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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg727814
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Oncológica
Mulher de 64 anos, previamente hígida, procura atendimento por tenesmo e episódios de enterorragia há 3 meses. Sua colonoscopia revela lesão ulcerada e estenosante em reto baixo, a 4 cm da margem anal, e a biópsia confirma adenocarcinoma. O estadiamento por Ressonância Magnética de Pelve demonstra: lesão T3 (invadindo a gordura mesorretal em 6 mm) e múltiplos linfonodos mesorretais suspeitos (N2), com distância de 1 mm da fáscia mesorretal (fáscia ameaçada), sem metástases à distância. A paciente possui status de performance (ECOG 0). Considerando o estadiamento e as diretrizes atuais para câncer de reto localmente avançado, nesse caso, a sequência terapêutica inicial mais adequada é
  1. Aquimiorradioterapia neoadjuvante padrão (long-course) seguida de cirurgia (Ressecção Total do Mesorreto) e, posteriormente, quimioterapia adjuvante (FOLFOX/CAPOX).
  2. Bcirurgia radical imediata (Amputação Abdominoperineal) devido à localização baixa e ao status N2, seguida de quimioterapia adjuvante.
  3. Ciniciar Terapia Neoadjuvante Total (TNT), com quimioterapia de indução (ex: FOLFOX) seguida de quimiorradioterapia, visando ao “downstaging” máximo antes da reavaliação cirúrgica.
  4. Dradioterapia de curta duração (5x5 Gy) seguida imediatamente pela cirurgia de ressecção total do mesorreto.
  5. Eobservação vigilante (“Watch and Wait”), reservando a cirurgia apenas em caso de progressão dos sintomas de tenesmo.
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GabaritoC — iniciar Terapia Neoadjuvante Total (TNT), com quimioterapia de indução (ex: FOLFOX) seguida de quimiorradioterapia, visando ao “downstaging” máximo antes da reavaliação cirúrgica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de reto localmente avançado: Terapia Neoadjuvante Total (TNT)

Gabarito: letra C. Para adenocarcinoma de reto baixo localmente avançado (T3 com fáscia mesorretal ameaçada e N2), as diretrizes atuais recomendam a Terapia Neoadjuvante Total (TNT), que consiste em quimioterapia de indução (ex.: FOLFOX) seguida de quimiorradioterapia, antes da reavaliação cirúrgica. Essa estratégia visa maximizar o downstaging, aumentar as taxas de resposta patológica completa e melhorar o controle local e sistêmico, sendo preferível à quimiorradioterapia isolada ou à cirurgia imediata nesse cenário de alto risco.

A Terapia Neoadjuvante Total (TNT) representa uma evolução no tratamento do câncer de reto localmente avançado. O conceito central é administrar toda a quimioterapia sistêmica planejada antes da cirurgia, em vez de dividi-la entre os períodos neoadjuvante e adjuvante. Isso é particularmente vantajoso porque a quimioterapia adjuvante pós-operatória frequentemente não é concluída ou é atrasada devido à morbidade cirúrgica, comprometendo o tratamento sistêmico de doença micrometastática. Ao antecipar a quimioterapia, a TNT garante maior adesão e intensidade de dose, além de potencializar o efeito de redução tumoral (downstaging) quando combinada à quimiorradioterapia.

No caso apresentado, a paciente tem um tumor de reto baixo (a 4 cm da margem anal), T3 com invasão da gordura mesorretal, linfonodos mesorretais suspeitos (N2) e, crucialmente, fáscia mesorretal ameaçada (distância de 1 mm). A fáscia mesorretal é a margem circunferencial de ressecção (CRM) potencial; quando o tumor está a menos de 1 mm dela, o risco de margem comprometida na cirurgia é alto, o que aumenta drasticamente a recorrência local. A TNT, ao promover máximo downstaging, aumenta a probabilidade de uma ressecção R0 (margens livres) e, em alguns casos, até permite cirurgia menos radical ou mesmo a estratégia de observação vigilante em respondedores completos.

A escolha entre TNT e quimiorradioterapia neoadjuvante isolada (long-course) depende de fatores de risco. Para tumores com características de bom prognóstico (T3 superficial, fáscia não ameaçada, N1), a quimiorradioterapia seguida de cirurgia e quimioterapia adjuvante ainda é uma opção válida. No entanto, para tumores de alto risco — como o desta paciente, com fáscia ameaçada e N2 — a TNT é a abordagem preferida, pois oferece maior chance de resposta completa e melhor controle da doença sistêmica. A radioterapia de curta duração (5x5 Gy) é uma alternativa para tumores sem fatores de risco de recidiva local, mas não é a primeira escolha quando se busca máximo downstaging em tumor de reto baixo com fáscia ameaçada. A cirurgia imediata, por sua vez, seria inadequada dado o alto risco de margem comprometida. A observação vigilante, sem tratamento neoadjuvante, não se aplica a um tumor localmente avançado sintomático.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre a abordagem clássica (quimiorradioterapia neoadjuvante + cirurgia + quimioterapia adjuvante) e a TNT. A banca explora o conhecimento atualizado das diretrizes, que priorizam a TNT em tumores de alto risco. O candidato que memorizou o esquema tradicional pode marcar a alternativa A, mas a presença de fáscia ameaçada e N2 é o gatilho para a estratégia mais agressiva e moderna. Guarde o critério: tumor de reto baixo com fáscia mesorretal ameaçada ou linfonodos positivos volumosos → TNT.

  1. 1Quimioterapia de indução (FOLFOX)
  2. 2Quimiorradioterapia (long-course)
  3. 3Reavaliação cirúrgica
  4. 4Cirurgia (RTM)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A quimiorradioterapia neoadjuvante (long-course) seguida de cirurgia e quimioterapia adjuvante é uma opção válida para tumores de reto localmente avançado, mas não é a sequência inicial mais adequada para este caso específico. A paciente apresenta fatores de alto risco (fáscia mesorretal ameaçada a 1 mm e N2), nos quais a TNT demonstrou superioridade em termos de resposta patológica completa e controle da doença. A alternativa ignora a necessidade de maximizar o downstaging antes da cirurgia, que é o objetivo da TNT.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cirurgia radical imediata (Amputação Abdominoperineal) é contraindicada como primeira abordagem neste cenário. O tumor T3 com fáscia mesorretal ameaçada tem alto risco de margem circunferencial comprometida se operado de imediato, o que comprometeria o controle local. Além disso, a presença de linfonodos N2 indica doença localmente avançada que se beneficia de tratamento neoadjuvante para reduzir o risco de recidiva. A cirurgia imediata só seria considerada em tumores iniciais (T1-T2, N0) ou em situações de emergência (obstrução, perfuração, sangramento incontrolável), o que não é o caso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Terapia Neoadjuvante Total (TNT) é a sequência terapêutica inicial mais adequada para este caso. A estratégia consiste em administrar quimioterapia de indução (ex.: FOLFOX ou CAPOX) seguida de quimiorradioterapia (long-course), antes da reavaliação cirúrgica. Essa abordagem é preferida para tumores de reto localmente avançado com fatores de alto risco, como fáscia mesorretal ameaçada (distância < 1 mm) e linfonodos positivos (N2), pois maximiza o downstaging, aumenta a taxa de resposta patológica completa e melhora o controle local e sistêmico. A paciente, com ECOG 0, é candidata ideal a essa estratégia mais intensiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A radioterapia de curta duração (5x5 Gy) seguida imediatamente de cirurgia é uma opção para tumores de reto localmente avançado, mas não é a mais adequada quando o objetivo é máximo downstaging em tumor de reto baixo com fáscia ameaçada. A radioterapia de curta duração é mais eficaz para controle local em tumores sem fatores de alto risco de recidiva, mas oferece menos tempo para regressão tumoral antes da cirurgia. Para tumores de reto baixo com intenção de preservação esfincteriana ou com fáscia ameaçada, o curso longo (quimiorradioterapia) ou a TNT são preferíveis, pois permitem maior redução tumoral.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A observação vigilante ("Watch and Wait") é uma estratégia reservada para pacientes que alcançam resposta clínica completa após tratamento neoadjuvante (quimiorradioterapia ou TNT), não como abordagem inicial. Neste caso, a paciente tem tumor localmente avançado sintomático (tenesmo e enterorragia) e não recebeu nenhum tratamento neoadjuvante. A observação vigilante sem tratamento seria inadequada, pois o tumor tem alto risco de progressão e a cirurgia curativa seria adiada, comprometendo o prognóstico. A estratégia "Watch and Wait" só é considerada após reavaliação criteriosa da resposta ao tratamento neoadjuvante, com exames de imagem e endoscopia seriados.

Gabarito: letra C

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