Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg727399
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Otorrinolaringologia
Em relação aos potenciais auditivos, assinale a alternativa correta.
AO Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico é um exame de média latência.
BO Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico frequência-específico gera um gráfico para as frequências testadas, mas não gera limiar eletrofisiológico correspondente para cada frequência.
CO P300 é um potencial cortical evocado de longa latência.
DA avaliação do P300 é uma forma subjetiva de quantificar os distúrbios do Processamento Auditivo Central.
EO Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico é um exame subjetivo, que depende da cooperação do paciente.
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GabaritoC — O P300 é um potencial cortical evocado de longa latência.
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Potenciais Evocados Auditivos: classificação por latência e objetividade
Gabarito: letra C. O P300 é, de fato, um potencial evocado cortical de longa latência (gerado em torno de 300 ms após o estímulo), enquanto o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) é de curta latência (ondas I a VII nos primeiros 10 ms) — é essa classificação por janela temporal que a alternativa correta espelha. As demais alternativas erram ao classificar o PEATE como de média latência, ao negar a possibilidade de limiar eletrofisiológico no PEATE frequência-específico, ao chamar o P300 de subjetivo e ao tratar o PEATE como exame subjetivo.
Os potenciais evocados auditivos são respostas elétricas do sistema auditivo a estímulos sonoros, captadas por eletrodos de superfície. Eles se dividem em três grandes grupos conforme a latência (tempo entre o estímulo e a resposta): os de curta latência (até 10 ms), que incluem o PEATE e o eletrococleograma; os de média latência (10 a 50 ms), como o Potencial de Média Latência (PML); e os de longa latência (acima de 50 ms), como o P300 e o N400. Essa divisão não é arbitrária: cada grupo reflete a atividade de uma porção diferente da via auditiva — o tronco encefálico, o córtex auditivo primário e o córtex associativo, respectivamente.
O PEATE é um exame objetivo, pois não depende da resposta comportamental do paciente — ele registra a atividade elétrica do nervo auditivo e do tronco encefálico, sendo essencial na triagem auditiva neonatal e na avaliação de crianças e adultos que não colaboram com testes comportamentais. Na prática, o PEATE convencional usa cliques (estímulos de banda larga) e estima o limiar auditivo principalmente nas frequências de 2.000 a 4.000 Hz. Já o PEATE frequência-específico utiliza estímulos como tone-burst ou notched-noise, permitindo obter limiares eletrofisiológicos para frequências específicas (500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 4.000 Hz), o que é fundamental para a adaptação de próteses auditivas em crianças pequenas.
O P300 é um potencial de longa latência, gerado em um paradigma oddball, no qual o paciente deve detectar um estímulo raro (alvo) entre estímulos frequentes (padrão). Por envolver atenção e discriminação auditiva, o P300 é considerado um exame objetivo do ponto de vista da captação (não depende de resposta motora), mas que reflete processos cognitivos — por isso é útil na avaliação do Processamento Auditivo Central, embora sua interpretação exija correlação com o quadro clínico. A banca explora exatamente a confusão entre "objetivo" (não depende da cooperação motora) e "subjetivo" (depende da resposta do paciente), além da classificação por latência.
Guarde a fronteira entre curta, média e longa latência e entre objetivo e subjetivo: é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O PEATE é um exame de curta latência, não de média latência. As ondas do PEATE (I a VII) ocorrem nos primeiros 10 ms após o estímulo, refletindo a atividade do nervo auditivo e do tronco encefálico. Os potenciais de média latência (10 a 50 ms) são outra categoria, como o Potencial de Média Latência (PML), que reflete atividade do córtex auditivo primário e do tálamo. A banca troca a janela temporal do exame.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O PEATE frequência-específico gera sim limiar eletrofisiológico para cada frequência testada. Utilizando estímulos como tone-burst ou notched-noise, é possível obter respostas específicas para frequências como 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 4.000 Hz, o que permite estimar o limiar auditivo por frequência — essencial para a adaptação de próteses auditivas em crianças. A alternativa nega exatamente essa capacidade, invertendo o que o exame oferece.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O P300 é um potencial evocado cortical de longa latência, gerado em torno de 300 ms após o estímulo, em um paradigma oddball. Ele reflete processos cognitivos de atenção e discriminação auditiva, sendo captado em eletrodos sobre o córtex. A classificação por latência é o critério central: longa latência (> 50 ms) inclui o P300, enquanto o PEATE é de curta latência e o PML de média latência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A avaliação do P300 é uma forma objetiva de avaliar o Processamento Auditivo Central, não subjetiva. Embora envolva atenção do paciente, a captação do potencial não depende de resposta motora ou comportamental — o registro é eletrofisiológico. A confusão entre "objetivo" e "subjetivo" é a pegadinha: o P300 é objetivo na captação, mas reflete processos cognitivos que exigem interpretação clínica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O PEATE é um exame objetivo, que não depende da cooperação do paciente. Ele registra a atividade elétrica do nervo auditivo e do tronco encefálico, sendo realizado mesmo em pacientes sedados, anestesiados ou em coma. É justamente essa objetividade que o torna essencial na triagem auditiva neonatal e na avaliação de pacientes que não colaboram com testes comportamentais. A alternativa inverte a natureza do exame.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre objetivo e subjetivo (alternativas D e E) e entre as latências (alternativa A). O PEATE e o P300 são exames objetivos — não dependem de resposta comportamental. A diferença está na latência: PEATE é curta, P300 é longa. Memorize essa classificação e a pegadinha perde o efeito.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar um potencial evocado, pergunte: "em quanto tempo após o estímulo a resposta aparece?" — curta (até 10 ms), média (10–50 ms) ou longa (> 50 ms). E para saber se é objetivo, pergunte: "depende da resposta do paciente?" — se não depende, é objetivo. Esses dois critérios resolvem a maioria das questões sobre o tema.