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Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaAngiologia
Código
qg727645
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ultrassonografia
Paciente de 69 anos, tabagista há 28, com IMC de 37, em uso de captopril há 4 anos, há 1 mês começou a fazer pequenos exercícios físicos em casa e há 10 dias tenta realizar caminhadas pelo bairro, porém não consegue. Relata dor aguda na perna direita ao andar cerca de 600 m, que logo alivia com repouso. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável nesse caso.
  1. ATrombose venosa profunda.
  2. BFlebite em MMII.
  3. CMiosite na perna direita.
  4. DDoença arterial periférica
  5. EInsuficiência de safena parva.
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GabaritoD — Doença arterial periférica

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença arterial periférica: claudicação intermitente

Gabarito: letra D. O quadro é clássico de doença arterial periférica (DAP) com claudicação intermitente: dor muscular na panturrilha desencadeada por exercício (caminhada de ~600 m), que alivia com repouso, em paciente com múltiplos fatores de risco vascular (tabagismo, obesidade, hipertensão). O diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado pelo índice tornozelo-braquial (ITB).

A claudicação intermitente é a manifestação mais típica da DAP. Ela ocorre porque, durante o exercício, os músculos da perna aumentam a demanda por oxigênio, mas o fluxo arterial está comprometido por estenoses (geralmente ateroscleróticas). A dor surge a uma distância previsível de caminhada — quanto mais grave a estenose, menor a distância — e desaparece rapidamente com o repouso, pois a demanda muscular cai e o fluxo residual torna-se suficiente. No caso, a distância de 600 m e o alívio imediato com repouso são a assinatura do quadro.

Os fatores de risco do paciente são o ponto de partida: tabagismo há 28 anos, obesidade (IMC 37) e hipertensão em uso de captopril. Todos são fatores de risco clássicos para aterosclerose, a causa mais comum de DAP. O exame físico pode revelar pulsos distais diminuídos ou ausentes, e o ITB (razão entre a pressão sistólica do tornozelo e a do braço) é o exame não invasivo de escolha para confirmar — valores ≤ 0,90 indicam DAP.

É fundamental diferenciar a claudicação intermitente da pseudoclaudicação da estenose de canal lombar: nesta, a dor também piora ao caminhar, mas não alivia apenas com o repouso — o paciente precisa inclinar o tronco para frente ou sentar para aliviar. Essa distinção é um clássico de prova e está no cerne da questão.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas venosas (TVP, flebite, insuficiência de safena) e musculares (miosite), que têm apresentações diferentes. A dor da TVP é contínua, com edema e eritema, não é desencadeada por exercício nem alivia com repouso. A miosite causa dor à palpação e fraqueza, não um padrão de dor ao esforço com alívio ao repouso. A insuficiência de safena parva causa sintomas de doença venosa crônica (peso, edema, varizes), não claudicação.

Guarde o tripé que decide a questão: dor ao exercício + alívio com repouso + fatores de risco vascular = DAP até prova em contrário. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.

Dor na perna ao caminhar
  • 1Alivia com repouso
    • Claudicação intermitente → DAP
      • Fatores de risco vascular
        • Tabagismo
        • Obesidade
        • Hipertensão
      • Confirmação: ITB ≤ 0,90
  • 2Não alivia só com repouso
    • Pseudoclaudicação (estenose de canal lombar)
      • Alivia inclinando o tronco/sentando
  • 3Dor contínua, edema, eritema
    • TVP
    • Flebite
    • Insuficiência venosa crônica
  • 4Dor à palpação, fraqueza
    • Miosite
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A trombose venosa profunda (TVP) causa dor contínua, edema, eritema e empastamento da panturrilha, frequentemente com sinal de Homans positivo. Não é desencadeada por exercício nem alivia com repouso — na verdade, a deambulação costuma piorar o desconforto. O quadro descrito (dor ao caminhar 600 m com alívio ao parar) é de insuficiência arterial, não venosa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A flebite (tromboflebite superficial) manifesta-se como um cordão endurecido, doloroso e eritematoso ao longo do trajeto de uma veia superficial. A dor é localizada, contínua e não tem relação com a distância caminhada. Não há esse padrão de claudicação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A miosite causa dor muscular difusa, fraqueza e dor à palpação, frequentemente associada a sintomas sistêmicos (febre, mal-estar). Não é desencadeada especificamente por exercício com alívio ao repouso — o padrão de dor ao esforço com alívio imediato ao parar é típico de isquemia, não de inflamação muscular.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A doença arterial periférica (DAP) com claudicação intermitente é o diagnóstico mais provável. A dor muscular isquêmica surge durante o exercício, a uma distância previsível (600 m), e alivia prontamente com o repouso. O paciente tem três fatores de risco maiores para aterosclerose: tabagismo, obesidade e hipertensão. O ITB confirmaria o diagnóstico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A insuficiência de safena parva é uma doença venosa crônica que causa peso, edema, varizes e dor que piora no fim do dia e com a posição ortostática prolongada. Não causa claudicação intermitente — a dor não é desencadeada por exercício nem alivia com repouso.

A regra de ouro para a prova: dor na perna ao caminhar que alivia com repouso = claudicação intermitente = DAP, especialmente em paciente com fatores de risco vascular. Sempre desconfie de alternativas venosas quando o padrão é de dor ao esforço com alívio ao repouso.

Gabarito: letra D

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