Questão de Psiquiatria — Psiquiatria infantil — INSTITUTO AOCP 2026
PsiquiatriaPsiquiatria infantil
- Código
- qg727574
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Psiquiatria da Infância e Adolescência
O psiquiatra da infância e adolescência em ambulatório especializado faz o primeiro atendimento com uma paciente de 13 anos, sexo feminino. A mãe relata que a jovem já estava em acompanhamento psicológico por um quadro ansioso, mas recentemente tem estado muito mais irritada, principalmente sobre as questões de sua alimentação e autoestima. A paciente prefere ficar sozinha na consulta, pois refere estar com atritos frequentes com a mãe, e relata sempre ter sido insatisfeita com seu corpo. Sem querer, se compara com as amigas e as influenciadoras das redes sociais, por isso há 5 meses começou a fazer mais atividade física (treina na academia 2 horas ao dia, 6 vezes na semana e faz treinos de funcional por conta em casa de 3 a 4 vezes/semana). Também, começou a fazer algumas horas de jejum no dia, sempre que consegue “pula” o jantar ou almoço, perdendo 4kg nesse tempo. Porém, tem ficado muito cansada, ansiosa e acaba comendo mais que o normal em alguma ocasião quase toda semana. Sente não conseguir se controlar, come escondido e sofre fortemente pela culpa. Em algumas ocasiões, já pensou em provocar o vômito após, mas ficou com medo de a mãe ver. Paciente sem método contraceptivo, com irregularidade menstrual. O cálculo do IMC é de 20,3 (entre o percentil 50 e 85). Diante do exposto, o que já é possível afirmar sobre esse caso?
- AAparenta ser um quadro de bulimia nervosa, apesar da apresentação menos comum pelo início dos sintomas antes dos 16 anos e não haver sobrepeso ou obesidade.
- BAté não se configurar com mais precisão as características de um episódio de compulsão alimentar, pode ser iatrogênico para a paciente e sua família psicoeducar e introduzir as linhas gerais do tratamento nos transtornos alimentares.
- CO caso pode ser considerado leve, pois ainda se apresenta com apenas um comportamento compensatório e a paciente está com o IMC na faixa normal para a idade.
- DO fato de a paciente estar em acompanhamento psicológico já garante a parte principal do tratamento, mesmo que a profissional não tenha treinamento específico sobre transtornos alimentares.
- EComo toda a abordagem dos transtornos alimentares, esta também deverá envolver a família, conforme a indicação de primeira linha da terapia baseada na família (TBF) e do aconselhamento nutricional especializado.