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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727815
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Oncológica
Paciente masculino, 66 anos, tabagista pesado, diagnosticado com carcinoma espinocelular de esôfago superior, considerado irressecável, foi submetido à radioquimioterapia, mas evoluiu com progressão da doença. Atualmente, queixa-se de tosse intensa imediatamente após a deglutição (inclusive de saliva) e episódios de febre e dispneia. A investigação radiológica e endoscópica confirmou a presença de uma fístula traqueoesofágica maligna de 1,5 cm, além de estenose tumoral significativa. Foi indicada, então, a passagem de uma prótese metálica autoexpansível e totalmente coberta. Nesse contexto, qual é a indicação prioritária para o uso dessa prótese?
  1. AGarantir a perviedade da via aérea, tratando a compressão traqueal extrínseca.
  2. BAliviar a disfagia obstrutiva, permitindo a retomada da nutrição oral plena.
  3. CCriar um trajeto para a realização de braquiterapia endoluminal paliativa.
  4. DSelar a comunicação anômala (fístula), prevenindo a pneumonia aspirativa recorrente.
  5. EPromover a hemostasia local da lesão tumoral friável e sangrante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Selar a comunicação anômala (fístula), prevenindo a pneumonia aspirativa recorrente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fístula traqueoesofágica maligna e prótese esofágica autoexpansível

Gabarito: letra D. A indicação prioritária da prótese metálica autoexpansível totalmente coberta, neste caso, é selar a fístula traqueoesofágica, prevenindo a pneumonia aspirativa recorrente — o paciente apresenta tosse imediatamente após a deglutição (inclusive de saliva), febre e dispneia, quadro clássico de comunicação anômala entre esôfago e via aérea. A prótese coberta é especificamente desenhada para ocluir a comunicação, enquanto as demais alternativas representam outras indicações possíveis das próteses esofágicas, mas não a prioridade diante do quadro apresentado.

A fístula traqueoesofágica maligna é uma complicação grave do carcinoma esofágico avançado, especialmente do terço superior, onde o tumor invade diretamente a traqueia ou brônquios. A comunicação anômala permite a passagem de saliva, alimentos e secreções para a via aérea, causando tosse paroxística à deglutição, pneumonias aspirativas de repetição, febre e, eventualmente, insuficiência respiratória. Sem tratamento, a mortalidade é altíssima, geralmente por sepse pulmonar.

O tratamento paliativo de escolha para fístulas traqueoesofágicas malignas é a colocação endoscópica de uma prótese esofágica totalmente coberta (stent metálico autoexpansível coberto). O revestimento completo é essencial: a cobertura de silicone ou poliuretano impede que o conteúdo esofágico atravesse a malha metálica e alcance a via aérea, funcionando como uma "parede" que sela a comunicação. Próteses parcialmente cobertas ou descobertas não são adequadas para fístulas, pois o tecido tumoral pode crescer através da malha e perpetuar o vazamento.

Na prática, o procedimento é realizado por endoscopia digestiva alta, com o stent posicionado de modo a cobrir completamente o orifício fistuloso, geralmente com margem de segurança de 2 cm acima e abaixo. O paciente pode retomar a alimentação oral já nas primeiras 24-48 horas, com melhora dramática da tosse e da febre. A escolha entre prótese esofágica, traqueal ou dupla (esofágica + traqueal) depende do tamanho e localização da fístula; neste caso, com fístula de 1,5 cm e estenose significativa, a prótese esofágica coberta é a opção mais adequada.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a prótese também alivie a disfagia (alternativa B), a indicação prioritária diante do quadro de fístula com pneumonia aspirativa é o selamento da comunicação. O enunciado descreve exatamente os sintomas da fístula — tosse à deglutição, febre, dispneia — e a prótese coberta é a ferramenta específica para essa complicação. As demais alternativas (perviedade de via aérea, braquiterapia, hemostasia) são indicações de próteses em outros contextos, mas não se aplicam à fístula traqueoesofágica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as múltiplas indicações das próteses esofágicas. O candidato pode ser atraído pela alternativa B (alívio da disfagia), que é uma indicação clássica, mas o enunciado descreve especificamente os sintomas de fístula — tosse à deglutição, febre, dispneia — e a prótese totalmente coberta é a chave: a cobertura existe justamente para selar comunicações, não apenas para manter o lúmen aberto. Identifique o sintoma-guia (tosse à deglutição) e a característica do stent (coberto) para acertar.

Indicação da Prótese Esofágica Coberta

Descrição

Aplicação no Caso Clínico

Selar fístula traqueoesofágica (Gabarito)

Ocluir a comunicação anômala entre esôfago e via aérea, prevenindo pneumonia aspirativa

Quadro clássico: tosse à deglutição, febre e dispneia; fístula de 1,5 cm confirmada

Aliviar disfagia obstrutiva

Manter o lúmen esofágico pérvio para permitir nutrição oral

Presente (estenose tumoral), mas não é a prioridade diante da fístula

Garantir perviedade da via aérea

Tratar compressão traqueal extrínseca (prótese traqueal, não esofágica)

Não indicado; sem evidência de compressão traqueal

Criar trajeto para braquiterapia

Não é função da prótese; braquiterapia usa cateter próprio

Não se aplica

Promover hemostasia local

Controlar sangramento de tumor friável

Não há sangramento ativo no caso

Prótese esofágica autoexpansível
  • 1Totalmente coberta
    • Selar fístula traqueoesofágica
    • Prevenir pneumonia aspirativa
    • Aliviar disfagia (secundário)
  • 2Parcialmente coberta/descoberta
    • Crescimento tumoral pela malha
    • Perpetua vazamento na fístula
  • 3Outras indicações
    • Perviedade de via aérea (prótese traqueal)
    • Hemostasia de tumor sangrante
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A perviedade da via aérea com tratamento de compressão traqueal extrínseca é indicação de prótese traqueal ou brônquica, não de prótese esofágica. O enunciado não menciona compressão traqueal; a via aérea está comprometida pela aspiração decorrente da fístula, não por compressão tumoral.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O alívio da disfagia obstrutiva é uma indicação clássica de prótese esofágica, mas não é a prioridade neste caso. O paciente tem estenose tumoral, porém o quadro agudo é dominado pela fístula — a tosse à deglutição, febre e dispneia indicam pneumonia aspirativa, que é a complicação mais grave e imediata. A prótese coberta aliviará a disfagia secundariamente, mas o objetivo primário é selar a fístula.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A braquiterapia endoluminal é uma modalidade de radioterapia paliativa para tumores esofágicos, mas não é realizada através de prótese. A prótese não cria trajeto para braquiterapia; ela é um dispositivo de suporte mecânico. A braquiterapia é administrada por cateter próprio, sem relação com o stent.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A prótese metálica autoexpansível totalmente coberta é especificamente indicada para selar fístulas traqueoesofágicas malignas. A cobertura completa impede a passagem de conteúdo esofágico para a via aérea, prevenindo a pneumonia aspirativa recorrente — exatamente o quadro do paciente (tosse à deglutição, febre, dispneia). O tamanho da fístula (1,5 cm) e a presença de estenose tornam o stent coberto a opção ideal, pois ele simultaneamente oclui a comunicação e mantém o lúmen esofágico pérvio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hemostasia local de tumor friável e sangrante é outra indicação de prótese esofágica, mas não há menção a sangramento ativo no enunciado. Os sintomas descritos (tosse, febre, dispneia) são todos decorrentes da fístula, não de hemorragia. A prótese coberta pode ter efeito hemostático, mas não é a indicação prioritária neste contexto.

Gabarito: letra D — a prótese coberta é indicada para selar a fístula traqueoesofágica e prevenir pneumonia aspirativa.

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