Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727773
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 31 anos, feodérmica, procura o pronto atendimento com dor intensa no hálux direito, em decorrência de unha encravada. O dedo e o dorso do pé estavam inflamados, com saída de pus no local em que a unha estava encravada, no subcutâneo da parte lateral do dedo. Assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada nesse caso.
AAntibioticoterapia, analgesia e calor até a inflamação ceder; retirar a parte da unha encravada sob bloqueio anestésico apenas.
BAnalgesia, antibióticos e calor até melhorar; retirar a unha sob anestesia em torno do dedo com adrenalina para reduzir sangramento.
CCalor, analgesia e antibiótico até melhorar a inflamação; retirar a unha sob anestesia e uso de torniquete para reduzir sangramento.
DTratar a infecção com calor, antibióticos e analgésico; retirar toda a unha para evitar o risco de nova infecção por unha encravada.
ERetirada da unha sob anestesia local, uso de calor local, analgesia e antibióticos até sarar completamente a infecção.
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GabaritoA — Antibioticoterapia, analgesia e calor até a inflamação ceder; retirar a parte da unha encravada sob bloqueio anestésico apenas.
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Unha encravada (onicocriptose) com infecção: conduta no pronto atendimento
Gabarito: letra A. Na unha encravada com infecção local (paroníquia), a conduta adequada é tratar a inflamação com antibióticos, analgesia e calor até o processo infeccioso ceder, e só então retirar a parte da unha encravada sob bloqueio anestésico — sem o uso de adrenalina ou torniquete no dedo, que são contraindicados por risco de isquemia. A alternativa A é a única que combina corretamente o tratamento clínico inicial com a abordagem cirúrgica mínima e segura.
A onicocriptose, popularmente chamada de unha encravada, é a penetração da lâmina ungueal no tecido periungueal, causando dor, inflamação e, frequentemente, infecção secundária. Quando há sinais flogísticos — como no caso da paciente, que apresenta dor intensa, inflamação do dedo e dorso do pé e saída de pus — estamos diante de uma paroníquia aguda, que é a infecção das pregas ungueais. O manejo dessa condição no pronto atendimento segue uma lógica de duas etapas: primeiro, controlar o processo infeccioso e inflamatório; segundo, corrigir o fator mecânico (a espícula ungueal) que perpetua o problema.
A primeira etapa consiste em medidas clínicas: antibioticoterapia (geralmente com cobertura para estafilococos, como cefalexina ou amoxicilina-clavulanato), analgesia e calor local. O calor local tem papel importante por aumentar o fluxo sanguíneo na região, auxiliando na resolução do processo inflamatório e na drenagem espontânea do pus. Essa fase deve ser mantida até a inflamação ceder, o que pode levar alguns dias. A segunda etapa, a retirada da parte da unha encravada, só deve ser realizada após o controle da infecção aguda, pois a manipulação cirúrgica em tecido muito inflamado aumenta o risco de disseminação da infecção e de pior evolução.
O procedimento cirúrgico, quando indicado, consiste na ressecção da borda lateral da unha que está encravada, sob bloqueio anestésico local (bloqueio troncular do dedo). É fundamental que o anestésico local não contenha adrenalina (vasoconstritor), pois o dedo é um território vascular terminal — a vasoconstrição induzida pela adrenalina pode levar à isquemia e necrose digital. Da mesma forma, o uso de torniquete para reduzir sangramento é contraindicado nessa região, pelo mesmo risco de isquemia. A alternativa A é a única que respeita essas contraindicações, omitindo tanto a adrenalina quanto o torniquete.
A distinção crucial que separa as alternativas é exatamente essa: a conduta correta envolve tratar a infecção antes de operar e evitar vasoconstritores e torniquete no dedo. As alternativas B, C e E erram ao incluir adrenalina ou torniquete, e a alternativa D erra ao propor a retirada de toda a unha, um procedimento mais agressivo e desnecessário para o caso. Guarde esses dois critérios — eles são o filtro que decide a questão.
1Antibiótico + analgesia + calor
2Aguardar inflamação ceder
3Retirar parte encravada
4Bloqueio anestésico sem adrenalina
5Sem torniquete
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve exatamente a conduta adequada: antibioticoterapia, analgesia e calor até a inflamação ceder, e só então retirar a parte da unha encravada sob bloqueio anestésico. Ela acerta em três pontos fundamentais: (1) o tratamento clínico inicial da infecção antes da abordagem cirúrgica; (2) a retirada apenas da parte da unha encravada, e não da unha inteira; (3) o uso de bloqueio anestésico sem adrenalina e sem torniquete, respeitando a contraindicação de vasoconstritores em território digital.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está em "retirar a unha sob anestesia em torno do dedo com adrenalina para reduzir sangramento". A adrenalina é um vasoconstritor e seu uso em anestesia digital é contraindicado pelo risco de isquemia e necrose do dedo, que é um território vascular terminal. A alternativa repete o acerto da A no tratamento clínico inicial, mas falha justamente no ponto crítico da segurança anestésica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O erro está em "retirar a unha sob anestesia e uso de torniquete para reduzir sangramento". O torniquete no dedo, assim como a adrenalina, promove isquemia e é contraindicado nessa região. A alternativa acerta no tratamento clínico inicial, mas erra ao incluir o torniquete, que pode levar a complicações isquêmicas graves.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O erro está em "retirar toda a unha para evitar o risco de nova infecção por unha encravada". A retirada completa da unha é um procedimento excessivamente agressivo e desnecessário para o caso. A conduta adequada é a retirada apenas da parte da unha encravada (a borda lateral), preservando o restante da lâmina ungueal. A remoção total aumenta a morbidade e o tempo de recuperação, sem benefício adicional na prevenção de recidivas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O erro está na ordem das condutas: "Retirada da unha sob anestesia local, uso de calor local, analgesia e antibióticos até sarar completamente a infecção". A alternativa propõe a retirada da unha antes do controle da infecção, o que é inadequado. O correto é tratar a infecção com antibióticos, analgesia e calor primeiro, e só depois, com a inflamação controlada, realizar o procedimento cirúrgico. Além disso, a alternativa não menciona a contraindicação de adrenalina ou torniquete, mas o erro principal é a inversão da sequência terapêutica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas armadilhas clássicas neste tema. A primeira é a inversão da sequência: várias alternativas propõem retirar a unha antes de controlar a infecção, quando o correto é tratar a inflamação primeiro. A segunda é a inclusão de vasoconstritor ou torniquete no procedimento digital — a adrenalina e o torniquete são contraindicados no dedo pelo risco de isquemia, e o candidato desatento pode não perceber esse detalhe. Fique atento: a alternativa correta é sempre a que trata a infecção antes e evita esses artifícios.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de unha encravada com infecção, memorize o fluxo: tratar infecção (antibiótico + analgesia + calor) → esperar inflamação ceder → retirar apenas a parte encravada sob bloqueio anestésico sem adrenalina e sem torniquete. Se a alternativa trouxer "adrenalina", "torniquete" ou "retirada de toda a unha", elimine-a imediatamente. Esse padrão se repete em provas de cirurgia geral e emergências.