Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Urologia
Código
qg727706
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Homem de 58 anos, com doença renal crônica estágio 5 por nefroesclerose hipertensiva, está em hemodiálise há 13 mesesm tendo sido encaminhado para avaliação pré-transplante renal.• Antecedentes incluem: diabetes tipo 2 controlado; infarto agudo do miocárdio há 2 anos, tratado com angioplastia e endoprótese coronariana (“Stent”) farmacológica; obesidade grau I e episódio prévio de pneumonia.• Sorologias virais adequadas, exceto sorologia negativa para varicela-zóster.• Atualmente encontra-se assintomático do ponto de vista cardiovascular, com exames cardiológicos recentes normais.Qual é o próximo passo mais apropriado antes da listagem para transplante renal?
ARepetir angiografia coronária obrigatoriamente, pois todo candidato com DAC prévia deve ser revascularizado antes do transplante.
BAdiar a avaliação até que o paciente atinja IMC < 30, pois obesidade grau I é contraindicação relativa absoluta.
CVacinar contra varicela (VZV) agora e aguardar pelo menos 4 semanas antes de listá-lo.
DSolicitar tomografia de coronárias, mesmo com exames cardiológicos recentes normais, pois o histórico de stent exige investigação anual.
ERepetir TC de tórax para avaliar possível TB latente, mesmo com imagem recente e ausência de sintomas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Vacinar contra varicela (VZV) agora e aguardar pelo menos 4 semanas antes de listá-lo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Avaliação pré-transplante renal: vacinação contra varicela-zóster
Gabarito: letra C. O próximo passo mais apropriado antes da listagem para transplante renal é vacinar contra varicela (VZV) agora e aguardar pelo menos 4 semanas antes de listá-lo, pois o paciente apresenta sorologia negativa para varicela-zóster, o que o torna suscetível a uma infecção que pode ser grave e até fatal no cenário de imunossupressão pós-transplante. A vacinação deve ser realizada antes do transplante, com intervalo mínimo de 4 semanas entre a vacina e a cirurgia, para garantir resposta imunológica adequada e segurança. As demais alternativas propõem condutas desnecessárias ou incorretas, como repetir exames cardiológicos sem indicação, adiar por obesidade grau I (que não é contraindicação absoluta) ou investigar TB latente sem sintomas e com imagem recente.
A avaliação pré-transplante renal é um processo multidisciplinar e minucioso, que visa identificar contraindicações absolutas e temporárias, otimizar condições clínicas e reduzir riscos peri e pós-operatórios. O transplante renal é a melhor terapia renal substitutiva, associada a maior sobrevida e qualidade de vida, mas exige que o candidato esteja clinicamente apto. Nesse contexto, a imunização é um pilar fundamental: pacientes em diálise têm resposta vacinal reduzida, mas ainda assim a vacinação pré-transplante é a estratégia mais eficaz para prevenir infecções virais, como varicela, herpes-zóster, hepatite B e influenza, que podem ser devastadoras sob imunossupressão.
A varicela-zóster (VZV) é um vírus da família Herpesviridae, altamente contagioso, que causa a varicela (catapora) na primo-infecção e pode reativar como herpes-zóster (cobreiro) em imunocomprometidos. Em transplantados renais, a infecção por VZV pode evoluir com disseminação visceral, pneumonia, encefalite e alta mortalidade. Por isso, a sorologia negativa para VZV é um achado que exige ação imediata: o paciente deve ser vacinado com a vacina de vírus vivo atenuado (Varicela) antes do transplante, respeitando um intervalo mínimo de 4 semanas entre a vacinação e a cirurgia, para permitir o desenvolvimento de imunidade e evitar o risco de doença vacinal no período de imunossupressão máxima. Esse intervalo é uma recomendação consagrada em diretrizes de transplante e sociedades de infectologia.
A alternativa C está correta porque aborda exatamente essa lacuna imunológica. As demais alternativas apresentam condutas que não são indicadas neste momento: a repetição de angiografia coronária ou tomografia de coronárias não é obrigatória em paciente assintomático com exames cardiológicos recentes normais, mesmo com histórico de stent farmacológico; a obesidade grau I (IMC 30-34,9) não é contraindicação absoluta ao transplante, sendo apenas um fator de risco que deve ser manejado, mas não impede a listagem; e a investigação de tuberculose latente com TC de tórax repetida não é necessária sem sintomas e com imagem recente, sendo a avaliação de TB latente feita por teste tuberculínico ou IGRA, não por TC de rotina.
A pegadinha central desta questão é a troca de prioridades: o candidato tem múltiplos fatores de risco (DAC prévia, diabetes, obesidade), mas o único achado que exige intervenção imediata e específica antes da listagem é a sorologia negativa para VZV. A banca explora a tendência do candidato a se fixar nos fatores cardiovasculares ou metabólicos, que já estão adequadamente avaliados e controlados, em detrimento da lacuna vacinal, que é um ponto crítico e modificável. Guarde a regra: todo candidato a transplante com sorologia negativa para VZV deve ser vacinado antes da listagem, com intervalo mínimo de 4 semanas.
1Sorologia negativa para VZV
2Vacinar contra varicela
3Aguardar ≥ 4 semanas
4Listar para transplante
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Repetir angiografia coronária obrigatoriamente e revascularizar todo candidato com DAC prévia é incorreto. O paciente tem histórico de IAM há 2 anos, tratado com angioplastia e stent farmacológico, mas está assintomático e com exames cardiológicos recentes normais. A diretriz atual não recomenda revascularização coronária de rotina em candidatos a transplante renal assintomáticos, mesmo com DAC prévia, se a avaliação funcional ou anatômica recente for normal. A revascularização é indicada apenas em casos de isquemia significativa ou sintomas, não como rotina pré-transplante. A alternativa erra ao tornar obrigatória uma conduta que é individualizada e baseada em sintomas e testes funcionais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Adiar a avaliação até IMC < 30 é incorreto, pois a obesidade grau I (IMC 30-34,9) não é contraindicação absoluta ao transplante renal. Embora a obesidade seja um fator de risco para complicações cirúrgicas e piores desfechos, ela não impede a listagem, especialmente em grau I. A conduta adequada é a avaliação nutricional e o manejo do peso, mas não o adiamento obrigatório da listagem. A alternativa erra ao classificar a obesidade grau I como contraindicação absoluta, quando na prática é uma contraindicação relativa que não exclui o paciente do transplante.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Vacinar contra varicela (VZV) agora e aguardar pelo menos 4 semanas antes de listá-lo é a conduta correta. O paciente tem sorologia negativa para varicela-zóster, o que indica suscetibilidade à infecção. A vacinação pré-transplante é essencial para prevenir varicela grave no pós-transplante, quando o paciente estará imunossuprimido. O intervalo de 4 semanas entre a vacina e a listagem/cirurgia é necessário para garantir resposta imune adequada e evitar o risco de doença vacinal. Essa é uma recomendação padronizada em diretrizes de transplante e infectologia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar tomografia de coronárias, mesmo com exames cardiológicos recentes normais, é incorreto. O histórico de stent farmacológico não exige investigação anual obrigatória por tomografia de coronárias, especialmente em paciente assintomático com avaliação cardiológica recente normal. A investigação de doença arterial coronariana no pré-transplante é baseada em sintomas, fatores de risco e testes funcionais, não em imagem anatômica de rotina anual. A alternativa erra ao impor uma periodicidade fixa e um exame invasivo/contrastado sem indicação clínica, o que poderia até causar dano (nefrotoxicidade do contraste em paciente com DRC).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Repetir TC de tórax para avaliar possível TB latente, mesmo com imagem recente e ausência de sintomas, é incorreto. A investigação de tuberculose latente no pré-transplante é feita por teste tuberculínico (PPD) ou IGRA, não por TC de tórax de rotina. A TC de tórax é indicada apenas se houver suspeita clínica ou radiológica de TB ativa, o que não é o caso. O paciente teve pneumonia prévia, mas está assintomático e com imagem recente, portanto não há indicação de repetir o exame. A alternativa erra ao substituir o método correto de rastreio (teste imunológico) por um exame de imagem desnecessário.
Gabarito: letra C — vacinar contra varicela (VZV) agora e aguardar pelo menos 4 semanas antes de listá-lo.