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Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaUrologia
Código
qg727718
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Homem de 71 anos, tabagista, apresenta massa vesical sólida. O resultado da biópsia demonstra: neoplasia infiltrativa composta por grandes ninhos celulares com bordas relativamente regulares, citologia pouco atípica, porém com invasão em muscular própria.IHQ: GATA3+, p63+, CK7+.O patologista descreve: “lesão com padrão nested exuberante, porém com invasão confirmada.”.Com base na WHO 2022, qual é a interpretação correta do subtipo e sua implicação clínica?
  1. ATrata-se de carcinoma urotelial de baixo grau, pois o padrão “em ninhos” (nested) indica comportamento indolente.
  2. BÉ um carcinoma urotelial com padrão invertido, equivalente a papilloma invertido, sem agressividade.
  3. CÉ um subtipo variante de grandes ninhos do carcinoma urotelial (“large nested”) de carcinoma urotelial, biologicamente indolente e com excelente prognóstico.
  4. DÉ o subtipo variante de grandes ninhos do carcinoma urotelial (“large nested”) de carcinoma urotelial, de aparência enganosa, mas associado a tumor avançado (≥pT2) e comportamento agressivo.
  5. EÉ carcinoma urotelial micropapilífero, devendo ser tratado como doença de altíssimo risco.
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GabaritoD — É o subtipo variante de grandes ninhos do carcinoma urotelial (“large nested”) de carcinoma urotelial, de aparência enganosa, mas associado a tumor avançado (≥pT2) e comportamento agressivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma urotelial variante "large nested" (grandes ninhos)

Gabarito: letra D. O padrão histológico descrito — grandes ninhos celulares com bordas relativamente regulares e citologia pouco atípica, porém com invasão da muscular própria — é a assinatura clássica do subtipo variante de grandes ninhos do carcinoma urotelial ("large nested"), que tem aparência enganosamente benigna, mas comportamento agressivo, frequentemente diagnosticado já em estágio ≥pT2 (WHO 2022). A alternativa correta é a D.

O carcinoma urotelial é o tipo histológico predominante do câncer de bexiga, responsável por cerca de 90% dos casos. A parede vesical é composta por quatro camadas: urotélio (revestimento epitelial mais interno), lâmina própria, muscular própria (músculo detrusor) e adventícia/serosa. A classificação da OMS (WHO 2022) reconhece, além do carcinoma urotelial convencional, diversas variantes histológicas — entre elas o padrão "nested" (em ninhos), que inclui o subtipo de grandes ninhos ("large nested").

A grande armadilha desse subtipo é a discordância entre a morfologia e o comportamento biológico: histologicamente, os ninhos são grandes, com bordas relativamente regulares e citologia pouco atípica — características que lembram lesões benignas ou de baixo grau. No entanto, a invasão da muscular própria é o dado que desmascara a agressividade: trata-se de um tumor que, na apresentação, já costuma estar em estágio ≥pT2 (invasão muscular), com risco aumentado de progressão e metástase. Por isso, a OMS alerta que esse subtipo tem "aparência enganosa" (deceptive appearance) e deve ser tratado como doença de alto risco, não como lesão indolente.

A imunohistoquímica descrita (GATA3+, p63+, CK7+) é típica de carcinoma urotelial, confirmando a linhagem urotelial da neoplasia — GATA3 e p63 são marcadores de diferenciação urotelial, e CK7 é positivo na maioria dos carcinomas uroteliais. Esses marcadores ajudam a diferenciar o tumor primário de bexiga de metástases de outros sítios, mas não distinguem as variantes histológicas entre si; essa distinção é essencialmente morfológica.

Na prática clínica, o reconhecimento do subtipo "large nested" é crucial porque muda o manejo: enquanto um carcinoma urotelial de baixo grau não invasor (Ta) pode ser tratado apenas com RTUTB e instilação intravesical, um tumor com invasão muscular (≥pT2) — mesmo com morfologia de baixo grau — exige tratamento radical, como cistectomia com linfadenectomia pélvica, geralmente precedida de quimioterapia neoadjuvante. O patologista deve sempre pesquisar invasão da muscular própria na peça de RTUTB, pois é esse o achado que define o estadiamento e o prognóstico.

A pegadinha da banca está exatamente na contradição entre a aparência histológica "inocente" e a invasão confirmada: o candidato que se fixa apenas na citologia pouco atípica e nas bordas regulares tende a classificar a lesão como de baixo grau ou indolente (alternativas A, B e C), ignorando que a invasão da muscular própria é o critério soberano de agressividade. Guarde essa fronteira: no carcinoma urotelial, a presença de invasão muscular (pT2 ou mais) sobrepõe-se a qualquer aparência morfológica favorável — é nela que as alternativas se dividem.

1Morfologia enganosa
Grandes ninhos
Bordas regulares
Citologia pouco atípica
2Comportamento agressivo
Invasão da muscular própria (≥pT2)
Alto risco de progressão
3IHQ típica
GATA3+
p63+
CK7+
4Tratamento radical
Cistectomia
Linfadenectomia pélvica
Carcinoma urotelial "large nested"
LEVELsoulevel.com.br
Carcinoma urotelial "large nested": Morfologia enganosa (Grandes ninhos, Bordas regulares, Citologia pouco atípica); Comportamento agressivo (Invasão da muscular própria (≥pT2), Alto risco de progressão); IHQ típica (GATA3+, p63+, CK7+); Tratamento radical (Cistectomia, Linfadenectomia pélvica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se trata de carcinoma urotelial de baixo grau por causa do padrão "em ninhos", sugerindo comportamento indolente. O erro é duplo: primeiro, o padrão "nested" não é sinônimo de baixo grau — é uma variante histológica que pode ocorrer em tumores de alto grau; segundo, a invasão da muscular própria descrita no enunciado é incompatível com doença indolente. O carcinoma urotelial de baixo grau, por definição, não invade a muscular própria (é Ta ou, no máximo, T1). A banca explora a confusão entre arquitetura "em ninhos" e grau histológico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Equipara o padrão "nested" ao papilloma invertido, afirmando que não há agressividade. O papilloma invertido é uma lesão benigna, com arquitetura endofítica e sem atipia citológica nem invasão — não se confunde com o carcinoma "large nested", que, apesar da citologia pouco atípica, invade a muscular própria. A presença de invasão é o divisor de águas: lesão benigna não invade; carcinoma invade. A alternativa ignora o dado central do enunciado (invasão em muscular própria) e banaliza uma neoplasia maligna.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Reconhece corretamente o subtipo "large nested", mas erra ao classificá-lo como "biologicamente indolente e com excelente prognóstico". Essa é a armadilha morfológica que a OMS alerta: o subtipo tem aparência enganosa, mas comportamento agressivo, com apresentação frequente em estágio ≥pT2. A alternativa acerta o diagnóstico e erra o prognóstico — exatamente a inversão que a banca quer testar. O prognóstico é reservado, não excelente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Identifica corretamente o subtipo variante de grandes ninhos ("large nested") do carcinoma urotelial e sua implicação clínica: aparência enganosa, mas associado a tumor avançado (≥pT2) e comportamento agressivo. A descrição histológica do enunciado (grandes ninhos, bordas regulares, citologia pouco atípica) é a morfologia típica do subtipo, e a invasão da muscular própria é o achado que confirma a agressividade. A WHO 2022 classifica essa variante como de alto risco, exigindo tratamento radical, mesmo diante da histologia aparentemente "inocente".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Confunde o subtipo "large nested" com o carcinoma urotelial micropapilífero. O micropapilífero tem morfologia distinta — pequenos grupos de células em arranjo micropapilar, sem eixo fibrovascular — e também é uma variante agressiva, mas não é o padrão descrito no enunciado (grandes ninhos com bordas regulares). A alternativa erra o diagnóstico histológico, embora acerte ao classificar como doença de altíssimo risco — o que, no entanto, não salva a letra, pois o subtipo é outro.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a discordância entre morfologia e comportamento no carcinoma urotelial "large nested": a citologia pouco atípica e as bordas regulares induzem o candidato a classificá-lo como indolente (letras A, B e C), quando a invasão da muscular própria é o dado que revela a agressividade (≥pT2). Na prova, sempre que houver invasão muscular, desconfie de alternativas que minimizem o prognóstico — a morfologia "benigna" é justamente a armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar as variantes agressivas do carcinoma urotelial que "parecem benignas", lembre-se do par "nested" e "large nested": ambos têm arquitetura em ninhos e citologia pouco atípica, mas o "large nested" é o que mais frequentemente se apresenta já com invasão muscular. Compare com o micropapilífero (pequenos grupos sem eixo) e o plasmocitoide (células discoestas, lembrando plasmócitos) — todos de alto risco, apesar das aparências distintas.

Gabarito: letra D

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