Úlcera de Marjolin
Gabarito: letra E. A úlcera de Marjolin é uma neoplasia maligna que se desenvolve sobre cicatrizes crônicas, mais comumente cicatrizes de queimaduras, sendo classicamente um carcinoma espinocelular. A alternativa E define corretamente essa condição, enquanto as demais descrevem outras entidades clínicas distintas.
A úlcera de Marjolin é uma complicação rara, porém grave, de feridas crônicas e cicatrizes, especialmente aquelas resultantes de queimaduras. O nome homenageia Jean-Nicolas Marjolin, que descreveu a degeneração maligna de cicatrizes no século XIX. A fisiopatologia envolve a transformação maligna de células epiteliais em um microambiente de inflamação crônica, reparo tecidual repetido e cicatrização deficiente. O tipo histológico mais frequente é o carcinoma espinocelular (CEC), mas outros tumores podem ocorrer, como carcinoma basocelular e melanoma.
O período de latência entre a lesão inicial e o desenvolvimento do tumor é longo, geralmente de 20 a 30 anos, embora possa variar. Clinicamente, a úlcera de Marjolin se apresenta como uma lesão ulcerada, com bordas elevadas e irregulares, fundo com tecido de granulação friável, que pode sangrar facilmente e apresentar secreção fétida. O crescimento é geralmente lento, mas pode ser localmente agressivo, com potencial de metástase, especialmente para linfonodos regionais.
O diagnóstico é feito por biópsia da lesão, que deve ser realizada em qualquer úlcera crônica que não cicatriza adequadamente ou que apresenta mudança nas características, como aumento do tamanho, dor, sangramento ou odor fétido. O tratamento é essencialmente cirúrgico, com ressecção ampla da lesão, e pode incluir linfadenectomia e terapias adjuvantes, dependendo do estadiamento.
A banca explora a confusão entre a úlcera de Marjolin e outras úlceras crônicas de membros inferiores, como a úlcera venosa, a úlcera isquêmica e a úlcera hipertensiva. É fundamental distinguir essas entidades, pois a abordagem diagnóstica e terapêutica é diferente. A úlcera de Marjolin é uma neoplasia, enquanto as demais são úlceras de etiologia vascular ou neuropática.
Guarde a distinção central: a úlcera de Marjolin é uma degeneração maligna sobre cicatriz, enquanto as outras alternativas descrevem úlceras de causas vasculares, metabólicas ou dermatológicas. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das incorretas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A úlcera de Marjolin não se localiza no esôfago de Barrett. O esôfago de Barrett é uma condição na qual o epitélio escamoso do esôfago distal é substituído por epitélio colunar, em decorrência de refluxo gastroesofágico crônico, e está associado a um risco aumentado de adenocarcinoma esofágico. A alternativa confunde a degeneração maligna de uma cicatriz cutânea com a metaplasia intestinal do esôfago, que é uma entidade completamente diferente, com localização e etiologia distintas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A úlcera de Marjolin não é uma lesão de coceira por prurido em psoríase. A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, de base imunológica, que cursa com placas eritematodescamativas, e o prurido pode estar presente, mas não há degeneração maligna sobre cicatriz. A alternativa descreve uma manifestação dermatológica comum, sem relação com a transformação neoplásica sobre cicatrizes crônicas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A úlcera de Marjolin não é uma úlcera vascular hipertensiva em tornozelo. A úlcera hipertensiva, também conhecida como úlcera de Martorell, é uma lesão isquêmica que ocorre em pacientes com hipertensão arterial grave, localizada tipicamente na face posterolateral da perna distal, extremamente dolorosa. A alternativa descreve uma úlcera de etiologia vascular, não uma neoplasia sobre cicatriz.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A úlcera de Marjolin não é uma úlcera perianal por isquemia diabética. A úlcera perianal pode ocorrer em pacientes diabéticos devido a doença vascular e neuropatia, mas não é uma degeneração maligna sobre cicatriz. A alternativa descreve uma complicação do diabetes mellitus, com fisiopatologia isquêmica e neuropática, distinta da úlcera de Marjolin.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A úlcera de Marjolin é definida como uma neoplasia maligna que se desenvolve em cicatrizes crônicas, sendo a cicatriz de queimadura o exemplo clássico. A degeneração maligna ocorre mais frequentemente como carcinoma espinocelular, após um longo período de latência. A alternativa E captura exatamente essa definição, associando a úlcera a uma neoplasia maligna e à cicatriz de queimadura, que é o contexto mais característico.
Gabarito: letra E