Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727746
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 34 anos, chega à consulta ambulatorial com queixa de nodulação endurecida em dorso, notada há 2 anos pela paciente, indolor. Traz consigo um exame ultrassonográfico com diagnóstico de cisto epidermoide. Qual é a melhor conduta a ser seguida nesse caso?
ARessecção cirúrgica com retirada completa da cápsula.
BPunção aspirativa e antibiótico oral.
CDrenagem simples do conteúdo.
DCompressas quentes até regressão.
ECauterização química da superfície.
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GabaritoA — Ressecção cirúrgica com retirada completa da cápsula.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cisto epidérmico: conduta terapêutica
Gabarito: letra A. O cisto epidérmico é uma lesão benigna revestida por epitélio escamoso estratificado, com conteúdo queratinizado, e o tratamento de escolha para cistos não inflamatórios é a exérese cirúrgica completa, incluindo a cápsula, para evitar recidiva. As demais condutas (punção, drenagem, compressas ou cauterização) não tratam a lesão de forma definitiva e podem levar a recorrência ou complicações.
O cisto epidérmico (também chamado de cisto sebáceo, embora tecnicamente não seja de origem sebácea) é uma das lesões cutâneas benignas mais comuns na prática ambulatorial. Ele se origina da porção infundibular do folículo pilossebáceo e se apresenta como um nódulo subcutâneo, de consistência amolecida, geralmente indolor, que pode ter um pequeno orifício central (o óstio folicular) visível na superfície. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a ultrassonografia pode auxiliar em casos de dúvida ou para localização de lesões de difícil excisão.
A conduta correta para um cisto epidérmico não inflamatório é a exérese cirúrgica com retirada completa da cápsula. Isso porque, se a cápsula (a parede do cisto) não for completamente removida, há grande chance de recidiva local. A simples drenagem do conteúdo ou a punção aspirativa apenas esvaziam o material queratinizado, mas deixam a cápsula intacta, permitindo que o cisto se reforme. A ressecção completa é um procedimento simples, realizado sob anestesia local, com baixa morbidade e excelente resultado estético.
É importante distinguir o tratamento do cisto epidérmico não inflamatório do tratamento do cisto inflamado ou infectado. Na fase inflamatória aguda, com dor, eritema e flutuação, a conduta inicial é diferente: pode-se realizar uma pequena incisão e drenagem para alívio sintomático, associada a antibióticos orais com cobertura para estafilococos e estreptococos (como cefalosporinas ou macrolídeos). A exérese completa da cápsula, nesses casos, é adiada para um segundo momento, após a resolução do processo inflamatório, pois a cirurgia em tecido inflamado aumenta o risco de complicações e de recidiva.
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que conhece o tratamento do cisto inflamado (drenagem + antibiótico) pode aplicá-lo erroneamente ao cisto não inflamatório. No caso do enunciado, a paciente apresenta um cisto indolor, sem sinais flogísticos, notado há 2 anos — ou seja, um cisto não inflamatório, que deve ser tratado com ressecção cirúrgica completa. As alternativas B, C, D e E representam condutas inadequadas para esse cenário, seja por não tratar a causa (cápsula), seja por serem medidas paliativas ou ineficazes.
Guarde o critério decisivo: cisto não inflamatório → exérese com cápsula; cisto inflamado/infectado → drenagem + antibiótico, com exérese posterior. É essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
Cisto epidérmico
1Não inflamatório
Exérese cirúrgica com cápsula
2Inflamado/infectado
Drenagem + antibiótico
Exérese posterior
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressecção cirúrgica com retirada completa da cápsula é o tratamento de escolha para cistos epidérmicos não inflamatórios. A remoção integral da cápsula é fundamental para evitar a recidiva, pois o cisto é uma estrutura fechada revestida por epitélio que produz queratina; se qualquer fragmento da parede permanecer, o cisto pode se reformar. O procedimento é realizado sob anestesia local, com incisão elíptica ou puntiforme, dissecção cuidadosa e fechamento por sutura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A punção aspirativa apenas esvazia o conteúdo queratinizado, mas não remove a cápsula do cisto, o que leva à recidiva quase certa. Além disso, o uso de antibiótico oral não está indicado em cistos não inflamatórios, pois não há infecção ativa. Essa conduta seria inadequada mesmo em cistos inflamados, onde a drenagem é feita por incisão (não por punção aspirativa) e o antibiótico é usado como adjuvante.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A drenagem simples do conteúdo é uma medida paliativa que pode ser utilizada na fase inflamatória aguda para alívio da dor, mas não é o tratamento definitivo. Como a cápsula permanece íntegra, o cisto tende a se encher novamente. No caso de um cisto não inflamatório, a drenagem não está indicada como conduta terapêutica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Compressas quentes podem ser úteis em processos inflamatórios superficiais para favorecer a drenagem espontânea, mas não têm efeito sobre um cisto epidérmico não inflamatório. Essa medida não remove a cápsula nem o conteúdo, e não há evidência de que promova regressão da lesão. É uma conduta expectante, sem embasamento para o tratamento curativo do cisto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A cauterização química da superfície é um procedimento destrutivo que não tem indicação para o tratamento de cistos epidérmicos. Ela não remove a cápsula, pode causar queimadura química, cicatriz inestética e infecção secundária, além de não prevenir a recidiva. O tratamento adequado é sempre cirúrgico, com excisão completa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento do cisto inflamado (drenagem + antibiótico) e o do cisto não inflamatório (exérese). O enunciado descreve uma lesão indolor, sem sinais de infecção — o que remete ao cisto não inflamatório. As alternativas B e C parecem atraentes para quem memorizou apenas o manejo do cisto infectado, mas são incorretas para este caso. Fique atento aos sinais flogísticos (dor, eritema, flutuação) para decidir a conduta.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, leia atentamente a descrição da lesão. Se o enunciado mencionar "indolor", "há anos", "sem sinais inflamatórios", a conduta é exérese cirúrgica com cápsula. Se mencionar "inflamado", "doloroso", "flutuante", a conduta inicial é drenagem + antibiótico, com exérese posterior. Essa dicotomia resolve a maioria das questões sobre cistos cutâneos.