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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg727802
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Oncológica
Uma paciente de 58 anos, obesa (IMC 38 kg/m²) e diabética (DM2 mal controlado), foi submetida a uma retossigmoidectomia videolaparoscópica por adenocarcinoma de cólon sigmoide cT2NxM0. No 8º dia de pós-operatório (DPO), após alta hospitalar no 5º DPO, retorna ao pronto-socorro com febre (38,7 °C) e dor abdominal persistente em fossa ilíaca esquerda. Refere ausência de eliminação de flatos e vômitos em dois episódios nas últimas 12 horas. Ao exame: PA 110×70 mmHg; FC 101 bpm; FR 18 ipm; consciente e orientada. Laboratorialmente: leucocitose (19.500/mm³) com desvio à esquerda e PCR 250 mg/L. Diante da suspeita de deiscência de anastomose bloqueada com abscesso pélvico, a sequência de manejo prioritária e mais adequada é
  1. Aindicar laparotomia exploradora para lavagem da cavidade e confecção de colostomia, sem exames de imagem prévios.
  2. Bniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobrindo Gram-negativos e anaeróbios) e solicitar Tomografia Computadorizada (TC) de abdômen e pelve com contraste.
  3. Ccoletar hemoculturas e manter a paciente em observação clínica e hidratação, reavaliando antibióticos após 24 horas.
  4. Dsolicitar colonoscopia de urgência para avaliação direta da anastomose colorretal e possível clipagem da deiscência.
  5. Emanter o antibiótico profilático (Cefazolina) prescrito na alta hospitalar e solicitar apenas ultrassonografia de abdome total.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — niciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobrindo Gram-negativos e anaeróbios) e solicitar Tomografia Computadorizada (TC) de abdômen e pelve com contraste.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deiscência de anastomose colorretal: manejo inicial

Gabarito: letra B. Diante da suspeita de deiscência de anastomose bloqueada com abscesso pélvico, a conduta prioritária é iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobrindo Gram-negativos e anaeróbios) e solicitar Tomografia Computadorizada (TC) de abdômen e pelve com contraste — a TC é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico e guiar a conduta, e a antibioticoterapia precoce é essencial no controle da sepse de foco abdominal.

A deiscência de anastomose é uma das complicações mais temidas da cirurgia colorretal, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade, diabetes mal controlado e cirurgia de urgência. Ela ocorre quando a linha de sutura ou grampeamento não cicatriza adequadamente, permitindo o extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal. Quando esse extravasamento é contido por estruturas adjacentes (epíplon, alças intestinais, parede pélvica), forma-se um abscesso — é o que chamamos de deiscência bloqueada. O quadro clínico clássico é o que a paciente apresenta: febre, dor abdominal, íleo (ausência de flatos e vômitos), leucocitose com desvio à esquerda e PCR elevada, surgindo tipicamente entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório.

O manejo dessa complicação segue uma lógica sequencial: primeiro, estabilizar o paciente e iniciar o tratamento clínico (antibioticoterapia empírica de amplo espectro, hidratação, suporte); segundo, confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do problema com exame de imagem — e a TC com contraste é o padrão-ouro, pois permite identificar o abscesso, sua localização, tamanho e relação com a anastomose, além de guiar uma possível drenagem percutânea. A laparotomia exploradora imediata, sem exames de imagem, é reservada para casos de peritonite generalizada ou instabilidade hemodinâmica — situações em que não há tempo para investigação. No caso descrito, a paciente está estável (PA 110×70, FC 101), sem sinais de peritonite difusa, o que permite a abordagem inicial com imagem e antibióticos.

A colonoscopia de urgência é contraindicada nesse cenário: além do risco de perfuração, a insuflação de ar pode romper o bloqueio e transformar um abscesso contido em peritonite generalizada. A ultrassonografia, por sua vez, tem baixa sensibilidade para avaliar anastomoses colorretais baixas e abscessos pélvicos, sendo inferior à TC. E manter apenas o antibiótico profilático (Cefazolina) é insuficiente, pois a profilaxia cobre apenas a flora da pele e não trata infecção estabelecida — a paciente já apresenta sinais claros de infecção, exigindo antibioticoterapia terapêutica de amplo espectro.

A sequência correta, portanto, é: antibioticoterapia empírica + TC de abdome e pelve com contraste. A TC não só confirma o diagnóstico, mas também define a melhor estratégia: se o abscesso for drenável por via percutânea, pode-se evitar uma reintervenção cirúrgica; se não for, a cirurgia será indicada de forma mais planejada. Essa abordagem reduz a morbidade e melhora os desfechos, sendo o consenso na literatura cirúrgica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "deiscência de anastomose" e "cirurgia imediata". Mas a deiscência bloqueada, com abscesso e paciente estável, é tratada inicialmente de forma conservadora: antibióticos + TC para guiar a conduta. A laparotomia imediata só é indicada em peritonite generalizada ou instabilidade hemodinâmica — que não é o caso da paciente.

  1. 1Antibioticoterapia empírica de amplo espectro
  2. 2TC abdome/pelve com contraste
  3. 3Drenagem percutânea ou cirurgia planejada
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Indicar laparotomia exploradora imediata, sem exames de imagem, é conduta precipitada. A paciente está hemodinamicamente estável e sem sinais de peritonite generalizada — o que sugere deiscência bloqueada, não deiscência livre com contaminação difusa. Nesse cenário, a TC prévia é fundamental para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão do abscesso e planejar a melhor abordagem (drenagem percutânea vs. cirurgia). Operar sem imagem pode levar a uma laparotomia desnecessária ou a uma abordagem inadequada, aumentando a morbidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta e prioritária. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobrindo Gram-negativos e anaeróbios) deve ser iniciada imediatamente, pois há sinais claros de infecção (febre, leucocitose, PCR elevada). A TC de abdômen e pelve com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar a deiscência bloqueada, identificar o abscesso e guiar a conduta — seja drenagem percutânea, seja planejamento cirúrgico. Essa sequência (antibióticos + TC) é o padrão-ouro no manejo inicial dessa complicação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Coletar hemoculturas e manter apenas observação clínica, reavaliando antibióticos após 24 horas, é conduta inadequada. A paciente apresenta sinais claros de sepse de foco abdominal (febre, taquicardia, leucocitose com desvio, PCR 250) e não pode ficar sem antibioticoterapia por 24 horas. As hemoculturas devem ser coletadas, mas o antibiótico empírico deve ser iniciado imediatamente — não se espera o resultado para começar o tratamento. A demora aumenta o risco de progressão para sepse grave e choque séptico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A colonoscopia de urgência é contraindicada na suspeita de deiscência de anastomose. A insuflação de ar durante o exame pode romper o bloqueio do abscesso, transformando uma deiscência contida em peritonite generalizada — uma complicação gravíssima. Além disso, a colonoscopia não permite avaliar adequadamente a cavidade peritoneal nem drenar abscessos. O exame de escolha é a TC com contraste, que é não invasiva e fornece todas as informações necessárias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter apenas o antibiótico profilático (Cefazolina) é totalmente inadequado. A profilaxia antibiótica é utilizada apenas no perioperatório para prevenir infecção de sítio cirúrgico — não trata infecção já estabelecida. A Cefazolina cobre principalmente cocos Gram-positivos e alguns Gram-negativos, mas não tem cobertura adequada para anaeróbios, que são os principais agentes nas infecções colorretais. Além disso, solicitar apenas ultrassonografia é insuficiente: a US tem baixa sensibilidade para avaliar anastomoses baixas e abscessos pélvicos, sendo a TC o exame de escolha.

Gabarito: letra B

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