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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg727759
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 54 anos, feodérmica, é levada ao hospital de urgências após atropelamento com perda da consciência. Submetida à ressucitação, seus dados vitais foram recuperados e ela conseguiu sobreviver durante os dois primeiros picos da distribuição trimodal do trauma, entretanto morreu durante o terceiro pico. Com base nessas informações, é corretor afirmar que a provável causa de morte durante o terceiro pico foi
  1. Aruptura cardíaca.
  2. Bsepse generalizada.
  3. Cpneumotórax hipertensivo.
  4. Dtamponamento cardíaco.
  5. Elesões cerebrais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sepse generalizada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distribuição trimodal da mortalidade no trauma

Gabarito: letra B. A morte no terceiro pico da distribuição trimodal do trauma ocorre, classicamente, por sepse generalizada e falência de múltiplos órgãos, dias a semanas após o evento inicial — é a fase tardia, em que o paciente sobreviveu à ressuscitação e às complicações imediatas, mas sucumbe às consequências sistêmicas da agressão. As demais alternativas (ruptura cardíaca, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco e lesões cerebrais) são causas de morte do primeiro ou segundo picos, não do terceiro.

A distribuição trimodal da mortalidade no trauma é um conceito clássico da cirurgia do trauma, descrito por Donald Trunkey na década de 1980, que organiza os óbitos em três picos temporais distintos, cada um com mecanismos fisiopatológicos e janelas de intervenção próprias. Compreender essa distribuição é essencial para o cirurgião geral, pois define prioridades de atendimento e antecipa as complicações que podem matar o paciente em cada fase.

O primeiro pico ocorre em segundos a minutos após o trauma. As mortes são imediatas e resultam de lesões catastróficas e incompatíveis com a vida: laceração maciça do cérebro, do tronco encefálico, do coração, da aorta ou de grandes vasos. Pouco pode ser feito — a prevenção é a única estratégia eficaz. O segundo pico ocorre em minutos a algumas horas (a chamada "hora de ouro"). As mortes resultam de lesões potencialmente tratáveis, como hematoma epidural ou subdural, hemopneumotórax, ruptura esplênica, laceração hepática, fraturas pélvicas com hemorragia e tamponamento cardíaco. É nessa janela que a atuação rápida do serviço de emergência e do cirurgião faz a diferença. O terceiro pico ocorre dias a semanas após o trauma. As mortes são tardias e resultam de complicações sistêmicas: sepse, síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS), síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), coagulopatia e falência de múltiplos órgãos (FMO).

No caso da paciente, ela sobreviveu aos dois primeiros picos — ou seja, não morreu por lesões imediatas nem por complicações tratáveis nas primeiras horas — mas faleceu no terceiro pico. Isso aponta diretamente para a sepse generalizada como causa provável, pois é a complicação tardia mais característica e prevalente nessa fase. As demais alternativas são causas de morte dos picos anteriores.

A pegadinha da questão está em associar o trauma grave a causas de morte imediatas ou precoces (lesões cerebrais, ruptura cardíaca, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco), que são intuitivas e frequentemente lembradas. O terceiro pico, porém, é o momento das complicações infecciosas e da disfunção orgânica múltipla — um conceito menos óbvio, mas que a banca explora justamente por isso. Guarde a sequência temporal: imediato → precoce → tardio, e as causas típicas de cada fase.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ruptura cardíaca é uma lesão catastrófica que causa morte imediata ou em minutos, enquadrando-se no primeiro pico da mortalidade. A paciente sobreviveu à ressuscitação e aos dois primeiros picos, o que exclui essa possibilidade como causa do óbito no terceiro pico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sepse generalizada é a complicação tardia clássica do trauma, ocorrendo dias a semanas após o evento inicial. É a principal causa de morte no terceiro pico da distribuição trimodal, juntamente com a falência de múltiplos órgãos. A paciente, ao sobreviver aos dois primeiros picos e morrer no terceiro, apresenta o cenário típico de óbito por sepse.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pneumotórax hipertensivo é uma complicação aguda que leva à morte em minutos a horas, caracterizando o segundo pico da mortalidade. É uma causa de óbito precoce, não tardia, e portanto não se aplica ao terceiro pico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tamponamento cardíaco é uma causa de morte do segundo pico, ocorrendo em minutos a horas após o trauma, geralmente por lesão penetrante ou contusa do coração. É uma emergência tratável na "hora de ouro", mas não é a causa típica de óbito no terceiro pico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As lesões cerebrais graves podem causar morte em qualquer fase, mas as lesões catastróficas que matam imediatamente (primeiro pico) ou as lesões tratáveis que matam em horas (segundo pico) não se enquadram no terceiro pico. No terceiro pico, as mortes por lesão cerebral são raras, predominando as complicações sistêmicas como a sepse.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a distribuição trimodal, associe cada pico a uma palavra-chave: imediato (lesões catastróficas), precoce (hemorragia e lesões tratáveis) e tardio (sepse e falência de órgãos). Na prova, ao ver "terceiro pico", pense automaticamente em sepse — é a resposta mais frequente e a que a banca espera.

Gabarito: letra B

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