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Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaUrologia
Código
qg727722
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Homem de 62 anos apresenta dor lombar crônica intermitente há 8 meses, piorada por ingestão hídrica abundante. Relata três episódios de ITU no último ano. Exames demonstram:• Ultrassom: hidronefrose moderada à esquerda.• TC sem contraste: ausência de cálculos; pelve renal dilatada com afunilamento na JUP.• Renograma diurético (MAG3): t½ = 27 min no rim esquerdo; função diferencial 38%.• PVR normal.Com base nos exames e nas recomendações atuais sobre obstrução da junção ureteropiélica (JUP) e uropatias obstrutivas, qual é a conduta mais adequada?
  1. AObservar clinicamente com ultrassom anual, pois não há evidência de obstrução funcional.
  2. BRealizar cistoscopia para excluir refluxo vesicoureteral oculto como causa de hidronefrose.
  3. CIndicar pieloplastia, pois há sintomas de obstrução, como a queda de função renal e o renograma compatível.
  4. DSolicitar apenas TC contrastada, pois é o exame padrão-ouro para confirmar obstrução funcional.
  5. ETratar empiricamente com alfabloqueador e repetir renograma em 6 meses antes de qualquer intervenção.
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GabaritoC — Indicar pieloplastia, pois há sintomas de obstrução, como a queda de função renal e o renograma compatível.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Obstrução da junção ureteropiélica (JUP): indicação cirúrgica

Gabarito: letra C. O paciente apresenta obstrução funcional da JUP confirmada por renograma diurético (t½ = 27 min, acima do limite de 20 min), com queda da função diferencial para 38% e sintomas recorrentes (dor lombar piorada pela ingestão hídrica e ITUs de repetição) — conjunto que configura indicação formal de pieloplastia, o tratamento cirúrgico de escolha para obstrução da JUP em adultos sintomáticos.

A obstrução da junção ureteropiélica (JUP) é a causa mais comum de hidronefrose congênita e consiste em um estreitamento funcional ou anatômico no ponto de transição entre a pelve renal e o ureter proximal. Esse estreitamento dificulta o esvaziamento da pelve, levando à dilatação progressiva do sistema coletor e, se não tratado, à perda progressiva da função renal. O diagnóstico é suspeitado por exames de imagem (ultrassom mostrando hidronefrose com afunilamento na JUP, TC sem cálculos) e confirmado funcionalmente pelo renograma diurético com MAG3, que avalia a drenagem da pelve após administração de diurético.

O renograma diurético é o exame padrão-ouro para avaliar a obstrução funcional. O parâmetro-chave é o tempo de meia-vida (t½) do radiofármaco: valores acima de 20 minutos indicam obstrução, valores entre 10 e 20 minutos são indeterminados (zona cinzenta) e valores abaixo de 10 minutos indicam drenagem normal. No caso, o t½ de 27 minutos confirma a obstrução. Além disso, a função diferencial de 38% no rim esquerdo (normalmente espera-se ≥ 40%) demonstra que já há comprometimento funcional — um dos critérios mais fortes para indicar correção cirúrgica.

A indicação de pieloplastia baseia-se na presença de sintomas (dor, ITUs de repetição, litíase) e/ou deterioração da função renal (função diferencial < 40% ou queda > 5-10% em exames seriados). A pieloplastia, preferencialmente por via laparoscópica ou robótica, tem altas taxas de sucesso (acima de 90%) e é o tratamento definitivo. A conduta conservadora (observação) é reservada para pacientes assintomáticos com função renal preservada e sem obstrução funcional confirmada — não é o caso deste paciente, que tem sintomas, obstrução confirmada e queda de função.

A alternativa A (observar com ultrassom anual) ignora que há obstrução funcional comprovada e sintomas — conduta inadequada. A alternativa B (cistoscopia para excluir refluxo) não se justifica: o refluxo vesicoureteral é uma causa de hidronefrose mais comum em crianças e o diagnóstico é feito por uretrocistografia miccional, não por cistoscopia. A alternativa D (TC contrastada como padrão-ouro) erra: a TC avalia anatomia, não função; o padrão-ouro para obstrução funcional é o renograma diurético. A alternativa E (alfabloqueador empírico) não é tratamento estabelecido para obstrução da JUP em adulto com critérios cirúrgicos — alfabloqueadores são usados para facilitar a passagem de cálculos ureterais, não para tratar obstrução da JUP.

A pegadinha central desta questão é confundir o papel dos exames: a TC sem contraste já excluiu cálculos e mostrou o afunilamento típico; o renograma diurético é que confirma a obstrução funcional e quantifica a função diferencial. O aluno que não domina os critérios do renograma pode achar que a conduta é apenas observar, mas a combinação de sintomas + obstrução confirmada + queda de função torna a cirurgia a conduta mais adequada.

  1. 1Suspeita: US com hidronefrose
  2. 2TC sem contraste exclui cálculos
  3. 3Renograma diurético (MAG3)
  4. 4t½ > 20 min = obstrução
  5. 5Função diferencial < 40% = queda
  6. 6Pieloplastia indicada
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que não há evidência de obstrução funcional, o que é falso: o renograma diurético mostrou t½ = 27 min, acima do limite de 20 min que define obstrução. Além disso, o paciente é sintomático (dor lombar, ITUs de repetição) e já apresenta queda da função diferencial (38%). Observar com ultrassom anual seria adequado apenas para paciente assintomático, sem obstrução funcional confirmada e com função renal preservada — não é o caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cistoscopia é um exame endoscópico da uretra e bexiga, útil para avaliar lesões vesicais, estenoses uretrais ou tumores — não é o exame para diagnosticar refluxo vesicoureteral. O refluxo é diagnosticado por uretrocistografia miccional (UCGM) ou cistografia radioisotópica. Além disso, o refluxo vesicoureteral como causa de hidronefrose é mais comum em crianças; no adulto com afunilamento na JUP visto na TC, a hipótese principal é obstrução da JUP, não refluxo oculto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pieloplastia é o tratamento cirúrgico de escolha para obstrução da JUP. A indicação é baseada em: (1) sintomas — dor lombar crônica piorada pela ingestão hídrica (que aumenta o débito urinário e distende a pelve obstruída) e ITUs de repetição; (2) obstrução funcional confirmada — renograma diurético com t½ = 27 min (> 20 min); (3) queda da função renal — função diferencial de 38% (< 40%). A presença de todos esses critérios torna a correção cirúrgica a conduta mais adequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A TC contrastada avalia a anatomia (cálculos, tumores, estenoses), mas não avalia a função renal nem confirma obstrução funcional. O padrão-ouro para confirmar obstrução funcional é o renograma diurético (MAG3 ou DTPA), que já foi realizado e já confirmou a obstrução. Solicitar TC contrastada seria redundante e não acrescentaria informação funcional decisiva para a conduta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Alfabloqueadores (como tansulosina) são utilizados para facilitar a passagem de cálculos ureterais, promovendo relaxamento do ureter — não têm papel estabelecido no tratamento da obstrução da JUP. Além disso, o paciente já tem critérios claros para intervenção cirúrgica (sintomas + obstrução confirmada + queda de função); tratar empiricamente e repetir o renograma em 6 meses apenas retardaria a correção, permitindo maior perda funcional do rim.

Gabarito: letra C — pieloplastia, pois há sintomas de obstrução, renograma compatível e queda da função renal.

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