Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727737
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Um paciente aguardando transplante hepático apresenta teste cruzado linfocitário positivo com o doador. Qual é o significado desse exame?
ABoa compatibilidade HLA.
BPresença de anticorpos citotóxicos do receptor contra o doador.
CRisco leve de rejeição.
DReação cruzada entre células natural killer.
ECompatibilidade sanguínea ABO inadequada.
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GabaritoB — Presença de anticorpos citotóxicos do receptor contra o doador.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Teste cruzado linfocitário (crossmatch) em transplante hepático
Gabarito: letra B. O teste cruzado linfocitário positivo indica a presença de anticorpos citotóxicos pré-formados no receptor contra antígenos do doador, o que configura um alto risco de rejeição hiperaguda — não uma boa compatibilidade, risco leve ou reação de células NK. Esse é o conceito central da imunologia de transplantes que a questão explora.
O teste cruzado (crossmatch) é um exame pré-transplante que simula, em laboratório, o encontro entre o soro do receptor e os linfócitos do doador. O objetivo é detectar anticorpos já existentes no receptor que reagem contra os antígenos de histocompatibilidade (HLA) do doador. Quando o resultado é positivo, significa que o receptor possui anticorpos citotóxicos pré-formados capazes de atacar o enxerto imediatamente após a revascularização, desencadeando a chamada rejeição hiperaguda — que ocorre em minutos a horas, por ativação do sistema complemento e trombose dos vasos do enxerto.
A rejeição hiperaguda é mediada por esses anticorpos pré-existentes, diferentemente da rejeição aguda, que é predominantemente celular (linfócitos T) e ocorre em até 6 meses, e da rejeição tardia, relacionada à má adesão à imunossupressão. O contexto clínico do transplante hepático reforça a importância desse exame: a rejeição hepática ocorre majoritariamente nas 6 primeiras semanas, e a presença de anticorpos pré-formados contra o doador é contraindicação relativa ao transplante, pois o risco de perda imediata do enxerto é muito alto.
Na prática, o crossmatch positivo leva a equipe a buscar outro doador ou a realizar protocolos de dessensibilização (plasmaférese, imunoglobulinas, rituximabe) antes do transplante. A distinção crucial é entre o crossmatch (que avalia anticorpos pré-formados) e a tipagem HLA (que avalia a compatibilidade genética entre receptor e doador). Enquanto a tipagem HLA compatível é desejável, o crossmatch positivo é um sinal de alerta — são conceitos opostos, e a banca explora exatamente essa inversão.
A pegadinha desta questão está em associar o crossmatch positivo a algo favorável (boa compatibilidade) ou a um risco leve, quando na verdade ele representa um risco grave e imediato de rejeição hiperaguda. O candidato que confunde o crossmatch com a tipagem HLA cai na alternativa A. Guarde a fronteira: crossmatch positivo = anticorpos contra o doador = risco de rejeição hiperaguda; é nela que as alternativas se dividem.
Teste cruzado linfocitário (crossmatch)
1O que avalia
Anticorpos pré-formados do receptor
Contra linfócitos do doador (HLA)
2Resultado positivo
Anticorpos citotóxicos contra o doador
Risco de rejeição hiperaguda
Perda imediata do enxerto
3Confusões comuns
Tipagem HLA (compatibilidade genética)
Compatibilidade ABO (tipagem sanguínea)
Células NK (não são alvo do exame)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o teste cruzado positivo indica boa compatibilidade HLA. É exatamente o oposto: o crossmatch positivo revela incompatibilidade imunológica — anticorpos do receptor contra o doador. A boa compatibilidade HLA é avaliada pela tipagem HLA, não pelo crossmatch. A banca inverte o significado do exame para confundir.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O teste cruzado linfocitário positivo significa, por definição, a presença de anticorpos citotóxicos do receptor contra os linfócitos do doador. Esses anticorpos pré-formados são o mecanismo da rejeição hiperaguda, que ocorre em minutos a horas após o transplante, com ativação do complemento e trombose vascular. É a alternativa que descreve com precisão o que o exame detecta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o crossmatch positivo indica risco leve de rejeição. Na verdade, o risco é grave e imediato: a rejeição hiperaguda, mediada por esses anticorpos, leva à perda do enxerto em horas. Não há "risco leve" quando há anticorpos citotóxicos pré-formados contra o doador.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Menciona reação cruzada entre células natural killer (NK). O crossmatch avalia anticorpos do receptor contra linfócitos do doador (linfócitos T e B), não a atividade de células NK. As células NK participam de outros mecanismos de rejeição, mas não são o alvo do teste cruzado linfocitário clássico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Relaciona o crossmatch positivo à incompatibilidade sanguínea ABO. A compatibilidade ABO é avaliada separadamente, pelo teste de tipagem sanguínea e prova cruzada eritrocitária. O crossmatch linfocitário avalia antígenos HLA, não antígenos ABO. São sistemas de histocompatibilidade distintos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o significado do crossmatch positivo: em vez de "anticorpos contra o doador" (risco de rejeição hiperaguda), apresenta como "boa compatibilidade" ou "risco leve". O candidato que confunde crossmatch com tipagem HLA cai na letra A. Lembre-se: crossmatch positivo é sempre um sinal de alerta, nunca algo favorável.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare os exames pré-transplante: a tipagem HLA avalia a compatibilidade genética (quanto mais compatível, melhor); o crossmatch avalia anticorpos pré-formados (quanto mais reativo, pior). Se a alternativa disser que crossmatch positivo é bom, está errada — é o oposto.