Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727771
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Paciente do sexo masculino, 43 anos, feodérmico, sofreu uma queda de cinco metros do telhado de uma casa. Ainda no local do acidente, o médico socorrista identificou veias cervicais dilatadas, hipotensão e sons cardíacos abafados. Com base nessa tríade, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável para esse paciente.
AHemotórax maciço.
BPneumomediastino extenso.
CTamponamento cardíaco.
DPneumotórax hipertensivo.
EEmbolia pulmonar.
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GabaritoC — Tamponamento cardíaco.
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Tamponamento cardíaco: a tríade de Beck no trauma torácico
Gabarito: letra C. A tríade clássica descrita no enunciado — veias cervicais dilatadas, hipotensão e sons cardíacos abafados — é a tríade de Beck, que caracteriza o tamponamento cardíaco. O mecanismo de trauma (queda de altura) e o contexto de emergência reforçam o diagnóstico, que é uma emergência cirúrgica. A tríade de Beck é o achado clínico clássico do tamponamento cardíaco, embora de difícil avaliação no atendimento de emergência.
O tamponamento cardíaco ocorre quando há acúmulo de sangue ou líquido no saco pericárdico, comprimindo o coração e impedindo o enchimento adequado das câmaras cardíacas. Isso leva a uma redução do débito cardíaco, que se manifesta clinicamente com a tríade de Beck: hipofonese de bulhas (sons cardíacos abafados), hipotensão e distensão das veias jugulares (veias cervicais dilatadas). No trauma, a causa mais comum é o sangramento para o pericárdio, frequentemente por lesão cardíaca ou de grandes vasos.
O diagnóstico no ambiente de emergência é eminentemente clínico, mas a avaliação com o POCUS (ultrassom point-of-care) ganha muito espaço. Na suspeita de tamponamento cardíaco, indica-se o início do eFAST pela janela subxifóidea. A visualização de líquido (conteúdo hipoecoico ou anecoico) ou material heterogêneo no pericárdio, associada à compressão das câmaras direitas, é sugestiva do diagnóstico.
O manejo do tamponamento cardíaco traumático é cirúrgico. A equipe de cirurgia deve ser acionada imediatamente para realização de toracotomia de emergência ou esternotomia. No ambiente pré-hospitalar, o paciente deve ser encaminhado a um centro de trauma qualificado. Medidas de suporte, como expansão volêmica e suporte respiratório, devem ser instituídas, mas não devem adiar o tratamento cirúrgico definitivo. A pericardiocentese é um procedimento controverso, que pode ajudar apenas temporariamente na estabilização hemodinâmica, sendo reservada para situações de instabilidade e na ausência de cirurgião.
A distinção crucial que a banca explora é entre o tamponamento cardíaco e o pneumotórax hipertensivo, que também cursa com hipotensão e distensão das veias jugulares. A diferença está nos sons cardíacos: no tamponamento, eles estão abafados (hipofonese); no pneumotórax hipertensivo, os sons cardíacos podem estar desviados (ictus desviado) e o murmúrio vesicular está diminuído ou ausente, com percussão hipertimpânica e traqueia desviada. No hemotórax maciço, as veias jugulares estão colapsadas (por hipovolemia), não distendidas. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Tamponamento cardíaco
1Tríade de Beck
Veias cervicais dilatadas
Hipotensão
Sons cardíacos abafados
2Diagnóstico
Clínico
POCUS/eFAST (janela subxifóidea)
3Manejo
Cirúrgico (toracotomia/esternotomia)
Pericardiocentese (temporário)
4Diagnóstico diferencial
Pneumotórax hipertensivo
Traqueia desviada
Murmúrio vesicular ausente
Percussão hipertimpânica
Hemotórax maciço
Veias jugulares colapsadas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O hemotórax maciço cursa com hipotensão e murmúrio vesicular diminuído, mas as veias jugulares estão colapsadas, não distendidas, pois o mecanismo predominante é a perda volêmica. A percussão é maciça e a traqueia permanece centrada. A tríade de Beck não se aplica a essa condição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pneumomediastino extenso pode causar enfisema subcutâneo e dor torácica, mas não cursa com a tríade clássica de Beck. A hipotensão e a distensão jugular não são características predominantes, e os sons cardíacos não costumam estar abafados por esse mecanismo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tríade descrita — veias cervicais dilatadas, hipotensão e sons cardíacos abafados — é a tríade de Beck, que é o achado clínico clássico do tamponamento cardíaco. A queda de altura é um mecanismo compatível com trauma torácico fechado, que pode levar a sangramento pericárdico e compressão cardíaca.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O pneumotórax hipertensivo também causa hipotensão e distensão das veias jugulares, mas os sons cardíacos não são o achado central — o que se observa é desvio da traqueia, murmúrio vesicular ausente e percussão hipertimpânica. A tríade de Beck é específica do tamponamento cardíaco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A embolia pulmonar pode causar hipotensão e distensão jugular em casos graves, mas não é uma consequência típica de trauma torácico fechado e não cursa com sons cardíacos abafados. O mecanismo de trauma e a tríade clássica apontam diretamente para o tamponamento cardíaco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tamponamento cardíaco e pneumotórax hipertensivo, ambos com hipotensão e distensão jugular. A diferença está nos sons cardíacos: no tamponamento, eles estão abafados; no pneumotórax hipertensivo, o achado típico é o desvio da traqueia e o murmúrio vesicular ausente. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪
Gabarito: letra C — tamponamento cardíaco, pela tríade de Beck.