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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727812
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Oncológica
Mulher de 68 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão metastático (pulmão, fígado e ossos), está em acompanhamento domiciliar pela equipe de Cuidados Paliativos exclusivos, com status de performance ECOG 4. Na última semana, evoluiu com piora acentuada da dispneia, referindo “fome de ar” constante, mesmo em repouso. Ao exame, encontra-se ansiosa, taquipneica (FR 28 irpm), com uso de musculatura acessória, estando a saturação de oxigênio em ar ambiente em 91%. A medida de primeira linha para o alívio da dispneia refratária nessa fase de fim de vida é
  1. Ainiciar morfina em dose baixa (ex: 2,5 mg via oral ou 1–2 mg subcutâneo) e titular conforme a resposta clínica.
  2. Badministrar oxigênio suplementar via cateter nasal de alto fluxo com o objetivo de manter a SatO₂ > 96%.
  3. Ciniciar Ventilação Não Invasiva (VNI) contínua para reduzir o trabalho respiratório e evitar a fadiga.
  4. Dadministrar midazolam subcutâneo em altas doses como terapia primária para sedação paliativa.
  5. Eencaminhar ao pronto-socorro para intubação orotraqueal e admissão em UTI.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — iniciar morfina em dose baixa (ex: 2,5 mg via oral ou 1–2 mg subcutâneo) e titular conforme a resposta clínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dispneia refratária em cuidados paliativos exclusivos

Gabarito: letra A. Em paciente com câncer avançado em cuidados paliativos exclusivos (ECOG 4), a dispneia refratária é manejada prioritariamente com opioides em dose baixa, titulados conforme a resposta clínica — a morfina é a primeira linha, pois reduz a sensação de "fome de ar" ao modular a percepção central da dispneia, sem visar à correção da hipoxemia. Oxigênio, VNI, sedação primária e intubação não são medidas de primeira linha nesse cenário de fim de vida.

A dispneia é definida como uma sensação subjetiva de falta de ar, sendo um dos sintomas mais prevalentes e angustiantes em pacientes terminais — especialmente na última semana de vida, quando acomete 70 a 90% dos casos de neoplasia pulmonar. No contexto de cuidados paliativos exclusivos, o objetivo terapêutico deixa de ser a correção da causa ou a normalização de parâmetros objetivos (como a saturação de oxigênio) e passa a ser o alívio do sofrimento e o conforto do paciente. Por isso, a abordagem da dispneia refratária se baseia em medidas farmacológicas e não farmacológicas que atuam sobre a percepção do sintoma, e não apenas sobre a fisiopatologia subjacente.

A morfina é o opioide de escolha para a dispneia refratária. Seu mecanismo de ação envolve a redução da resposta central ao estímulo respiratório, diminuindo a sensação de falta de ar e a ansiedade associada, sem necessariamente alterar a saturação de oxigênio. Em pacientes sem uso prévio de opioides, a dose inicial recomendada é baixa — por exemplo, 2,5 mg via oral ou 1–2 mg subcutâneo — com titulação progressiva conforme a resposta clínica e os efeitos adversos. Essa estratégia é segura e eficaz, mesmo em pacientes com hipoxemia leve (SatO₂ 91%), pois o benefício sintomático supera o risco de depressão respiratória clinicamente relevante quando a dose é titulada com cautela.

É importante distinguir a dispneia refratária da insuficiência respiratória aguda que exige intervenção emergencial. No paciente em cuidados paliativos exclusivos, com doença metastática avançada e ECOG 4, medidas invasivas como intubação orotraqueal e admissão em UTI são contraindicadas por não se alinharem aos objetivos de conforto e dignidade. Da mesma forma, a ventilação não invasiva (VNI) e o oxigênio suplementar em altas doses podem ser utilizados como adjuvantes em situações específicas, mas não constituem a medida de primeira linha para o alívio da dispneia refratária — o oxigênio, por exemplo, só é indicado quando há hipoxemia significativa (SatO₂ < 90%) e o paciente refere alívio com seu uso, não como rotina para manter SatO₂ > 96%.

A sedação paliativa com midazolam é reservada para casos de sintomas refratários a todas as outras medidas, quando o sofrimento é incontrolável e o paciente está nas últimas horas ou dias de vida. Não é a terapia primária para dispneia, mas sim um recurso de última linha, utilizado quando a morfina e outras medidas não proporcionam alívio adequado. A distinção crucial é: opioide = primeira linha para dispneia; sedativo = adjuvante ou última linha para sintomas refratários.

A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato pode confundir a dispneia refratária com uma emergência respiratória e optar por medidas invasivas (VNI, intubação) ou por oxigênio em altas doses, quando a conduta correta em cuidados paliativos exclusivos é o uso de opioides titulados. Guarde o princípio: em fim de vida, o alívio do sintoma é o objetivo — e a morfina é a ferramenta de primeira linha para a dispneia.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A morfina em dose baixa (2,5 mg VO ou 1–2 mg SC) com titulação conforme a resposta clínica é a medida de primeira linha para o alívio da dispneia refratária em cuidados paliativos. O opioide atua reduzindo a percepção central da falta de ar, aliviando o desconforto e a ansiedade associada, sem visar à correção da hipoxemia. Essa conduta é segura e eficaz mesmo com SatO₂ 91%, pois o benefício sintomático supera o risco de depressão respiratória quando a dose é titulada com cautela.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O oxigênio suplementar não é a medida de primeira linha para dispneia refratária em fim de vida. Embora possa ser utilizado como adjuvante em casos de hipoxemia significativa (SatO₂ < 90%) e quando o paciente refere alívio com seu uso, não se deve administrá-lo rotineiramente com o objetivo de manter SatO₂ > 96% — a dispneia é um sintoma subjetivo que não se correlaciona diretamente com a oximetria, e a correção agressiva da saturação não é o objetivo em cuidados paliativos exclusivos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ventilação não invasiva (VNI) contínua não é a medida de primeira linha para dispneia refratária em paciente com ECOG 4 em cuidados paliativos exclusivos. A VNI é uma intervenção que visa reduzir o trabalho respiratório e evitar a fadiga muscular, mas é mais apropriada para insuficiência respiratória aguda reversível — não para o manejo do desconforto no fim de vida, onde o foco é o conforto e não a correção de parâmetros ventilatórios.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O midazolam subcutâneo em altas doses como terapia primária é inadequado. A sedação paliativa com benzodiazepínicos é reservada para sintomas refratários a todas as outras medidas, quando o sofrimento é incontrolável — não é a primeira linha para dispneia. O opioide (morfina) é o tratamento inicial; o midazolam pode ser adicionado como adjuvante para ansiedade ou como parte da sedação paliativa em casos extremos, mas nunca como terapia primária.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Encaminhar ao pronto-socorro para intubação orotraqueal e admissão em UTI é contraindicado em paciente com doença metastática avançada em cuidados paliativos exclusivos (ECOG 4). Medidas invasivas de suporte de vida não se alinham aos objetivos de conforto e dignidade no fim de vida, e a intubação seria fútil e potencialmente causadora de sofrimento adicional. A conduta correta é o manejo paliativo do sintoma no domicílio.

Gabarito: letra A

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