Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727747
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Paciente do sexo masculino, 25 anos, chega ao pronto atendimento com queixa de dor e vermelhidão na coxa direita. No exame físico, notase abaulamento doloroso com sinais de flogose. Em relação ao abscesso cutâneo, o tratamento adequado consiste em
Apunção aspirativa com seringa e antibiótico sistêmico.
Bcompressas mornas até resolução espontânea.
Ccuretagem profunda sem antibiótico.
Dressecção completa da lesão com margens amplas.
Eincisão e drenagem ampla, seguida de limpeza e possível uso de antibiótico conforme indicação clínica.
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GabaritoE — incisão e drenagem ampla, seguida de limpeza e possível uso de antibiótico conforme indicação clínica.
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Abscesso cutâneo: incisão e drenagem como tratamento de escolha
Gabarito: letra E. O tratamento adequado do abscesso cutâneo é a incisão e drenagem ampla, seguida de limpeza da cavidade e, conforme a avaliação clínica, uso de antibiótico sistêmico — conduta que drena o conteúdo purulento, alivia a dor e resolve o processo infeccioso localizado. As demais alternativas apresentam condutas inadequadas ou insuficientes para o manejo do abscesso.
O abscesso cutâneo é uma coleção purulenta localizada, geralmente causada por bactérias como o Staphylococcus aureus, que se forma no tecido subcutâneo após uma infecção (como foliculite). O acúmulo de pus cria uma cavidade com pressão aumentada, causando dor, rubor, calor e edema — os sinais flogísticos descritos no enunciado. O princípio fundamental do tratamento é drenar o pus, pois a antibioticoterapia isolada não penetra adequadamente na cavidade abscedada, e a resolução espontânea é demorada e incompleta.
A incisão e drenagem (I&D) é o procedimento padrão-ouro: faz-se uma incisão ampla o suficiente para permitir a saída completa do material purulento, seguida de limpeza da cavidade e, em alguns casos, da colocação de um dreno para manter a drenagem nos dias seguintes. O procedimento é realizado com anestesia local e, quando bem indicado, apresenta altas taxas de sucesso — em torno de 80%, comparado a apenas 26% da aspiração com agulha, que é uma alternativa menos eficaz e reservada para situações específicas.
O uso de antibióticos sistêmicos não é rotina no abscesso simples: está indicado apenas em pacientes com sintomas sistêmicos de infecção (febre, mal-estar), imunocomprometidos, ou quando há celulite extensa associada. Nesses casos, a antibioticoterapia empírica pode ser feita com cefalosporinas de primeira geração (como cefalexina) ou, na suspeita de MRSA, com vancomicina, linezolida ou daptomicina. A decisão de prescrever antibiótico é complementar à drenagem, nunca substitutiva.
A banca explora a confusão entre o tratamento do abscesso e o de outras lesões cutâneas: enquanto a foliculite superficial pode ser manejada com higiene local e antibiótico tópico, o abscesso já formado exige drenagem mecânica. A pegadinha está em alternativas que sugerem condutas conservadoras (compressas, punção aspirativa) ou agressivas demais (ressecção com margens amplas), que não correspondem ao manejo correto do abscesso cutâneo.
Guarde o critério decisivo: abscesso formado = drenar. É exatamente essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
1Incisão ampla
2Drenagem do pus
3Limpeza da cavidade
4Antibiótico se indicado
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A punção aspirativa com seringa é uma técnica de drenagem menos eficaz que a incisão e drenagem, com taxas de sucesso muito inferiores (26% vs. 80%). Além disso, a punção aspirativa isolada não garante a drenagem completa do conteúdo purulento, podendo deixar cavidades residuais e levar à recorrência. O antibiótico sistêmico, por sua vez, não é indicado de rotina no abscesso simples — apenas em casos selecionados. A conduta correta é a incisão e drenagem ampla, não a punção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Compressas mornas podem auxiliar na fase inicial de uma infecção superficial (como foliculite), mas não resolvem um abscesso já formado. O pus acumulado precisa ser drenado cirurgicamente; a resolução espontânea é demorada, incompleta e pode levar a complicações como extensão da infecção ou formação de fístula. A conduta conservadora isolada é inadequada para o abscesso cutâneo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A curetagem profunda não é o tratamento indicado para abscesso cutâneo. A curetagem é utilizada em outras condições (como lesões de pele com tecido necrótico), mas no abscesso o procedimento correto é a incisão e drenagem, não a curetagem da cavidade. Além disso, a ausência de antibiótico não é o problema central — a questão é que a técnica descrita não é a adequada para drenar o pus.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ressecção completa da lesão com margens amplas é uma conduta excessivamente agressiva para um abscesso cutâneo. Esse tipo de abordagem é reservado para lesões neoplásicas ou tumores, não para processos infecciosos localizados. No abscesso, a drenagem do pus é suficiente; a ressecção ampla causaria dano desnecessário ao tecido sadio e não é o tratamento de escolha.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A incisão e drenagem ampla é o tratamento padrão-ouro para o abscesso cutâneo: permite a saída completa do material purulento, alivia a dor e resolve o processo infeccioso. A limpeza da cavidade complementa a drenagem, e o uso de antibiótico sistêmico é considerado conforme indicação clínica — ou seja, apenas em pacientes com sintomas sistêmicos, imunocomprometidos ou com celulite extensa. A alternativa espelha exatamente a conduta correta e a individualização do tratamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento do abscesso e o de outras lesões cutâneas. Enquanto a foliculite superficial pode ser manejada com higiene local e antibiótico tópico, o abscesso já formado exige drenagem mecânica — a incisão e drenagem. Alternativas que sugerem condutas conservadoras (compressas, punção) ou agressivas demais (ressecção ampla) são distratores clássicos. Lembre-se: abscesso formado = drenar!
Gabarito: letra E — incisão e drenagem ampla, seguida de limpeza e possível uso de antibiótico conforme indicação clínica.