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Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaUrologia
Código
qg727710
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Homem de 36 anos, casado, encontra-se em investigação por infertilidade conjugal há 18 meses. Relata redução do desejo sexual no último ano e ejaculação precoce adquirida, com tempo de latência intravaginal estimado em cerca de 40 segundos. Refere preservação das ereções espontâneas e matinais. O espermograma evidencia oligozoospermia moderada. Dosagens hormonais mostram testosterona total e prolactina dentro da normalidade. Avaliação psicológica revela níveis elevados de ansiedade. A parceira não apresenta alterações clínicas ou laboratoriais relevantes. Considerando o conjunto dos achados, é correto afirmar que
  1. Aa ansiedade relacionada à infertilidade pode desencadear disfunções sexuais adquiridas, incluindo queda de desejo e ejaculação precoce.
  2. Ba ejaculação precoce adquirida está tipicamente associada à hiperfunção dopaminérgica e independe do contexto de infertilidade.
  3. Ca presença de ereções matinais exclui disfunção sexual, o quadro é puramente seminal.
  4. Da oligozoospermia sugere causa endócrina primária, sendo necessário iniciar reposição com testosterona.
  5. Ea prioridade é tratar a ejaculação precoce com ISRS de longa duração, independentemente do impacto psicológico.
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GabaritoA — a ansiedade relacionada à infertilidade pode desencadear disfunções sexuais adquiridas, incluindo queda de desejo e ejaculação precoce.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infertilidade conjugal e disfunções sexuais adquiridas: o papel da ansiedade

Gabarito: letra A. A ansiedade relacionada à infertilidade pode, de fato, desencadear disfunções sexuais adquiridas, incluindo queda do desejo sexual e ejaculação precoce — exatamente o que o enunciado descreve: um homem com 18 meses de investigação por infertilidade, redução do desejo, ejaculação precoce adquirida (cerca de 40 segundos de latência intravaginal), ereções preservadas, hormônios normais e níveis elevados de ansiedade na avaliação psicológica. O quadro é coerente com uma disfunção sexual de origem predominantemente psicogênica, e não com causa orgânica primária.

A infertilidade conjugal é uma condição estressante que afeta o casal como um todo, e o homem frequentemente vivencia sentimentos de fracasso, culpa e ansiedade de desempenho. Esse contexto psicológico adverso pode impactar diretamente as diferentes fases do ciclo de resposta sexual — desejo, excitação, orgasmo e ejaculação —, gerando um círculo vicioso: a ansiedade prejudica a função sexual, e a disfunção sexual, por sua vez, aumenta ainda mais a ansiedade e a antecipação de fracasso. No caso apresentado, a preservação das ereções espontâneas e matinais, aliada à normalidade hormonal (testosterona e prolactina), reforça a hipótese de que o componente psicogênico é o principal responsável pelo quadro, em vez de uma causa orgânica primária.

A ejaculação precoce é definida como a ejaculação que ocorre sempre ou quase sempre antes ou cerca de 1 minuto após a penetração vaginal, com incapacidade de retardar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações, e que causa sofrimento pessoal. Ela pode ser classificada como primária (ou vitalícia), quando presente desde as primeiras experiências sexuais, ou adquirida, quando surge após um período de função sexual normal. A forma adquirida frequentemente tem etiologia psicogênica, associada a fatores como ansiedade, estresse, problemas de relacionamento e, como no caso, a infertilidade. O tratamento envolve abordagem psicoterapêutica, terapia sexual e, quando necessário, o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), que retardam a ejaculação ao aumentar a transmissão serotoninérgica.

É fundamental distinguir a disfunção sexual psicogênica da orgânica. Na psicogênica, os exames laboratoriais e o exame físico costumam ser normais, e a função erétil pode estar preservada em situações não sexuais (como ereções matinais), o que aponta para a ausência de comprometimento vascular ou neurológico. Na orgânica, por outro lado, há frequentemente alterações hormonais, vasculares ou neurológicas que explicam o sintoma. No caso, a normalidade hormonal e a preservação das ereções matinais são fortes indicativos de que a causa é psicogênica, e não orgânica. A oligozoospermia moderada, embora presente, não é a causa das disfunções sexuais, e sim um achado que pode coexistir com o quadro, merecendo investigação urológica específica, mas sem relação direta com a queda do desejo ou com a ejaculação precoce.

A banca explora a confusão entre o tratamento da ejaculação precoce e o manejo da infertilidade. Embora os ISRSs sejam a primeira escolha farmacológica para a ejaculação precoce, a prioridade no caso apresentado não é simplesmente medicar, mas sim abordar o contexto psicológico — a ansiedade relacionada à infertilidade —, que é o gatilho das disfunções. O tratamento deve ser individualizado e considerar o impacto psicológico, com psicoterapia e terapia de casal como pilares, podendo associar medicação se necessário. Iniciar ISRS de longa duração sem abordar a causa subjacente seria uma conduta incompleta e potencialmente inadequada.

Guarde a fronteira entre disfunção sexual psicogênica e orgânica: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de ereções matinais preservadas, hormônios normais e um fator estressor claro (infertilidade + ansiedade) aponta fortemente para a origem psicogênica, tornando correta a alternativa A e incorretas as demais.

Critério

Disfunção psicogênica (caso)

Disfunção orgânica

Ereções matinais

Preservadas

Frequentemente ausentes

Hormônios (testosterona/prolactina)

Normais

Podem estar alterados

Fator estressor (ex.: infertilidade/ansiedade)

Presente e gatilho do quadro

Geralmente ausente

Mecanismo fisiopatológico

Psicogênico (ansiedade de desempenho)

Vascular, neurológico ou endócrino

1Indicadores
Ereções matinais preservadas
Hormônios normais
Fator estressor claro
2Manifestações
Redução do desejo
Ejaculação precoce adquirida
3Tratamento
Psicoterapia
Terapia de casal
ISRS se necessário
Disfunção sexual psicogênica
LEVELsoulevel.com.br
Disfunção sexual psicogênica: Indicadores (Ereções matinais preservadas, Hormônios normais, Fator estressor claro); Manifestações (Redução do desejo, Ejaculação precoce adquirida); Tratamento (Psicoterapia, Terapia de casal, ISRS se necessário)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque descreve com precisão a relação entre a ansiedade relacionada à infertilidade e o desenvolvimento de disfunções sexuais adquiridas. O enunciado fornece todos os elementos para essa conclusão: homem de 36 anos, 18 meses de investigação por infertilidade, redução do desejo sexual, ejaculação precoce adquirida (latência intravaginal de ~40 segundos), ereções espontâneas e matinais preservadas, testosterona e prolactina normais e níveis elevados de ansiedade. A ansiedade de desempenho e a antecipação de fracasso, comuns em contextos de infertilidade, podem comprometer o desejo e acelerar a ejaculação, configurando um quadro psicogênico. A preservação das ereções matinais e a normalidade hormonal reforçam essa etiologia, afastando causa orgânica primária.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a ejaculação precoce adquirida está "tipicamente associada à hiperfunção dopaminérgica". Na verdade, a ejaculação precoce está relacionada a uma hipofunção serotoninérgica (menor atividade da serotonina), e não dopaminérgica. Os ISRSs, que aumentam a serotonina, são usados para retardar a ejaculação. Além disso, a alternativa afirma que a ejaculação precoce "independe do contexto de infertilidade", o que é falso: a infertilidade é um estressor psicossocial que pode desencadear ou agravar a disfunção, como no caso apresentado. A banca inverte o neurotransmissor envolvido e desconsidera o contexto psicogênico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está errada ao afirmar que "a presença de ereções matinais exclui disfunção sexual". As ereções matinais preservadas indicam que a função erétil está intacta, ou seja, não há disfunção erétil orgânica. No entanto, isso não exclui a presença de outras disfunções sexuais, como a redução do desejo sexual e a ejaculação precoce, que são exatamente as queixas do paciente. A alternativa também erra ao classificar o quadro como "puramente seminal", ignorando o componente psicogênico evidente (ansiedade) e as disfunções sexuais associadas. A presença de ereções matinais é um dado importante para afastar causa orgânica de disfunção erétil, mas não exclui outras disfunções sexuais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que "a oligozoospermia sugere causa endócrina primária, sendo necessário iniciar reposição com testosterona". A oligozoospermia moderada pode ter diversas causas, incluindo varicocele, infecções, fatores genéticos, ambientais e hormonais. No entanto, o paciente apresenta testosterona total e prolactina dentro da normalidade, o que afasta hipogonadismo e hiperprolactinemia como causas. A reposição de testosterona é contraindicada em homens que desejam fertilidade, pois a testosterona exógena suprime a espermatogênese, piorando a oligozoospermia. A conduta correta seria investigar outras causas de oligozoospermia (como varicocele, por exemplo) e encaminhar ao urologista, não iniciar reposição hormonal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que "a prioridade é tratar a ejaculação precoce com ISRS de longa duração, independentemente do impacto psicológico". Embora os ISRSs sejam a primeira escolha farmacológica para a ejaculação precoce, a prioridade no caso apresentado é abordar o contexto psicológico — a ansiedade relacionada à infertilidade —, que é o gatilho das disfunções. Iniciar ISRS de longa duração sem tratar a causa subjacente seria uma conduta incompleta e potencialmente inadequada. O tratamento deve ser individualizado, com psicoterapia e terapia de casal como pilares, podendo associar medicação se necessário. A alternativa desconsidera o impacto psicológico, que é central no caso.

Gabarito: letra A

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