Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg727492
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Em crianças com doença pulmonar crônica inexplicada, qual achado clínico ou radiológico mais fortemente sugere a presença de uma imunodeficiência primária subjacente, segundo a literatura recente?
ABronquiectasias de início precoce associadas a infecções respiratórias recorrentes.
BAsma de início tardio com boa resposta a corticosteroide inalatório.
CEpisódios esporádicos de infecção respiratória viral autolimitada.
DPneumonia bacteriana única, com resolução clínica e radiológica completa.
EDerrame pleural isolado em criança previamente hígida.
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GabaritoA — Bronquiectasias de início precoce associadas a infecções respiratórias recorrentes.
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Imunodeficiências primárias e doença pulmonar crônica na infância
Gabarito: letra A. Em crianças com doença pulmonar crônica inexplicada, o achado que mais fortemente sugere imunodeficiência primária (IDP) é a presença de bronquiectasias de início precoce associadas a infecções respiratórias recorrentes — esse padrão é um dos principais sinais de alerta para IDP, conforme diretrizes internacionais e literatura recente. As demais alternativas descrevem situações comuns ou autolimitadas, que não elevam a suspeição de IDP.
A imunodeficiência primária (IDP) é um grupo heterogêneo de doenças genéticas que comprometem o sistema imunológico, tornando o paciente vulnerável a infecções recorrentes, graves ou por agentes oportunistas. O diagnóstico precoce é essencial para reduzir morbimortalidade, e a literatura estabelece sinais de alerta que devem levantar a suspeita clínica. Entre eles, destacam-se: infecções de repetição (otites, pneumonias, sinusites), infecções graves (sepse, meningite), infecções por germes incomuns, falha de crescimento, e doença pulmonar crônica, especialmente bronquiectasias, que frequentemente resultam de infecções respiratórias recorrentes não tratadas adequadamente em pacientes com IDP.
A bronquiectasia é uma dilatação anormal e permanente dos brônquios, geralmente consequência de infecções repetidas ou inflamação crônica. Em crianças, quando surge precocemente e está associada a infecções respiratórias de repetição, é um forte indicador de uma causa subjacente, como imunodeficiência primária, discinesia ciliar ou fibrose cística. A literatura recente reforça que, diante de bronquiectasias em criança, a investigação de IDP deve ser prioritária, pois o diagnóstico precoce permite intervenções como imunoglobulina intravenosa, reduzindo danos pulmonares.
Na prática clínica, o raciocínio é: uma criança com pneumonia de repetição, bronquiectasias ou infecções graves deve ser avaliada para IDP. Por outro lado, asma de início tardio com boa resposta a corticosteroide, infecções virais autolimitadas, pneumonia única com resolução completa e derrame pleural isolado em criança hígida são situações que não preenchem critérios de alerta para IDP — são eventos comuns ou com outras etiologias mais prováveis.
A banca explora a confusão entre bronquiectasias (que são um sinal de alerta forte) e outras manifestações respiratórias comuns. O candidato deve lembrar que a presença de bronquiectasias + infecções recorrentes em criança é um dos principais critérios de suspeição de IDP, conforme os sinais de alerta da Fundação Jeffrey Modell e diretrizes de imunologia.
Sinais de alerta para IDP: Infecções de repetição (Otites, pneumonias, sinusites); Infecções graves (Sepse, meningite); Germes incomuns; Falha de crescimento; Doença pulmonar crônica (Bronquiectasias precoces, Infecções respiratórias recorrentes)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve exatamente o padrão clássico de apresentação de IDP com comprometimento pulmonar: bronquiectasias de início precoce (dilatação brônquica irreversível) associadas a infecções respiratórias recorrentes. Esse conjunto é um dos sinais de alerta mais fortes para imunodeficiência primária, pois indica falha na defesa contra patógenos respiratórios, levando a dano estrutural progressivo. A literatura recente (incluindo consensos de imunologia e pneumologia pediátrica) recomenda investigação de IDP em toda criança com bronquiectasias sem causa definida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Asma de início tardio com boa resposta a corticosteroide inalatório é um quadro típico de asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, e não sugere imunodeficiência primária. A boa resposta ao tratamento e a ausência de infecções recorrentes afastam a suspeita de IDP. A banca tenta confundir ao mencionar doença respiratória crônica, mas a asma controlada com corticosteroide não é um sinal de alerta para IDP.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Episódios esporádicos de infecção respiratória viral autolimitada são eventos comuns na infância, especialmente em creches, e refletem a maturação imunológica normal. Não há critério de gravidade, recorrência ou infecção por germes oportunistas que justifique suspeita de IDP. A palavra-chave é esporádicos e autolimitada — o oposto do padrão de infecções recorrentes e persistentes visto nas IDP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pneumonia bacteriana única, com resolução clínica e radiológica completa, é um evento isolado e curável, sem recorrência ou complicação. Não preenche nenhum dos sinais de alerta para IDP, que exigem infecções múltiplas, graves ou por germes incomuns. A resolução completa indica resposta imunológica adequada ao tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Derrame pleural isolado em criança previamente hígida é uma condição que pode ter diversas etiologias (parapneumônico, tuberculose, neoplasia, etc.), mas, isoladamente, não é um sinal de alerta para imunodeficiência primária. A ausência de infecções recorrentes ou de outros critérios de gravidade afasta a suspeita. A banca inclui essa opção para testar se o candidato associa qualquer complicação respiratória a IDP, o que é incorreto.
Gabarito: letra A — bronquiectasias precoces com infecções respiratórias recorrentes é o achado que mais fortemente sugere imunodeficiência primária subjacente.