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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg727788
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Oncológica
O cuidado ao paciente oncológico cirúrgico exige integração entre competências técnicas e humanísticas. Considerando as diretrizes atuais sobre navegação de pacientes, funcionamento de Tumor Boards e comunicação de más notícias, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.I. A estratégia de navegação de pacientes envolve apoio à logística assistencial e também ações de educação, esclarecimento sobre etapas do tratamento e redução de barreiras que possam aumentar ansiedade ou atrasar terapias.II. Estudos indicam que a discussão de casos em Tumor Boards pode modificar estadiamento ou plano terapêutico em parcela relevante de pacientes, com repercussão positiva sobre os desfechos clínicos.III. No protocolo SPIKES, a condução da conversa inclui empatia, escuta ativa e pausas intencionais, permitindo que o paciente processe a informação e manifeste suas dúvidas.IV. Na decisão compartilhada, a autonomia do paciente é respeitada quando há capacidade cognitiva preservada e adequada compreensão dos riscos e benefícios, mesmo diante de recusa a procedimentos.
  1. AApenas I e II.
  2. BApenas II e IV.
  3. CApenas I, III e IV.
  4. DApenas III e IV.
  5. EI, II, III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II, III e IV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidado oncológico cirúrgico: navegação, Tumor Boards e comunicação de más notícias

Gabarito: letra E. Todas as quatro assertivas estão corretas: a navegação de pacientes integra logística e educação; os Tumor Boards alteram estadiamento/plano terapêutico em parcela relevante; o protocolo SPIKES estrutura a comunicação com empatia e escuta ativa; e a decisão compartilhada respeita a autonomia do paciente com capacidade cognitiva preservada, mesmo diante de recusa. A questão cobra conceitos consolidados em diretrizes de oncologia e ética médica, sem exigir literalidade de dispositivo legal específico.

A navegação de pacientes é uma estratégia que vai muito além do agendamento de consultas. O navegador atua como elo entre o paciente e a rede de cuidados, identificando barreiras — financeiras, geográficas, comunicacionais, emocionais — que possam atrasar o diagnóstico ou o tratamento. Além da logística assistencial (marcação de exames, transporte, interconsulta), o navegador educa o paciente sobre a doença e as etapas do tratamento, esclarece dúvidas e oferece suporte emocional, reduzindo a ansiedade e melhorando a adesão. Essa atuação é reconhecida por entidades como a American Cancer Society e a Commission on Cancer, que recomendam a navegação como componente essencial do cuidado oncológico de qualidade.

Os Tumor Boards (ou reuniões de discussão de casos) são fóruns multidisciplinares em que cirurgiões, oncologistas clínicos, radioterapeutas, patologistas, radiologistas e outros especialistas discutem casos complexos. Estudos demonstram que essa discussão modifica o estadiamento ou o plano terapêutico em uma parcela relevante dos pacientes — frequentemente entre 10% e 30% dos casos —, com impacto positivo nos desfechos, como maior sobrevida e melhor qualidade do tratamento. A recomendação é que casos de câncer, especialmente os de maior complexidade, sejam apresentados ao Tumor Board antes da definição terapêutica.

O protocolo SPIKES é um método estruturado para comunicação de más notícias, amplamente adotado. A sigla resume seis etapas: Setting up (preparar o ambiente), Perception (avaliar a percepção do paciente), Invitation (obter convite para compartilhar a informação), Knowledge (fornecer a informação), Emotions (responder às emoções com empatia) e Strategy/Summary (planejar os próximos passos). A condução adequada inclui empatia, escuta ativa, pausas intencionais e respeito ao silêncio, permitindo que o paciente processe a informação e manifeste dúvidas. O contexto clínico apresentado reforça a importância de ouvir antes de falar e respeitar as pausas.

A decisão compartilhada é um modelo de tomada de decisão em que médico e paciente dialogam sobre as opções, considerando evidências científicas e preferências do paciente. O respeito à autonomia do paciente é um princípio ético fundamental: quando há capacidade cognitiva preservada e compreensão adequada dos riscos e benefícios, o paciente tem o direito de recusar procedimentos, mesmo que a recusa pareça contrária ao melhor interesse clínico. Essa recusa deve ser documentada e o paciente deve ser informado das consequências, mas a decisão final, nesse cenário, é do paciente. O Código de Ética Médica e a bioética principialista (autonomia, beneficência, não maleficência e justiça) sustentam essa posição.

A pegadinha desta questão é justamente a ausência de uma assertiva falsa: todas as afirmativas estão corretas, e o candidato pode hesitar ao ver a alternativa E (todas corretas), por desconfiar de que alguma assertiva contenha um erro sutil. A banca testa o conhecimento consolidado sobre o tema, sem inverter conceitos. O critério decisivo é reconhecer que cada assertiva descreve corretamente uma prática recomendada: navegação (logística + educação), Tumor Boards (mudança de conduta), SPIKES (empatia e escuta) e decisão compartilhada (autonomia com capacidade preservada).

1Navegação de pacientes
Logística assistencial
Educação e esclarecimento
Redução de barreiras
2Tumor Boards
Discussão multidisciplinar
Altera estadiamento/plano
Impacto positivo nos desfechos
3Comunicação de más notícias (SPIKES)
Empatia
Escuta ativa
Pausas intencionais
4Decisão compartilhada
Autonomia do paciente
Capacidade cognitiva preservada
Respeito à recusa
Cuidado oncológico cirúrgico
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Cuidado oncológico cirúrgico: Navegação de pacientes (Logística assistencial, Educação e esclarecimento, Redução de barreiras); Tumor Boards (Discussão multidisciplinar, Altera estadiamento/plano, Impacto positivo nos desfechos); Comunicação de más notícias (SPIKES) (Empatia, Escuta ativa, Pausas intencionais); Decisão compartilhada (Autonomia do paciente, Capacidade cognitiva preservada, Respeito à recusa)

Item I — ✅ Correto

A assertiva descreve com precisão a navegação de pacientes: apoio à logística assistencial, educação, esclarecimento sobre etapas do tratamento e redução de barreiras que aumentam ansiedade ou atrasam terapias. Essa é a definição amplamente aceita do papel do navegador, que atua como facilitador do percurso do paciente no sistema de saúde.

Item II — ✅ Correto

A literatura mostra que a discussão em Tumor Boards altera estadiamento ou plano terapêutico em parcela relevante dos casos, com impacto positivo nos desfechos. Estudos como os de Pawlik et al. e de coortes de hospitais com Tumor Boards ativos demonstram mudança de conduta em percentuais expressivos, reforçando a recomendação de discussão multidisciplinar antes da terapêutica.

Item III — ✅ Correto

O protocolo SPIKES, conforme descrito, inclui empatia, escuta ativa e pausas intencionais. A etapa "Emotions" orienta a responder às emoções do paciente com empatia, e a etapa "Perception" recomenda ouvir antes de falar e respeitar pausas e silêncios. A assertiva espelha fielmente a condução recomendada.

Item IV — ✅ Correto

A decisão compartilhada respeita a autonomia do paciente quando há capacidade cognitiva preservada e compreensão adequada dos riscos e benefícios. A recusa a procedimentos, nesse contexto, deve ser respeitada, mesmo que o médico discorde — desde que o paciente tenha sido devidamente informado. Esse é o princípio da autonomia na bioética.

Conclusão: todos os itens (I, II, III e IV) estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E.

Gabarito: letra E

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