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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
qg727777
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 47 anos, leucodérmica, em controle médico de rotina e sem passado mórbido relevante ou uso de medicamentos, apresenta, ao exame clínico, mucosas hipocoradas e resultado positivo para sangue oculto nas fezes. Com base apenas nesses dados, assinale a alternativa que apresenta o(s) próximo(s) exame(s) que o médico deve solicitar segundo a sequência propedêutica.
  1. AEndoscopia e retocolonoscopia virtual.
  2. BEndoscopia e retocolonoscopia real.
  3. CRadiografia contrastada do tubo digestório.
  4. DTomografia contrastada do abdome total.
  5. ECintilografia de corpo inteiro com contraste.
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GabaritoB — Endoscopia e retocolonoscopia real.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sangue oculto nas fezes: sequência propedêutica na investigação de anemia

Gabarito: letra B. Diante de paciente com anemia (mucosas hipocoradas) e pesquisa de sangue oculto nas fezes positiva, a investigação propedêutica do trato gastrointestinal deve ser feita com endoscopia digestiva alta e retocolonoscopia (colonoscopia) reais — os exames de escolha para identificar a fonte do sangramento, conforme a sequência diagnóstica clássica. A alternativa B é a única que combina corretamente os dois métodos endoscópicos que permitem visualização direta, biópsia e tratamento da lesão.

O sangue oculto nas fezes é um marcador de sangramento gastrointestinal não visível macroscopicamente. Quando associado a anemia, indica perda crônica de sangue que precisa ser investigada. A sequência propedêutica clássica parte da hipótese diagnóstica baseada na história e no exame físico: como o sangramento pode ter origem alta (esôfago, estômago, duodeno) ou baixa (delgado, cólon, reto), a investigação deve contemplar ambos os segmentos. A endoscopia digestiva alta (EDA) avalia o trato gastrointestinal superior e a retocolonoscopia (colonoscopia) avalia o cólon e o reto — juntas, cobrem a quase totalidade das causas de sangramento oculto, incluindo úlceras pépticas, gastrites, pólipos e neoplasias colorretais.

A escolha desses exames se justifica porque são os únicos que permitem, além do diagnóstico visual direto da lesão, a coleta de biópsias e a terapêutica imediata (como polipectomia, coagulação ou ligadura elástica). Os exames de imagem — radiografia contrastada, tomografia e cintilografia — têm papel secundário ou específico: a cintilografia, por exemplo, é útil para detectar sangramentos intermitentes, mas não é o primeiro passo na investigação de sangue oculto com anemia. A tomografia contrastada do abdome pode auxiliar na avaliação de massas, mas não substitui a avaliação endoscópica da mucosa. A radiografia contrastada do tubo digestório (trânsito intestinal, enema opaco) tem sensibilidade inferior e não permite biópsia. A retocolonoscopia virtual (colonografia por TC) é um método de rastreamento que não permite biópsia nem tratamento, sendo indicada em situações específicas, não como primeira linha na investigação de sangramento oculto com anemia.

A pegadinha central desta questão está na distinção entre os exames endoscópicos "reais" e os métodos alternativos. A banca explora a confusão entre a colonoscopia virtual (que é um exame de imagem, sem capacidade de biópsia ou terapêutica) e a retocolonoscopia real (que é o exame endoscópico de escolha). Além disso, a alternativa A tenta induzir o candidato a trocar a retocolonoscopia real pela virtual, o que comprometeria a investigação. A sequência propedêutica correta, portanto, é a combinação de endoscopia digestiva alta e retocolonoscopia real, pois ambas são necessárias para cobrir todo o trato gastrointestinal e permitir intervenção terapêutica quando necessário.

Guarde a fronteira entre os exames endoscópicos (que visualizam diretamente a mucosa e permitem biópsia/tratamento) e os exames de imagem (que são indiretos e não permitem intervenção): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

  1. 1Endoscopia digestiva alta
  2. 2Retocolonoscopia real
  3. 3Biópsia e terapêutica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao substituir a retocolonoscopia real pela virtual. A colonoscopia virtual (colonografia por tomografia computadorizada) é um método de imagem que não permite biópsia nem tratamento endoscópico — apenas visualização indireta do cólon. Na investigação de sangue oculto com anemia, a retocolonoscopia real é obrigatória, pois permite identificar a lesão, coletar material para biópsia e realizar polipectomia ou outras terapêuticas. A endoscopia digestiva alta está correta, mas a troca da colonoscopia real pela virtual compromete a propedêutica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de endoscopia digestiva alta e retocolonoscopia real é a sequência propedêutica correta para investigar sangue oculto nas fezes com anemia. A EDA avalia o trato gastrointestinal superior (esôfago, estômago, duodeno) e a retocolonoscopia avalia o cólon e o reto — juntas, cobrem as causas mais frequentes de sangramento oculto, como úlceras, gastrites, pólipos e neoplasias. Ambos os exames permitem visualização direta da mucosa, biópsia e tratamento imediato, sendo os métodos de escolha na investigação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radiografia contrastada do tubo digestório (trânsito intestinal, enema opaco) tem sensibilidade muito inferior à endoscopia para detectar lesões mucosas planas, pólipos pequenos e angiodisplasias. Além disso, não permite biópsia nem terapêutica. Na investigação de sangue oculto com anemia, esse exame não é o primeiro passo — a endoscopia é superior em acurácia diagnóstica e capacidade de intervenção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A tomografia contrastada do abdome total é útil para avaliar massas, coleções e outras alterações estruturais, mas não é o exame de escolha para investigar sangramento oculto na mucosa gastrointestinal. Lesões planas, úlceras superficiais e angiodisplasias podem não ser visíveis na tomografia. Além disso, não permite biópsia nem tratamento endoscópico. A investigação propedêutica do sangue oculto com anemia é endoscópica, não tomográfica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cintilografia de corpo inteiro com contraste (na verdade, cintilografia com hemácias marcadas com tecnécio-99m) é um método não invasivo que detecta sangramentos intermitentes, mas tem papel específico em casos de hemorragia de origem obscura, não como primeiro exame na investigação de sangue oculto com anemia. Sua sensibilidade é alta para sangramentos ativos, mas não permite identificar a causa anatômica da lesão nem realizar tratamento. A sequência propedêutica correta começa com endoscopia, não com cintilografia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a retocolonoscopia real (endoscópica, com biópsia e terapêutica) e a retocolonoscopia virtual (colonografia por TC, apenas imagem). Na alternativa A, a endoscopia alta está correta, mas a troca da colonoscopia real pela virtual compromete a investigação — o candidato que não domina essa distinção cai na armadilha. Lembre-se: sangue oculto com anemia exige visualização direta da mucosa e possibilidade de intervenção, o que só os exames endoscópicos reais oferecem.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão pedir a "sequência propedêutica" para sangue oculto nas fezes, procure a alternativa que combina endoscopia digestiva alta + retocolonoscopia real. Desconfie de qualquer substituição por exames de imagem (virtual, tomografia, radiografia, cintilografia) — eles são complementares ou específicos, nunca a primeira escolha. Grave a regra: sangramento gastrointestinal oculto = investigação endoscópica dos dois segmentos.

Gabarito: letra B

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