Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Urologia
Código
qg727709
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
O priapismo isquêmico caracteriza-se por ereção peniana persistente, dolorosa e não relacionada à estimulação sexual, associada à estase sanguínea nos corpos cavernosos e risco de lesão tecidual progressiva. Considerando esse quadro, a conduta inicial mais indicada no manejo do priapismo isquêmico com duração superior a 4 horas é
Aadministração oral de terbutalina como único tratamento inicial
Baplicação de gelo, exercício físico vigoroso e hidratação isolada.
Caspiração corporal seguida de injeção intracavernosa de simpatomimético (fenilefrina).
Dencaminhamento imediato para cirurgia de shunt distal, sem tentativa prévia de tratamento farmacológico.
Einjeção intracavernosa de epinefrina como primeira escolha, por apresentar menos efeitos adversos cardiovasculares.
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GabaritoC — aspiração corporal seguida de injeção intracavernosa de simpatomimético (fenilefrina).
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Priapismo isquêmico: manejo inicial
Gabarito: letra C. No priapismo isquêmico com duração superior a 4 horas, a conduta inicial mais indicada é a aspiração do sangue do corpo cavernoso seguida de injeção intracavernosa de simpatomimético (fenilefrina), conforme o manejo emergencial descrito na literatura urológica. Essa abordagem visa aliviar a estase sanguínea e reverter a isquemia tecidual, sendo a fenilefrina o agente alfa-adrenérgico de escolha.
O priapismo isquêmico, também chamado de baixo fluxo, é uma emergência urológica definida por ereção persistente e dolorosa, não relacionada à estimulação sexual, causada pela ausência de influxo arterial e consequente estase venosa nos corpos cavernosos. Essa condição leva a hipóxia, hipercarbia e acidose local, com risco de lesão tecidual progressiva e fibrose, culminando em disfunção erétil se não tratada precocemente. A avaliação inicial inclui história, exame físico e gasometria dos corpos cavernosos, além de ultrassonografia com Doppler para diferenciar do priapismo de alto fluxo.
O tratamento escalonado do priapismo isquêmico segue uma sequência lógica: medidas gerais (hidratação, analgesia, esvaziamento vesical) nas primeiras 2 horas; se persistir além de 4 horas, procede-se à aspiração do sangue cavernoso com agulha, seguida de injeção intracavernosa de fenilefrina (diluição de 100–500 mcg/mL, 0,5–1 mL, podendo repetir até 3 vezes). Essa é a conduta inicial mais indicada, pois combina a descompressão mecânica com a ação farmacológica simpatomimética, que promove vasoconstrição e restabelece o fluxo venoso. Caso não haja resposta, indica-se shunt cirúrgico (distal ou proximal) e, em casos específicos como anemia falciforme, eritrocitoaférese.
A alternativa C é a única que reflete corretamente essa sequência terapêutica. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta: a terbutalina oral não é tratamento inicial isolado; gelo e exercício são medidas adjuvantes, não definitivas; o shunt cirúrgico é reservado para falha do tratamento farmacológico; e a epinefrina, embora simpatomimética, não é a primeira escolha por maior risco de efeitos adversos cardiovasculares, sendo a fenilefrina preferida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as etapas do manejo: o candidato pode achar que medidas simples (gelo, hidratação) ou o encaminhamento cirúrgico imediato são suficientes, mas a regra é clara — após 4 horas, a aspiração com fenilefrina é o passo obrigatório antes de qualquer cirurgia. Fique atento à sequência: medidas gerais → aspiração + simpatomimético → shunt cirúrgico.
1Medidas gerais (até 2h)
2Aspiração + fenilefrina (após 4h)
3Shunt cirúrgico (se falhar)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A terbutalina oral (beta-agonista) não é o tratamento inicial isolado do priapismo isquêmico. Embora alguns estudos sugiram uso de agentes orais em casos selecionados, a conduta padrão após 4 horas é a aspiração com injeção intracavernosa de simpatomimético. A terbutalina não reverte a estase de forma eficaz e não substitui a intervenção local.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Gelo, exercício físico e hidratação são medidas adjuvantes, indicadas nas primeiras 2 horas, mas não são suficientes como tratamento isolado após 4 horas de priapismo isquêmico. A estase sanguínea já instalada exige descompressão mecânica e farmacológica para evitar lesão tecidual irreversível.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A aspiração do sangue do corpo cavernoso seguida de injeção intracavernosa de fenilefrina é a conduta inicial mais indicada no priapismo isquêmico com duração superior a 4 horas. A fenilefrina, agente alfa-adrenérgico, promove vasoconstrição e restabelece o fluxo venoso, enquanto a aspiração alivia a pressão e remove o sangue hipóxico. Essa combinação é o padrão-ouro antes de considerar procedimentos cirúrgicos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O encaminhamento imediato para cirurgia de shunt distal sem tentativa prévia de tratamento farmacológico está incorreto. O shunt cirúrgico é reservado para casos de falha da aspiração com simpatomimético. A abordagem escalonada é fundamental: primeiro medidas conservadoras e farmacológicas, e só então cirurgia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A epinefrina não é a primeira escolha no priapismo isquêmico. Embora seja um simpatomimético, apresenta maior risco de efeitos adversos cardiovasculares (taquicardia, hipertensão, arritmias) em comparação à fenilefrina, que é mais seletiva e preferida na prática clínica. A fenilefrina é o agente de escolha para injeção intracavernosa.