Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727367
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Uma mulher de 58 anos apresenta dor epigástrica, anemia ferropriva e perda ponderal. A endoscopia identifica lesão ulcerada no antro gástrico, com biópsia confirmando adenocarcinoma. Considerando os princípios de estadiamento, qual exame deve fazer parte da investigação para pesquisa de metástases peritoneais antes de definir a ressecabilidade?
APET-CT.
BLaparoscopia de estadiamento.
CUSG de abdome.
DTC de abdome apenas.
ERM pélvica.
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GabaritoB — Laparoscopia de estadiamento.
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Estadiamento do câncer gástrico: pesquisa de metástases peritoneais
Gabarito: letra B. A laparoscopia de estadiamento é o exame que deve fazer parte da investigação para pesquisa de metástases peritoneais antes de definir a ressecabilidade no adenocarcinoma gástrico, pois é o método capaz de identificar doença peritoneal oculta (implantes < 1 cm) que não é detectada pelos exames de imagem convencionais, como a TC. Essa recomendação está alinhada com a prática oncológica atual, que reconhece a limitação da TC em detectar metástases peritoneais de pequenas dimensões e o papel da laparoscopia em evitar laparotomias desnecessárias.
O estadiamento do câncer gástrico é fundamental para definir a conduta terapêutica, especialmente a ressecabilidade cirúrgica. O sistema TNM (Tumor, Node, Metastasis) é o mais utilizado, avaliando a profundidade de invasão tumoral (T), o comprometimento linfonodal (N) e a presença de metástases à distância (M). As metástases peritoneais são uma forma particular de disseminação metastática, caracterizada pela implantação de células tumorais na superfície do peritônio, frequentemente associada a tumores gástricos avançados e com prognóstico reservado.
Os exames de imagem, como a TC de abdome e pelve, são essenciais no estadiamento inicial, permitindo avaliar o tumor primário, linfonodos regionais e metástases à distância, incluindo hepáticas e peritoneais macroscopicamente visíveis. No entanto, a TC apresenta limitações na detecção de metástases peritoneais de pequenas dimensões (< 1 cm), que podem passar despercebidas. É nesse contexto que a laparoscopia de estadiamento se destaca: por ser um procedimento invasivo que permite a inspeção direta da cavidade peritoneal, ela consegue identificar implantes peritoneais ocultos, além de permitir a coleta de biópsias para confirmação histológica.
A indicação da laparoscopia de estadiamento é particularmente relevante em pacientes com tumores gástricos que apresentam características de maior risco para doença metastática oculta, como tumores avançados (T3/T4), linfonodos comprometidos, ou sinais de doença peritoneal suspeita nos exames de imagem. Estudos demonstram que a laparoscopia de estadiamento consegue identificar doença peritoneal oculta em uma parcela significativa dos pacientes, evitando laparotomias desnecessárias e permitindo a escolha do tratamento mais adequado, como a quimioterapia neoadjuvante em casos de doença localmente avançada.
A distinção entre os métodos de estadiamento é crucial: enquanto a TC e a RM são excelentes para avaliar metástases hepáticas e linfonodos, a laparoscopia é superior na detecção de metástases peritoneais. O PET-CT, por sua vez, tem papel limitado na detecção de doença peritoneal, sendo mais útil na avaliação de metástases à distância em outros sítios. A USG de abdome é um método de baixa sensibilidade para estadiamento oncológico, sendo superada pela TC. A RM pélvica não é indicada para pesquisa de metástases peritoneais no câncer gástrico, sendo mais útil em outras neoplasias pélvicas.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de a TC ser o exame inicial de estadiamento, ela não é suficiente para excluir doença peritoneal oculta. O candidato que marca a alternativa D (TC de abdome apenas) pode até considerar que a TC é o exame padrão, mas ignora a necessidade de um método mais sensível para metástases peritoneais. A laparoscopia de estadiamento é o exame que preenche essa lacuna, sendo considerada padrão-ouro para a avaliação da cavidade peritoneal antes da decisão cirúrgica.
Guarde a fronteira entre os métodos de imagem e a laparoscopia: os exames de imagem são ótimos para avaliar metástases hepáticas e linfonodos, mas a laparoscopia é o método de escolha para pesquisa de metástases peritoneais. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
1TC de abdome (inicial)
2Suspeita de doença peritoneal
3Laparoscopia de estadiamento
4Define ressecabilidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O PET-CT é um exame de imagem funcional que detecta aumento do metabolismo glicolítico das células tumorais. Embora seja útil na detecção de metástases à distância em diversos sítios, apresenta baixa sensibilidade para metástases peritoneais, especialmente as de pequenas dimensões, devido à sua limitada resolução espacial e ao alto metabolismo de fundo do peritônio. Portanto, não é o exame de escolha para pesquisa de metástases peritoneais no câncer gástrico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A laparoscopia de estadiamento é o exame que deve fazer parte da investigação para pesquisa de metástases peritoneais antes de definir a ressecabilidade no adenocarcinoma gástrico. Por permitir a inspeção direta da cavidade peritoneal, ela identifica implantes peritoneais ocultos (< 1 cm) que não são detectados pela TC, além de possibilitar a coleta de biópsias para confirmação histológica. Sua realização é recomendada em pacientes com tumores avançados ou com suspeita de doença peritoneal, evitando laparotomias desnecessárias e orientando a melhor estratégia terapêutica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A USG de abdome é um método de imagem com baixa sensibilidade para o estadiamento oncológico do câncer gástrico. Ela pode ser útil na avaliação inicial de sintomas abdominais, mas não é capaz de detectar metástases peritoneais de pequenas dimensões, sendo superada pela TC e pela laparoscopia. Portanto, não é o exame indicado para pesquisa de metástases peritoneais antes de definir a ressecabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A TC de abdome é o exame inicial de estadiamento do câncer gástrico, permitindo avaliar o tumor primário, linfonodos e metástases à distância, incluindo hepáticas e peritoneais macroscopicamente visíveis. No entanto, ela apresenta limitações na detecção de metástases peritoneais de pequenas dimensões (< 1 cm), que podem passar despercebidas. Portanto, a TC de abdome apenas não é suficiente para pesquisa de metástases peritoneais, sendo necessária a complementação com a laparoscopia de estadiamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A RM pélvica é um exame de imagem que avalia estruturas da pelve, sendo mais útil em neoplasias pélvicas, como as de próstata, reto e ovário. No câncer gástrico, a RM pélvica não é indicada para pesquisa de metástases peritoneais, pois essas se localizam na cavidade peritoneal, que se estende por todo o abdome. Portanto, a RM pélvica não é o exame de escolha para essa finalidade.
A regra de ouro para o estadiamento do câncer gástrico: a TC de abdome é o exame inicial, mas a laparoscopia de estadiamento é indispensável para pesquisa de metástases peritoneais antes de definir a ressecabilidade, pois é o método capaz de detectar doença peritoneal oculta e evitar laparotomias desnecessárias.