Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727371
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologia Clínica
Durante uma reunião multidisciplinar, uma residente pergunta ao oncologista por que tumores com mutação em TP53 apresentam elevada instabilidade genômica. Com base nos mecanismos moleculares envolvidos na manutenção da integridade genômica, assinale a alternativa que apresenta corretamente o papel de TP53 nesse processo.
AEstímulo direto da recombinação homóloga como mecanismo fisiológico.
BRegulação de pontos de checagem do ciclo celular e indução de reparo ou apoptose.
CAumento global da metilação do DNA em regiões promotoras.
DParticipação em processos de modulação da cromatina por interação com reguladores epigenéticos.
EAtivação de vias de metástase com redução da instabilidade cromossômica.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Regulação de pontos de checagem do ciclo celular e indução de reparo ou apoptose.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
TP53 e a manutenção da integridade genômica
Gabarito: letra B. A proteína TP53 (p53) é o "guardião do genoma": diante de dano ao DNA, ela regula os pontos de checagem do ciclo celular, interrompendo a progressão para permitir o reparo ou, se o dano for irreparável, induzindo a apoptose — é exatamente essa função que a alternativa B descreve. Tumores com mutação em TP53 perdem essa vigilância, acumulam mutações e exibem instabilidade genômica.
A p53 é um fator de transcrição que atua como supressor tumoral, e sua função central é coordenar a resposta celular ao estresse genotóxico. Quando o DNA sofre lesão (por radiação, agentes químicos ou erros de replicação), a p53 é estabilizada e ativada por modificações pós-traducionais, acumulando-se no núcleo. Lá, ela transcreve genes-alvo que promovem três desfechos principais: (1) parada do ciclo celular nos pontos de checagem G1/S e G2/M, dando tempo para os mecanismos de reparo atuarem; (2) ativação de vias de reparo do DNA; e (3) se o dano for extenso demais, indução de apoptose, eliminando a célula que poderia se transformar em maligna. Essa triagem é o que mantém a estabilidade do genoma: sem p53 funcional, células com mutações progridem no ciclo, acumulam erros e geram clones com instabilidade cromossômica — o fenótipo clássico dos tumores com TP53 mutado.
A pergunta da residente toca num ponto central da oncologia molecular: por que a perda de TP53 se correlaciona com tumores agressivos e resistentes? A resposta está justamente na perda dessa função de "guardião". Sem a checagem mediada pela p53, o dano ao DNA não é detectado nem corrigido, e a célula danificada continua proliferando, acumulando mutações adicionais que podem ativar oncogenes e inativar outros supressores. Isso explica a elevada instabilidade genômica observada nesses tumores. É importante distinguir a p53 de outros mecanismos de manutenção da integridade: a recombinação homóloga (reparo de quebras de dupla fita) é mediada por proteínas como BRCA1/BRCA2 e RAD51, não diretamente pela p53; a metilação do DNA e a modulação da cromatina são mecanismos epigenéticos que regulam expressão gênica, mas não são a função primária da p53 na resposta ao dano; e a ativação de vias metastáticas não reduz instabilidade — pelo contrário, a instabilidade é que favorece a progressão tumoral.
A banca explora aqui a confusão entre o papel direto da p53 e outros processos moleculares que também contribuem para a integridade do genoma, mas por vias distintas. O candidato que domina a função clássica da p53 — checagem do ciclo e indução de reparo ou morte celular — identifica a alternativa B sem hesitar. As demais alternativas misturam conceitos de reparo por recombinação, epigenética e metástase, que não correspondem à função primária da p53.
Guarde o tripé funcional da p53 — parar o ciclo, reparar o DNA, ou induzir apoptose — e a fronteira entre esses mecanismos e os demais processos de manutenção genômica: é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
TP53 (p53) — guardião do genoma: Função central (Regula pontos de checagem (G1/S e G2/M), Induz reparo do DNA, Induz apoptose se dano irreparável); Consequência da perda (Acúmulo de mutações, Instabilidade genômica); Não é função da p53 (Recombinação homóloga (BRCA/RAD51), Metilação do DNA (epigenética), Modulação da cromatina, Ativação de metástase)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a p53 estimula diretamente a recombinação homóloga como mecanismo fisiológico. A recombinação homóloga é um mecanismo de reparo de quebras de dupla fita no DNA, mediado por proteínas como BRCA1, BRCA2 e RAD51, e não é a função primária da p53. A p53 pode, indiretamente, influenciar a expressão de genes de reparo, mas não atua como estimulador direto da recombinação homóloga. A alternativa troca o papel da p53 pelo de outras proteínas de reparo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão a função da p53: regulação dos pontos de checagem do ciclo celular e indução de reparo ou apoptose. Diante de dano ao DNA, a p53 interrompe o ciclo nas checagens G1/S e G2/M, permitindo o reparo; se o dano for irreparável, induz a apoptose. Essa é a essência do papel da p53 como guardiã do genoma, e é exatamente o que a alternativa afirma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a p53 aumenta globalmente a metilação do DNA em regiões promotoras. A metilação do DNA é um mecanismo epigenético de regulação da expressão gênica, mediado por DNA metiltransferases, e não é uma função direta da p53. A p53 pode influenciar a expressão de alguns genes envolvidos em processos epigenéticos, mas não atua como regulador global da metilação. A alternativa confunde o papel da p53 com mecanismos epigenéticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a p53 participa de processos de modulação da cromatina por interação com reguladores epigenéticos. Embora a p53 possa interagir com complexos remodeladores de cromatina para regular a transcrição de seus genes-alvo, essa não é a função central descrita na questão, que pergunta sobre o papel da p53 na manutenção da integridade genômica. A alternativa descreve um aspecto secundário e não aborda a função principal de checagem do ciclo e indução de reparo ou apoptose.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a p53 ativa vias de metástase com redução da instabilidade cromossômica. Isso é duplamente errado: a p53 não ativa vias metastáticas — pelo contrário, suprime a progressão tumoral; e a redução da instabilidade cromossômica é consequência da função de checagem e reparo, não de vias metastáticas. A alternativa inverte completamente o papel da p53, associando-a a um efeito que ela não exerce.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura o papel da p53 com outros mecanismos de manutenção da integridade genômica — recombinação homóloga (alternativa A), metilação do DNA (C), modulação da cromatina (D) e metástase (E). O candidato que não domina a função clássica da p53 pode se confundir, mas a alternativa B é a única que descreve com precisão o tripé funcional: checagem do ciclo, reparo e apoptose. Com treino, você reconhece essas trocas de longe 💪.