Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Urologia
Código
qg727719
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Na patologia das neoplasias renais, algumas entidades são caracterizadas por alterações genéticas específicas, cuja demonstração é indispensável para o diagnóstico definitivo, não sendo suficiente a avaliação morfológica isolada. Um tipo de tumor que tem essa característica é o
Acarcinoma renal cromófobo.
Bcarcinoma renal de células claras (ccRCC) com deleção do braço curto do cromossomo.
Ccarcinoma renal sólido e cístico eosinofílico (ESC RCC).
Dcarcinoma renal medular com perda de SMARCB1/INI1.
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Neoplasias renais com alterações genéticas definidoras
Gabarito: letra E. O carcinoma renal ELOC-mutado (anteriormente denominado TCEB1-mutated RCC) é uma entidade reconhecida na classificação da OMS cujo diagnóstico definitivo exige a demonstração da mutação no gene ELOC (TCEB1), não sendo suficiente a avaliação morfológica isolada. As demais alternativas descrevem tumores cujo diagnóstico pode ser firmado predominantemente pela histologia, ainda que apresentem alterações genéticas características.
O enunciado aborda um grupo de neoplasias renais em que a genética molecular é indispensável para o diagnóstico, ou seja, entidades definidas por alterações genéticas específicas. Na classificação atual da OMS, alguns tumores renais são reconhecidos como "entidades moleculares", nas quais a presença de uma mutação ou translocação específica é critério diagnóstico essencial. O carcinoma renal ELOC-mutado (TCEB1-mutated) é um exemplo clássico: trata-se de um tumor renal de baixo grau, frequentemente multifocal, que apresenta mutação no gene ELOC (anteriormente TCEB1), localizado no cromossomo 8. A morfologia pode ser sobreponível a outras neoplasias renais, como o carcinoma de células claras ou o carcinoma papilífero, e por isso a confirmação molecular é necessária para o diagnóstico definitivo.
Para compreender a questão, é importante distinguir os tumores renais que têm alterações genéticas "características" (mas não obrigatórias para o diagnóstico) daqueles em que a alteração genética é "definidora" (indispensável). No carcinoma renal de células claras (ccRCC), por exemplo, a deleção do braço curto do cromossomo 3 (3p) é uma alteração muito frequente, presente em cerca de 90% dos casos, mas o diagnóstico é feito pela histologia (células claras, padrão alveolar, rede vascular delicada), não pela genética. Já no carcinoma renal medular, a perda de SMARCB1/INI1 é uma alteração característica e auxilia no diagnóstico, mas a apresentação clínica (paciente jovem, traço falciforme) e a morfologia (padrão reticular, infiltração inflamatória) são fundamentais; a perda de SMARCB1/INI1 pode ser demonstrada por imuno-histoquímica, mas não é o único critério. No carcinoma renal cromófobo, a hipodiploidia e as alterações dos cromossomos 1, 2, 6, 10, 13, 17 e 21 são comuns, mas o diagnóstico é morfológico (células volumosas, citoplasma reticulado, halo perinuclear). O carcinoma renal sólido e cístico eosinofílico (ESC RCC) é uma entidade mais recente, caracterizada por mutações no gene TSC1/TSC2 ou MTOR, mas o diagnóstico pode ser sugerido pela morfologia (células eosinofílicas, padrão sólido e cístico) e confirmado por imuno-histoquímica (CK7 positivo, CD117 negativo), não exigindo obrigatoriamente a demonstração da mutação.
A pegadinha da questão está em confundir "alteração genética característica" com "alteração genética definidora". O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa B (ccRCC com deleção do 3p) por ser a alteração mais conhecida, mas ela não é indispensável para o diagnóstico. Da mesma forma, a alternativa D (medular com perda de SMARCB1/INI1) pode parecer correta, pois a perda de SMARCB1/INI1 é um marcador importante, mas o diagnóstico do carcinoma medular se baseia na combinação de achados clínicos, morfológicos e imuno-histoquímicos, não sendo a genética o único critério. Já o ELOC-mutado RCC é uma entidade que, na classificação da OMS, é definida pela mutação no gene ELOC, sendo essa demonstração indispensável para o diagnóstico definitivo.
Guarde o critério: a questão pede o tumor em que a alteração genética é indispensável para o diagnóstico. O ELOC-mutado RCC é o único em que a mutação define a entidade, enquanto nos demais a genética é coadjuvante ou característica, mas não obrigatória.
Tumor Renal
Alteração Genética
Papel da Genética no Diagnóstico
Carcinoma renal cromófobo
Hipodiploidia, perdas dos cromossomos 1, 2, 6, 10, 13, 17 e 21
Característica, mas não indispensável (diagnóstico morfológico)
Carcinoma renal de células claras (ccRCC)
Deleção do braço curto do cromossomo 3 (3p)
Característica (presente em ~90%), mas não indispensável (diagnóstico morfológico)
Carcinoma renal sólido e cístico eosinofílico (ESC RCC)
Mutações em TSC1/TSC2 ou MTOR
Característica, mas não indispensável (diagnóstico morfológico e imuno-histoquímico)
Carcinoma renal medular
Perda de SMARCB1/INI1
Característica e auxiliar, mas não indispensável de forma isolada (combinação clínico-morfológica)
Carcinoma renal ELOC-mutado (TCEB1)
Mutação no gene ELOC (cromossomo 8)
Indispensável — define a entidade e é critério diagnóstico essencial
Tumores renais e genética
1Genética definidora (indispensável)
ELOC-mutado (TCEB1)
2Genética característica (coadjuvante)
Cromófobo (hipodiploidia)
Células claras (deleção 3p)
ESC RCC (TSC1/TSC2)
Medular (perda SMARCB1/INI1)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O carcinoma renal cromófobo tem alterações genéticas características (hipodiploidia, perdas dos cromossomos 1, 2, 6, 10, 13, 17 e 21), mas o diagnóstico é essencialmente morfológico: células grandes com citoplasma reticulado e halo perinuclear, padrão de crescimento sólido. A genética não é indispensável; a histologia é suficiente na grande maioria dos casos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O carcinoma renal de células claras (ccRCC) apresenta deleção do braço curto do cromossomo 3 (3p) em cerca de 90% dos casos, sendo uma alteração genética muito frequente e importante na patogênese (envolvendo genes como VHL, PBRM1, SETD2). No entanto, o diagnóstico é firmado pela morfologia (células claras, rede vascular delicada, padrão alveolar) e pela imuno-histoquímica (CAIX, CD10, PAX8 positivos). A deleção do 3p é característica, mas não é indispensável para o diagnóstico; a genética não é critério obrigatório.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O carcinoma renal sólido e cístico eosinofílico (ESC RCC) é uma entidade mais recente, caracterizada por mutações em TSC1/TSC2 ou MTOR, mas o diagnóstico pode ser feito pela morfologia (células eosinofílicas, padrão sólido e cístico) e pela imuno-histoquímica (CK7 positivo, CD117 negativo). A demonstração da mutação não é indispensável; a avaliação morfológica e imuno-histoquímica é suficiente na maioria dos casos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O carcinoma renal medular é um tumor agressivo que ocorre tipicamente em pacientes jovens com traço falciforme. A perda de SMARCB1/INI1 é uma alteração característica e pode ser demonstrada por imuno-histoquímica (perda da expressão nuclear), auxiliando no diagnóstico. No entanto, o diagnóstico se baseia na combinação de achados clínicos (anemia falciforme), morfológicos (padrão reticular, infiltração inflamatória, células atípicas) e imuno-histoquímicos; a perda de SMARCB1/INI1 não é o único critério, e a genética não é indispensável de forma isolada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O carcinoma renal ELOC-mutado (anteriormente TCEB1-mutated RCC) é uma entidade reconhecida na classificação da OMS dos tumores renais, definida pela mutação no gene ELOC (localizado no cromossomo 8). Essa mutação é o critério diagnóstico essencial: sem a demonstração da alteração genética, o diagnóstico definitivo não pode ser firmado, pois a morfologia pode ser sobreponível a outras neoplasias renais (como o carcinoma de células claras ou o carcinoma papilífero). Portanto, a demonstração da mutação é indispensável, exatamente como pede o enunciado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "alteração genética característica" e "alteração genética definidora". O ccRCC com deleção do 3p (alternativa B) é a alteração mais conhecida e pode parecer a resposta, mas ela não é indispensável para o diagnóstico — a histologia é suficiente. Já o ELOC-mutado RCC é definido pela mutação, sendo essa a única em que a genética é obrigatória. Fique atento: a questão pede o tumor em que a genética é indispensável, não apenas frequente.