clínica e da IHQ. Ele pode ajudar a localizar o primário ou orientar biópsias, mas não é capaz de "excluir todos os sítios primários" — lesões pequenas, tumores de baixo metabolismo ou sítios não captantes podem passar despercebidos. A exclusão sistemática exige uma combinação de métodos, não um exame único.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A substituição completa da avaliação histopatológica por perfil genômico é uma extrapolação indevida. O perfil genômico (sequenciamento de nova geração) é uma ferramenta emergente e complementar, que pode ajudar a inferir o tecido de origem, mas a histopatologia e a imuno-histoquímica continuam sendo o padrão-ouro para o diagnóstico e a classificação do CUP. A banca explora a "modernidade" do perfil genômico para induzir ao erro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A realização sistemática de biópsias aleatórias em múltiplos órgãos é invasiva, ineficiente e não recomendada. A investigação do CUP é dirigida pela história clínica, exame físico e perfil imuno-histoquímico — as biópsias são feitas nos sítios suspeitos ou nos mais prováveis, não aleatoriamente. Biópsias aleatórias aumentam a morbidade sem aumentar significativamente a taxa de detecção do primário.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a abordagem fundamental preconizada pelo consenso internacional. A história clínica detalhada fornece pistas cruciais (sintomas, fatores de risco, história familiar). A imuno-histoquímica estruturada identifica a linhagem e o possível tecido de origem, direcionando a busca. A exclusão sistemática de sítios comuns — com base no perfil IHQ — permite investigar os primários mais prováveis de forma racional e eficiente. É exatamente esse tripé que define a conduta correta antes de rotular um caso como CUP verdadeiro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A indicação obrigatória de exame de imagem corporal total (como PET-CT ou TC de corpo inteiro) em todos os casos é uma generalização indevida. Embora o PET-CT seja útil em muitos casos, ele não é obrigatório em todos — a investigação deve ser individualizada com base na história clínica e no perfil IHQ. Além disso, o exame de imagem corporal total não substitui a avaliação clínica e a IHQ; ele é um complemento que pode ser indicado seletivamente.
Gabarito: letra D — a abordagem fundamental é a história clínica detalhada, imuno-histoquímica estruturada e exclusão sistemática dos sítios comuns.