Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg727685
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ultrassonografia
Paciente do sexo feminino, 27 anos, procura atendimento clínico em sua cidade com queixas de tremores leves nas mãos, unhas quebradiças e dificuldade de dormir. Relata ter percebido os sintomas há pouco mais de 7 meses. Nega uso de medicações e comorbidades conhecidas. Ao exame físico, detectou-se PA de 130/90 mmHg, FC 92, IMC 20. Foram solicitados alguns exames, entre eles, US de tireoide. Qual é o achado mais característico esperado nesse exame de ultrassom?
ACisto coloide.
BNódulo sólido.
CHipervascularização ao doppler.
DGlândula irregular.
EGlândula com dimensões reduzidas.
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GabaritoC — Hipervascularização ao doppler.
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Tireoide: achados ultrassonográficos na tireoidite de Hashimoto
Gabarito: letra C. O quadro clínico — mulher jovem, tremores, unhas quebradiças, insônia, taquicardia e hipertensão leve — é compatível com hipertireoidismo, e a causa autoimune mais comum nessa faixa etária é a tireoidite de Hashimoto em fase de destruição tireoidiana (hashitoxicose). O achado ultrassonográfico mais característico dessa condição é a hipervascularização ao doppler, que reflete o processo inflamatório e o aumento do fluxo sanguíneo na glândula.
A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a glândula tireoide, levando a um processo inflamatório crônico. Inicialmente, essa inflamação pode causar destruição dos folículos tireoidianos, liberando hormônios pré-formados na corrente sanguínea e gerando um quadro de hipertireoidismo transitório, chamado de hashitoxicose. É exatamente esse o cenário da paciente: sintomas de excesso de hormônio tireoidiano (tremores, taquicardia, insônia, perda de peso — note o IMC 20, que sugere emagrecimento) sem uso de medicações. Com o tempo, a destruição progressiva leva ao hipotireoidismo, mas na fase inicial o que se observa é o hiper.
No ultrassom, a tireoidite de Hashimoto apresenta um padrão característico: a glândula geralmente está aumentada de volume (bócio), com ecotextura heterogênea (aspecto de "pavimento" ou "mosaico"), devido à infiltração linfocitária e à fibrose. Ao doppler colorido, observa-se hipervascularização difusa, que é o achado mais marcante e específico da doença. Essa hipervascularização ocorre porque o processo inflamatório estimula a angiogênese e aumenta o fluxo sanguíneo local. É importante diferenciar esse padrão do encontrado na doença de Graves, onde também há hipervascularização, mas geralmente associada a um bócio difuso e homogêneo, sem as áreas de fibrose e heterogeneidade típicas de Hashimoto.
A banca explora aqui a confusão entre os achados ultrassonográficos de diferentes doenças tireoidianas. O candidato pode ser tentado a marcar "nódulo sólido" ou "cisto coloide", que são achados de nódulos benignos, mas o quadro clínico de hipertireoidismo em mulher jovem aponta para uma doença difusa da glândula, não para um nódulo. A alternativa "glândula irregular" e "dimensões reduzidas" também são distratores: a glândula em Hashimoto costuma estar aumentada, não reduzida, e a irregularidade é um achado inespecífico. O termo-chave é hipervascularização ao doppler, que é o achado mais característico e específico da tireoidite autoimune.
Guarde essa associação: hipertireoidismo + mulher jovem + ultrassom com hipervascularização difusa = tireoidite de Hashimoto (ou doença de Graves). A diferenciação entre as duas é feita pela ecotextura: em Graves, a glândula é homogênea; em Hashimoto, é heterogênea, com áreas de fibrose. É exatamente esse raciocínio que separa as alternativas desta questão.
Tireoidite de Hashimoto: Fase inicial (hashitoxicose) (Hipertireoidismo, Glândula aumentada, Hipervascularização ao doppler); Fase tardia (Hipotireoidismo, Glândula atrófica/reduzida); Achados US (Ecotextura heterogênea (mosaico), Doppler: fluxo aumentado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O cisto coloide é um achado comum em nódulos tireoidianos benignos, mas não é o achado mais característico da tireoidite de Hashimoto. A paciente apresenta um quadro de doença difusa da glândula, não um nódulo. O cisto coloide seria mais esperado em um bócio coloide ou em um nódulo coloide isolado, não em uma tireoidite autoimune.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Nódulo sólido é um achado inespecífico e não é o mais característico da tireoidite de Hashimoto. Embora nódulos possam coexistir com a tireoidite, o achado clássico da doença é a alteração difusa da ecotextura com hipervascularização, não um nódulo isolado. A presença de um nódulo sólido exigiria investigação adicional para excluir malignidade, mas não é o achado que define a doença.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipervascularização ao doppler é o achado ultrassonográfico mais característico da tireoidite de Hashimoto. O processo inflamatório crônico estimula a angiogênese e aumenta o fluxo sanguíneo na glândula, que se torna difusamente hipervascularizada. Esse achado, associado à ecotextura heterogênea, é o padrão típico da doença e confirma o diagnóstico na paciente com quadro de hipertireoidismo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Glândula irregular é um achado inespecífico e não é o mais característico da tireoidite de Hashimoto. Embora a glândula possa apresentar contornos irregulares devido à fibrose, o achado mais marcante e específico é a hipervascularização ao doppler. A irregularidade isolada não é suficiente para diferenciar a doença de outras condições.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Glândula com dimensões reduzidas é um achado típico de fases avançadas da tireoidite de Hashimoto, quando a destruição tireoidiana já levou ao hipotireoidismo e à atrofia da glândula. No entanto, a paciente apresenta um quadro de hipertireoidismo inicial (hashitoxicose), fase em que a glândula geralmente está aumentada de volume (bócio), não reduzida. A alternativa inverte a evolução natural da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o achado ultrassonográfico da fase inicial da tireoidite de Hashimoto (hipervascularização, glândula aumentada) pelo achado da fase tardia (glândula reduzida, atrófica). A paciente está na fase de hashitoxicose, com hipertireoidismo, então a glândula está hipervascularizada e aumentada, não reduzida. Fique atento à fase da doença descrita no enunciado!
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as principais doenças tireoidianas no ultrassom, monte um quadro mental: