Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727743
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Durante uma hepatectomia laparoscópica, um paciente de 56 anos apresentou queda abrupta na saturação de oxigênio, queda abrupta do ETCO₂ (capnografia) e hipotensão arterial súbita. Aventada a hipótese diagnóstica de embolia gasosa, qual é a conduta a ser adotada?
AReduzir ventilação mecânica e aumentar a pressão intra-abdominal.
BInterromper insuflação, desinsuflação, posição de Durant, 100% O₂, aspiração por cateter venoso central, se presente.
CComprimir a artéria seccionada.
DObservar e terminar o procedimento cirúrgico.
EReduzir volume corrente e manter pressão intra-abdominal.
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GabaritoB — Interromper insuflação, desinsuflação, posição de Durant, 100% O₂, aspiração por cateter venoso central, se presente.
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Embolia gasosa em cirurgia laparoscópica
Gabarito: letra B. Na suspeita de embolia gasosa durante videolaparoscopia, a conduta imediata é interromper a insuflação, desinsuflar o pneumoperitônio, posicionar o paciente em decúbito lateral esquerdo com cabeça baixa (posição de Durant), administrar oxigênio a 100% e aspirar o gás por cateter venoso central, se disponível. Essa sequência visa interromper a entrada de gás na circulação, deslocar a bolha para o átrio direito e otimizar a oxigenação — princípios consagrados no manejo de emergência dessa complicação.
A embolia gasosa é uma complicação rara, porém potencialmente fatal, da cirurgia laparoscópica. Ocorre quando o gás insuflado (geralmente CO₂) ganha acesso à circulação venosa, seja por lesão direta de um vaso, seja por pressão intra-abdominal elevada que força o gás através de veias lesadas ou do leito hepático seccionado. O quadro clínico clássico — queda abrupta da saturação de oxigênio, queda do ETCO₂ e hipotensão súbita — reflete a obstrução do fluxo sanguíneo pulmonar pela bolha gasosa, que impede a ventilação-perfusão adequada e compromete o retorno venoso ao coração.
O ETCO₂ cai porque o gás embolizado ocupa espaço nos capilares pulmonares, aumentando o espaço morto alveolar: o ar chega aos alvéolos, mas não encontra sangue para realizar a troca gasosa, então o CO₂ exalado diminui. A hipotensão decorre da obstrução do ventrículo direito, que não consegue bombear sangue contra a resistência criada pela bolha. O reconhecimento rápido desse padrão é essencial, pois a evolução para parada cardiorrespiratória pode ser fulminante.
O tratamento imediato segue uma lógica fisiopatológica clara. Interromper a insuflação e desinsuflar o pneumoperitônio remove a fonte do gás e reduz a pressão que o empurra para a circulação. A posição de Durant (decúbito lateral esquerdo com Trendelenburg) utiliza a gravidade para deslocar a bolha do trato de saída do ventrículo direito para o átrio direito, onde é menos provável que obstrua o fluxo. Oxigênio a 100% acelera a reabsorção do CO₂ embolizado e trata a hipoxemia. A aspiração por cateter venoso central pode remover diretamente o gás da circulação, sendo uma medida adicional valiosa quando o acesso já está disponível.
A alternativa correta sintetiza exatamente essa sequência de medidas. As demais opções propõem condutas que ou agravam o quadro (manter ou aumentar a pressão intra-abdominal, reduzir a ventilação) ou são irrelevantes para a emergência (comprimir artéria seccionada, observar e terminar o procedimento). O critério decisivo é: em uma emergência com suspeita de embolia gasosa, a prioridade absoluta é interromper a entrada de gás e reverter a obstrução — nunca manter o pneumoperitônio ou prosseguir com a cirurgia.
1Interromper insuflação
2Desinsuflar pneumoperitônio
3Posição de Durant
4Oxigênio a 100%
5Aspirar por cateter central
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Reduzir a ventilação mecânica e aumentar a pressão intra-abdominal é exatamente o oposto do que se deve fazer. Aumentar a pressão intra-abdominal favorece a entrada de mais gás na circulação, agravando a embolia. Reduzir a ventilação piora a hipoxemia, que já é crítica. A conduta correta é interromper a insuflação e desinsuflar, não aumentar a pressão.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve precisamente o manejo de emergência da embolia gasosa: interromper a insuflação, desinsuflar o pneumoperitônio, posicionar o paciente em posição de Durant, administrar oxigênio a 100% e aspirar o gás por cateter venoso central, se presente. Cada medida ataca um componente da fisiopatologia: interromper a fonte de gás, deslocar a bolha, otimizar a oxigenação e remover o gás da circulação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Comprimir a artéria seccionada não é a conduta prioritária na embolia gasosa. Embora a lesão vascular possa ser a porta de entrada do gás, a emergência imediata é o manejo da embolia em si. A compressão arterial não trata a bolha já instalada na circulação e não interrompe a entrada de gás pelo sistema venoso, que é a via habitual.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Observar e terminar o procedimento cirúrgico é conduta negligente diante de uma emergência potencialmente fatal. A embolia gasosa exige intervenção imediata; aguardar a evolução ou prosseguir com a cirurgia permite que o quadro progrida para parada cardiorrespiratória. A prioridade é estabilizar o paciente, não concluir o procedimento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Reduzir o volume corrente e manter a pressão intra-abdominal também é incorreto. Manter a pressão intra-abdominal perpetua o mecanismo de entrada de gás na circulação. Reduzir o volume corrente compromete ainda mais a ventilação em um paciente já hipoxêmico. A conduta correta é desinsuflar e ventilar com oxigênio a 100%, não reduzir a ventilação.
A regra de ouro para a prova: diante da tríade clássica (queda de SpO₂, queda de ETCO₂, hipotensão) em laparoscopia, pense em embolia gasosa e aja imediatamente — interromper insuflação, desinsuflar, posição de Durant, O₂ a 100% e aspiração por cateter central. Nunca manter ou aumentar o pneumoperitônio.