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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg727475
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Em crianças com infecções respiratórias recorrentes, qual achado mais fortemente sugere a presença de imunodeficiência subjacente com repercussão pulmonar, devendo motivar investigação imunológica estruturada? m
  1. ABronquiectasias de início precoce associadas a infecções sinopulmonares recorrentes.
  2. BPneumonia bacteriana única, com resolução clínica completa.
  3. CEpisódios esporádicos de infecção viral autolimitada em idade pré-escolar.
  4. DSibilância episódica relacionada exclusivamente a esforço físico.
  5. ETosse seca intermitente sem repercussão clínica.
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GabaritoA — Bronquiectasias de início precoce associadas a infecções sinopulmonares recorrentes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Imunodeficiência primária e repercussão pulmonar em crianças

Gabarito: letra A. A presença de bronquiectasias de início precoce associadas a infecções sinopulmonares recorrentes é o achado que mais fortemente sugere imunodeficiência subjacente com repercussão pulmonar, pois indica dano estrutural pulmonar irreversível decorrente de infecções repetidas — cenário clássico de imunodeficiência primária (IDP), como deficiência de anticorpos. As demais alternativas descrevem situações comuns e autolimitadas na infância, sem o caráter de gravidade e recorrência que justifica investigação imunológica estruturada.

O conceito central aqui é o de imunodeficiência primária (IDP): um grupo heterogêneo de doenças genéticas que comprometem o desenvolvimento ou a função do sistema imunológico, tornando o paciente vulnerável a infecções recorrentes, graves ou por agentes oportunistas. Na criança, as infecções respiratórias são extremamente comuns — uma criança saudável pode ter de 6 a 8 episódios virais por ano —, então o desafio clínico é distinguir o padrão "normal" daquele que sinaliza um defeito imune subjacente. A investigação imunológica estruturada (dosagem de imunoglobulinas, contagem de linfócitos e subpopulações, testes funcionais) é reservada para crianças com sinais de alerta — e é exatamente isso que a questão cobra.

Os chamados sinais de alerta da IDP (critérios de Jeffrey Modell Foundation, amplamente adotados) incluem: duas ou mais pneumonias no último ano; quatro ou mais otites no último ano; infecções recorrentes de pele ou abscessos; necessidade de antibióticos intravenosos para resolver infecções; infecções por germes incomuns ou oportunistas; história familiar de IDP; e falha de crescimento. Mas, quando falamos de repercussão pulmonar, o achado mais específico e de maior gravidade é a bronquiectasia — dilatação anormal e irreversível dos brônquios, consequência de infecções recorrentes que destroem a parede brônquica e comprometem a depuração mucociliar. A bronquiectasia em criança pequena, associada a infecções sinopulmonares (ouvidos, seios da face e pulmões) de repetição, é praticamente patognomônica de um defeito imune — sobretudo deficiência de anticorpos (como imunodeficiência comum variável, agamaglobulinemia ligada ao X) ou discinesia ciliar primária — e exige investigação imediata.

Para fixar o raciocínio, vale comparar os cenários: uma pneumonia bacteriana única que resolve completamente é um evento comum, sem implicação imunológica; infecções virais autolimitadas em pré-escolares são a regra; sibilância apenas ao esforço sugere asma induzida por exercício, não imunodeficiência; e tosse seca intermitente sem repercussão é inespecífica. O que separa o "normal" do "alarme" é a recorrência, a gravidade, a necessidade de internação, a resposta inadequada ao tratamento e o dano estrutural — e a bronquiectasia precoce é o exemplo máximo desse dano. A banca explora exatamente essa fronteira: o aluno que não conhece os sinais de alerta tende a supervalorizar qualquer infecção, mas a questão pede o achado que mais fortemente sugere IDP com repercussão pulmonar — e isso é a bronquiectasia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "infecções respiratórias recorrentes" (comuns na infância) e "infecções com repercussão estrutural" (alarme para IDP). A alternativa A não é apenas mais uma infecção — ela descreve dano pulmonar irreversível (bronquiectasia) associado a infecções de repetição, o que a torna o único cenário com indicação formal de investigação imunológica. As demais alternativas descrevem situações que, isoladamente, não justificam essa investigação.

Característica

Bronquiectasia precoce + infecções sinopulmonares (A)

Pneumonia única (B)

Infecções virais esporádicas (C)

Sibilância ao esforço (D)

Tosse seca intermitente (E)

Sugere imunodeficiência primária

Sim, fortemente

Não

Não

Não

Não

Repercussão pulmonar estrutural

Sim (dano irreversível)

Não

Não

Não

Não

Indicação de investigação imunológica

Mandatória

Não

Não

Não

Não

Padrão clínico

Alarme (recorrência + gravidade)

Comum na infância

Fisiológico

Asma induzida por exercício

Inespecífico

1Recorrência
2+ pneumonias/ano
4+ otites/ano
2Gravidade
Internação
Antibiótico IV
3Germes incomuns
Oportunistas
4Dano estrutural
Bronquiectasia precoce
Sinopulmonares recorrentes
Sinais de alerta para IDP
LEVELsoulevel.com.br
Sinais de alerta para IDP: Recorrência (2+ pneumonias/ano, 4+ otites/ano); Gravidade (Internação, Antibiótico IV); Germes incomuns (Oportunistas); Dano estrutural (Bronquiectasia precoce, Sinopulmonares recorrentes)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A bronquiectasia de início precoce associada a infecções sinopulmonares recorrentes é o achado que mais fortemente sugere imunodeficiência subjacente com repercussão pulmonar. A bronquiectasia representa dano estrutural irreversível das vias aéreas, consequência de infecções repetidas que destroem a parede brônquica. Em crianças, sua presença — especialmente quando associada a otites, sinusites e pneumonias de repetição — é um dos principais sinais de alerta para imunodeficiência primária, particularmente as deficiências de anticorpos (imunodeficiência comum variável, agamaglobulinemia ligada ao X) e a discinesia ciliar primária. A investigação imunológica estruturada (dosagem de imunoglobulinas, subpopulações linfocitárias, testes funcionais) é mandatória nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pneumonia bacteriana única, com resolução clínica completa, é um evento comum na infância e não configura sinal de alerta para imunodeficiência. A recorrência (duas ou mais pneumonias no ano) ou a gravidade (necessidade de internação, complicações) é que justificariam investigação. A alternativa descreve um episódio isolado e autolimitado, sem repercussão estrutural — exatamente o oposto do que a questão pede.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Episódios esporádicos de infecção viral autolimitada em idade pré-escolar são a normalidade na infância. Crianças saudáveis podem ter de 6 a 8 infecções virais por ano, especialmente quando frequentam creches. A ausência de recorrência, gravidade ou complicação afasta a suspeita de imunodeficiência. A alternativa descreve um padrão fisiológico, sem qualquer indicativo de defeito imune.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sibilância episódica relacionada exclusivamente a esforço físico é o quadro clássico de asma induzida por exercício — uma condição de hiper-reatividade brônquica, não uma imunodeficiência. A sibilância na asma é desencadeada por broncoconstrição, não por infecções recorrentes, e não cursa com dano estrutural pulmonar progressivo. A alternativa descreve um fenótipo alérgico/inflamatório, sem relação com defeito imune.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Tosse seca intermitente sem repercussão clínica é um sintoma inespecífico, comum em crianças (pós-viral, rinite alérgica, refluxo gastroesofágico, entre outros). A ausência de recorrência infecciosa, gravidade ou dano estrutural afasta a suspeita de imunodeficiência. A alternativa descreve um sintoma isolado, sem o contexto de infecções de repetição que justificaria investigação imunológica.

Gabarito: letra A — bronquiectasias de início precoce associadas a infecções sinopulmonares recorrentes é o único achado que indica dano estrutural pulmonar por infecções repetidas, sinal de alerta clássico para imunodeficiência primária.

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