Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727368
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Um homem de 64 anos apresenta disfagia progressiva para sólidos e perda de peso. A endoscopia digestiva alta revela lesão vegetante no terço médio do esôfago. Nesse contexto, qual é o exame mais apropriado para avaliação inicial de estadiamento locorregional do câncer de esôfago?
APET-CT isolado.
BBário esofágico.
CTC de tórax sem contraste.
DLaringoscopia direta.
EEcoendoscopia (EUS).
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GabaritoE — Ecoendoscopia (EUS).
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Estadiamento locorregional do câncer de esôfago: o papel da ecoendoscopia
Gabarito: letra E. Para a avaliação inicial do estadiamento locorregional (T e N) do câncer de esôfago, a ecoendoscopia (EUS) é o exame mais apropriado, pois permite avaliar a profundidade da invasão tumoral na parede esofágica (estágio T) e a presença de linfonodos periesofágicos (estágio N) com alta acurácia. A TC com contraste e o PET-CT são úteis para detectar doença metastática à distância (estágio M), mas não são o método de escolha para a avaliação locorregional inicial.
A ecoendoscopia (EUS) é um procedimento que combina a endoscopia digestiva alta com uma sonda de ultrassom acoplada à ponta do endoscópio. Essa sonda permite a obtenção de imagens em alta resolução das camadas da parede esofágica e das estruturas adjacentes, como linfonodos e o lobo esquerdo do fígado. No contexto do câncer de esôfago, a EUS é o exame padrão-ouro para o estadiamento locorregional, pois consegue distinguir com precisão as diferentes camadas da parede do esôfago (mucosa, submucosa, muscular própria e adventícia), permitindo determinar o estágio T (profundidade de invasão) e identificar linfonodos regionais comprometidos (estágio N). Essa informação é crucial para definir a conduta terapêutica, pois tumores superficiais (T1a) podem ser tratados com ressecção endoscópica, enquanto tumores mais profundos (T1b ou além) exigem abordagens mais agressivas, como cirurgia ou terapia multimodal.
A TC de tórax com contraste é um exame importante no estadiamento do câncer de esôfago, mas seu papel principal é a detecção de metástases à distância (estágio M), como metástases pulmonares, hepáticas ou linfonodos distantes. A TC não tem a resolução necessária para avaliar com precisão a profundidade da invasão tumoral na parede esofágica, sendo inferior à EUS nesse aspecto. O PET-CT, por sua vez, é útil para detectar doença metastática oculta e avaliar a resposta ao tratamento, mas também não é o exame de escolha para o estadiamento locorregional inicial. O bário esofágico é um exame radiológico contrastado que avalia a luz do esôfago, sendo útil para identificar estenoses e anormalidades estruturais, mas não fornece informações sobre a profundidade da invasão tumoral ou o comprometimento linfonodal. A laringoscopia direta é um exame para avaliar a laringe e a faringe, não sendo indicada para o estadiamento do câncer de esôfago.
A escolha do exame de estadiamento depende do objetivo: para avaliar a extensão locorregional (T e N), a EUS é o método mais preciso; para avaliar doença metastática à distância (M), a TC de tórax e abdome com contraste e o PET-CT são os exames indicados. Essa distinção é fundamental para a prática clínica e é o que a questão explora.
Estadiamento do câncer de esôfago
1Locorregional (T e N)
Ecoendoscopia (EUS) — padrão-ouro
Profundidade da invasão (T)
Linfonodos regionais (N)
2Metástases à distância (M)
TC com contraste
PET-CT
3Outros exames
Bário esofágico — luz, não invasão
Laringoscopia — laringe/faringe
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O PET-CT é um exame de imagem funcional que detecta áreas de alta atividade metabólica, sendo útil para identificar metástases à distância (estágio M) e avaliar a resposta ao tratamento. No entanto, não é o exame de escolha para a avaliação inicial do estadiamento locorregional (T e N) do câncer de esôfago, pois sua resolução espacial é inferior à da EUS para avaliar a profundidade da invasão tumoral na parede esofágica e o comprometimento de linfonodos regionais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O bário esofágico (esofagografia baritada) é um exame radiológico contrastado que avalia a luz do esôfago, sendo útil para identificar estenoses, anéis, teias e outras anormalidades estruturais. No entanto, não fornece informações sobre a profundidade da invasão tumoral na parede esofágica (estágio T) nem sobre o comprometimento de linfonodos regionais (estágio N), sendo inadequado para o estadiamento locorregional do câncer de esôfago.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A TC de tórax sem contraste não é o exame mais apropriado para a avaliação inicial do estadiamento locorregional do câncer de esôfago. A TC com contraste é útil para detectar metástases à distância (estágio M), mas não tem a resolução necessária para avaliar com precisão a profundidade da invasão tumoral na parede esofágica (estágio T) ou o comprometimento de linfonodos regionais (estágio N). Além disso, a realização do exame sem contraste compromete ainda mais a capacidade de avaliação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A laringoscopia direta é um exame utilizado para avaliar a laringe e a faringe, sendo indicada em casos de suspeita de lesões nessas regiões, como tumores de laringe ou faringe. No caso do câncer de esôfago, a laringoscopia não é um exame de estadiamento, pois não avalia a parede esofágica nem os linfonodos regionais. A broncoscopia, por sua vez, é recomendada para tumores localizados na carina ou acima dela, para avaliar possível invasão da via aérea.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ecoendoscopia (EUS) é o exame mais apropriado para a avaliação inicial do estadiamento locorregional do câncer de esôfago. Ela permite avaliar com alta precisão a profundidade da invasão tumoral na parede esofágica (estágio T) e a presença de linfonodos periesofágicos comprometidos (estágio N). Essa informação é essencial para definir a conduta terapêutica, pois tumores superficiais (T1a) podem ser tratados com ressecção endoscópica, enquanto tumores mais profundos (T1b ou além) exigem abordagens mais agressivas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de estadiamento do câncer de esôfago, lembre-se da divisão de tarefas: EUS para avaliar a extensão locorregional (T e N), TC com contraste e PET-CT para detectar metástases à distância (M). Essa distinção é a chave para acertar questões como esta.