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Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaUrologia
Código
qg727712
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Homem de 45 anos, previamente hígido, apresenta jato urinário fraco, hesitação miccional, interrupção do fluxo e sensação de esvaziamento incompleto há aproximadamente 18 meses. Exames laboratoriais são normais. A ultrassonografia evidencia próstata de pequeno volume, sem alterações estruturais relevantes e com resíduo pós-miccional baixo. A fluxometria mostra padrão interrompido, com fluxo máximo reduzido. A investigação excluiu estenose uretral e outras causas obstrutivas anatômicas. O paciente refere piora dos sintomas em situações de estresse e relata contração voluntária da musculatura perineal durante a micção. Diante desse quadro, a conduta inicial mais apropriada é
  1. Ainiciar tansulosina imediatamente, mesmo sem evidências de obstrução prostática, pois alfabloqueador é sempre primeira linha para sintomas de esvaziamento.
  2. Bsolicitar urodinâmica em qualquer caso de disfunção miccional, visando diagnosticar definitivamente detrusor hipoativo ou dissinergia antes de qualquer intervenção.
  3. Cindicar cirurgia minimamente invasiva para melhorar o fluxo, mesmo com próstata pequena.
  4. Diniciar anticolinérgico, pois o quadro representa hiperatividade detrusora oculta.
  5. Eencaminhar para fisioterapia especializada do assoalho pélvico, com treino de coordenação miccional e técnicas de relaxamento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — encaminhar para fisioterapia especializada do assoalho pélvico, com treino de coordenação miccional e técnicas de relaxamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disfunção miccional por padrão funcional: disfunção do assoalho pélvico

Gabarito: letra E. O quadro descrito — sintomas obstrutivos crônicos em homem jovem, com próstata pequena, resíduo pós-miccional baixo, exclusão de causas anatômicas e piora em situações de estresse, associado à contração voluntária da musculatura perineal durante a micção — é classicamente compatível com disfunção miccional por padrão funcional (dissinergia do assoalho pélvico / síndrome de Fowler), cuja conduta inicial é o encaminhamento para fisioterapia especializada do assoalho pélvico, com treino de coordenação miccional e técnicas de relaxamento. A base do raciocínio está na fisiologia da micção: o relaxamento coordenado do assoalho pélvico é pré-requisito para o esvaziamento vesical eficiente, e sua contração inadequada gera obstrução funcional, não anatômica.

A disfunção do assoalho pélvico (DAP) é uma condição em que há contração inadequada ou falha de relaxamento da musculatura do assoalho pélvico durante a micção, resultando em obstrução funcional do fluxo urinário. Diferentemente da obstrução anatômica (como HPB ou estenose de uretra), na DAP não há barreira física — o problema é a incoordenação neuromuscular: o paciente contrai voluntariamente a musculatura perineal no momento em que deveria relaxá-la para permitir a passagem da urina. Isso explica por que a próstata é pequena, o resíduo pós-miccional é baixo (a obstrução é intermitente, não completa) e a fluxometria mostra padrão interrompido com fluxo máximo reduzido — o fluxo cai quando o paciente contrai o períneo e retorna quando relaxa.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história (sintomas obstrutivos em paciente jovem, sem fatores de risco para estenose, piora com estresse) e no exame físico (avaliação do assoalho pélvico). A urodinâmica pode ser útil em casos selecionados, mas não é obrigatória antes de qualquer intervenção — e, neste caso, o quadro clínico é tão típico que a conduta inicial é terapêutica, não diagnóstica invasiva. O estudo pressão-fluxo, quando realizado, mostra fluxo reduzido com pressão detrusora baixa ou normal (diferente da obstrução anatômica, em que a pressão está elevada), confirmando o caráter funcional.

O tratamento de primeira linha da DAP é conservador e não farmacológico: fisioterapia do assoalho pélvico com biofeedback, treino de coordenação miccional (aprender a relaxar o períneo ao urinar), técnicas de relaxamento e reeducação comportamental. Essa abordagem tem alta taxa de sucesso e é isenta de riscos, sendo a conduta inicial mais apropriada. O uso de alfabloqueadores, anticolinérgicos ou cirurgia não tem indicação neste cenário, pois não há obstrução anatômica nem hiperatividade detrusora — e cada uma dessas alternativas representa um erro conceitual distinto.

A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar os sintomas obstrutivos como se fossem HPB ou obstrução anatômica, ignorando os sinais de alerta: paciente jovem (45 anos), próstata pequena, resíduo baixo e, principalmente, a contração voluntária da musculatura perineal durante a micção — este é o dado-chave que aponta para o padrão funcional. A banca explora exatamente essa confusão entre obstrução anatômica e funcional, e entre sintomas de esvaziamento e de armazenamento. Guarde o critério: obstrução anatômica = próstata grande/estenose + resíduo alto + pressão detrusora elevada; obstrução funcional = próstata pequena + resíduo baixo + contração perineal durante a micção + piora com estresse.

Disfunção miccional
  • 1Obstrução anatômica
    • HPB / estenose
    • Próstata grande
    • Resíduo alto
    • Pressão detrusora elevada
  • 2Obstrução funcional (DAP)
    • Contração perineal na micção
    • Próstata pequena
    • Resíduo baixo
    • Piora com estresse
    • Fisioterapia do assoalho pélvico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar tansulosina imediatamente, mesmo sem evidências de obstrução prostática, é um erro por dois motivos. Primeiro, a tansulosina (alfabloqueador) é indicada para sintomas obstrutivos atribuíveis à HPB, ou seja, quando há obstrução anatômica prostática — o que foi excluído neste caso (próstata pequena, sem alterações estruturais). Segundo, a afirmação de que "alfabloqueador é sempre primeira linha para sintomas de esvaziamento" é uma generalização indevida: os sintomas de esvaziamento podem ter causas funcionais (como aqui) ou neurológicas, nas quais o alfabloqueador não é a primeira linha. A conduta correta é tratar a causa, não mascarar o sintoma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar urodinâmica "em qualquer caso de disfunção miccional" é uma generalização incorreta. A urodinâmica é um exame complementar indicado em situações específicas — falha do tratamento inicial, resíduo pós-miccional significativo, cirurgia prévia do trato urinário inferior, suspeita de doença neurológica ou quando os sintomas não são explicados por causas simples. Neste caso, o quadro clínico é típico de disfunção do assoalho pélvico, e a urodinâmica não é obrigatória antes de qualquer intervenção — ela pode ser útil para confirmar o diagnóstico ou avaliar casos refratários, mas não é a conduta inicial. Além disso, a urodinâmica não "diagnostica definitivamente" detrusor hipoativo ou dissinergia em todos os casos; é um exame que deve ser interpretado em conjunto com a clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Indicar cirurgia minimamente invasiva para melhorar o fluxo, mesmo com próstata pequena, é um erro grave. A cirurgia (como TUIP, HoLEP ou Rezum) é indicada para obstrução anatômica prostática com sintomas refratários ao tratamento clínico. Neste caso, não há obstrução anatômica — a próstata é pequena e o problema é funcional. Operar um paciente com disfunção do assoalho pélvico não só não resolve o problema, como pode piorar os sintomas, pois a cirurgia não corrige a incoordenação neuromuscular. A cirurgia é o último recurso, reservado para casos de obstrução anatômica comprovada com falha do tratamento conservador.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar anticolinérgico, pois o quadro representa hiperatividade detrusora oculta, é um erro conceitual. Os anticolinérgicos são indicados para bexiga hiperativa (sintomas de armazenamento: urgência, frequência, noctúria, incontinência de urgência). O paciente desta questão tem sintomas de esvaziamento (jato fraco, hesitação, interrupção do fluxo, sensação de esvaziamento incompleto) — não há queixa de urgência ou incontinência. Além disso, a hiperatividade detrusora é uma condição que se manifesta com contrações involuntárias do detrusor durante o enchimento, o que não é o caso. Usar anticolinérgico em um paciente com obstrução funcional pode até piorar o esvaziamento, pois reduz a contratilidade vesical.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Encaminhar para fisioterapia especializada do assoalho pélvico, com treino de coordenação miccional e técnicas de relaxamento, é a conduta inicial mais apropriada. O quadro é de disfunção do assoalho pélvico — o paciente contrai voluntariamente a musculatura perineal durante a micção, criando uma obstrução funcional. A fisioterapia com biofeedback ensina o paciente a relaxar o assoalho pélvico durante a micção, restaurando a coordenação neuromuscular e melhorando o esvaziamento vesical. Essa abordagem é conservadora, segura, eficaz e não tem contraindicações, sendo a primeira linha de tratamento para DAP. O treino de coordenação miccional e as técnicas de relaxamento são exatamente as ferramentas que corrigem o padrão disfuncional.

Gabarito: letra E

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