Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg727384
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Otorrinolaringologia
A cirurgia endoscópica nasossinusal é uma ferramenta que pode ser bastante útil dentro da otorrinolaringologia. Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta.
AUma adequada visualização da axila da concha superior é importante antes de se iniciar o acesso à região do recesso do seio frontal.
BQuando há a necessidade de uma antrostomia ampla, deve-se estendê-la em direção à região da fontanela anterior.
CRecomenda-se ingerir cúrcuma já na primeira semana de pós-operatório.
DNo acesso transeptal para o acesso do seio esfenoidal, deve-se fazer a remoção da porção cartilaginosa posterior do septo nasal, da lâmina perpendicular do etmoide, do vômer e do L-strut.
EA abordagem inicialmente medial e inferior da lamela basal da concha média é segura para evitar lesões da lâmina papirácea e base de crânio.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — A abordagem inicialmente medial e inferior da lamela basal da concha média é segura para evitar lesões da lâmina papirácea e base de crânio.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cirurgia Endoscópica Nasossinusal: Anatomia e Técnica Cirúrgica
Gabarito: letra E. A abordagem inicialmente medial e inferior da lamela basal da concha média é segura para evitar lesões da lâmina papirácea e da base de crânio, pois essa é a via de acesso clássica e anatomicamente correta para a região do seio etmoidal e esfenoidal. As demais alternativas apresentam erros técnicos ou conceituais que contrariam os princípios da cirurgia endoscópica nasossinusal.
A cirurgia endoscópica nasossinusal (FESS – Functional Endoscopic Sinus Surgery) é um procedimento minimamente invasivo utilizado para tratar doenças inflamatórias crônicas dos seios paranasais, como a rinossinusite crônica com ou sem polipose nasal. O princípio fundamental da técnica é a preservação da mucosa saudável e a restauração da ventilação e drenagem dos seios paranasais, respeitando os marcos anatômicos que protegem estruturas nobres como a lâmina papirácea (parede medial da órbita) e a base do crânio.
A lamela basal da concha média é uma estrutura anatômica crucial que divide o etmoide em porções anterior e posterior. Ela se insere lateralmente na parede orbital (lâmina papirácea) e superiormente na base do crânio. Por isso, a abordagem cirúrgica deve ser feita inicialmente de forma medial e inferior a essa lamela, pois essa região é mais segura, evitando a penetração lateral (que lesaria a órbita) ou superior (que lesaria a base do crânio). Essa é uma das primeiras lições ensinadas em cirurgia endoscópica: "nunca ultrapasse a lamela basal sem identificar claramente sua posição".
A técnica cirúrgica envolve a identificação de marcos anatômicos como o processo uncinado, a bolha etmoidal e a própria lamela basal. A remoção do processo uncinado e a abertura da bolha etmoidal dão acesso ao infundíbulo etmoidal e ao seio maxilar. A antrostomia maxilar (abertura do óstio do seio maxilar) deve ser feita preferencialmente na fontanela posterior, preservando a fontanela anterior, que é uma área de maior risco de lesão do ducto nasolacrimal. O acesso ao seio frontal é feito pela região do recesso frontal, que fica entre a concha média e a parede lateral da cavidade nasal, e a visualização da axila da concha média (sua inserção anterior) é um marco importante, mas não da concha superior.
O acesso ao seio esfenoidal pode ser feito por via transeptal ou transetmoidal. Na via transeptal, a remoção da porção cartilaginosa posterior do septo, da lâmina perpendicular do etmoide e do vômer é necessária, mas o L-strut (a porção cartilaginosa anterior do septo que dá suporte à ponta nasal) deve ser SEMPRE preservado para evitar deformidades estéticas e funcionais. A remoção do L-strut é um erro grave que leva ao colapso da pirâmide nasal.
No pós-operatório, o uso de cúrcuma (açafrão) não é recomendado na primeira semana, pois não há evidência científica de benefício e pode haver risco de sangramento devido ao seu efeito antiagregante plaquetário. O cuidado pós-operatório envolve irrigação nasal com solução salina, uso de corticosteroides tópicos e, em alguns casos, antibióticos, mas não fitoterápicos com potencial anticoagulante.
A pegadinha central desta questão é a inversão de marcos anatômicos e técnicas cirúrgicas. A banca troca a concha média pela concha superior, a fontanela anterior pela posterior, e inclui o L-strut na ressecção transeptal, quando ele deve ser preservado. O aluno que decora os passos da cirurgia sem entender a anatomia de risco tende a errar. A chave é lembrar que a cirurgia endoscópica é guiada por marcos anatômicos que protegem estruturas nobres, e qualquer técnica que coloque em risco a órbita ou a base do crânio está incorreta.
Estrutura/Região
Ponto de Referência Correto
Ponto de Referência Incorreto (pegadinha)
Acesso ao seio frontal
Axila da concha média
Axila da concha superior
Antrostomia maxilar ampla
Fontanela posterior
Fontanela anterior
Acesso transeptal ao esfenóide
Preservar o L-strut
Remover o L-strut
Acesso ao etmóide/esfenóide
Abordagem medial e inferior à lamela basal
Abordagem lateral ou superior à lamela basal
FESS: marcos de segurança
1Lamela basal da concha média
Abordagem medial e inferior
Lateral: lesão da lâmina papirácea
Superior: lesão da base do crânio
2Antrostomia maxilar
Fontanela posterior
Fontanela anterior: ducto nasolacrimal
3Acesso transeptal ao esfenoidal
Remove: septo posterior, etmoide, vômer
Preservar L-strut (suporte nasal)
4Recesso frontal
Marco: axila da concha média
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A visualização da axila da concha média (não da concha superior) é o marco anatômico importante antes de acessar o recesso do seio frontal. A concha superior está localizada mais posteriormente e superiormente, e sua axila não é o ponto de referência para o acesso ao seio frontal. O recesso frontal é delimitado pela concha média, pelo processo uncinado e pela bolha etmoidal. A banca trocou a concha média pela superior, um erro clássico de inversão anatômica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A antrostomia ampla deve ser estendida em direção à fontanela posterior, não à anterior. A fontanela anterior é uma área de risco para lesão do ducto nasolacrimal, que drena as lágrimas para o meato inferior. A abertura da fontanela anterior pode causar epífora (lacrimejamento excessivo) por lesão do ducto. A técnica correta é abrir a fontanela posterior, que é mais segura e permite uma antrostomia ampla sem risco de lesão do ducto nasolacrimal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não há recomendação para ingestão de cúrcuma na primeira semana de pós-operatório. A cúrcuma (curcumina) tem propriedades anti-inflamatórias, mas também efeito antiagregante plaquetário, o que pode aumentar o risco de sangramento no pós-operatório imediato. O manejo pós-operatório padrão inclui irrigação nasal com solução salina, corticosteroides tópicos e, se necessário, antibióticos. Não há evidência científica que suporte o uso de cúrcuma nesse período.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No acesso transeptal ao seio esfenoidal, deve-se remover a porção cartilaginosa posterior do septo, a lâmina perpendicular do etmoide e o vômer, mas o L-strut deve ser SEMPRE preservado. O L-strut é a porção cartilaginosa anterior do septo que fornece suporte estrutural à ponta nasal. Sua remoção causa colapso da pirâmide nasal, deformidade estética e obstrução respiratória. A banca incluiu o L-strut na lista de estruturas a serem removidas, o que é um erro técnico grave.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A abordagem inicialmente medial e inferior à lamela basal da concha média é segura porque essa região é anatomicamente distante da lâmina papirácea (parede medial da órbita) e da base do crânio. A lamela basal se insere lateralmente na lâmina papirácea e superiormente na base do crânio, portanto, abordar medial e inferiormente a ela evita lesões dessas estruturas nobres. Essa é a técnica padrão para acesso ao etmoide posterior e ao seio esfenoidal, e é ensinada como princípio fundamental de segurança na FESS.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os marcos anatômicos e as técnicas cirúrgicas para confundir o candidato. Nesta questão, ela trocou a concha média pela superior (alternativa A), a fontanela posterior pela anterior (alternativa B), e incluiu o L-strut na ressecção transeptal (alternativa D), quando ele deve ser preservado. O candidato que decora os passos sem entender a anatomia de risco cai nessas armadilhas. Lembre-se: a cirurgia endoscópica é guiada por marcos que protegem a órbita e a base do crânio — qualquer técnica que coloque essas estruturas em risco está errada. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de cirurgia endoscópica nasossinusal, foque nos marcos anatômicos de segurança: a lamela basal da concha média (divide o etmoide e protege órbita/base do crânio), a fontanela posterior (local seguro para antrostomia maxilar) e a preservação do L-strut (suporte nasal). Monte uma tabela mental com os pontos de risco e as estruturas a preservar — isso resolve a maioria das questões da banca.