Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727830
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Plástica
Paciente de 54 anos, no 5º dia após mamoplastia com implante, apresenta hiperemia difusa, dor à palpação, calor local e saída de secreção serossanguinolenta, sem pus franco. Temperatura de 37,9 °C. Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial mais adequada para esse caso.
AIndicar drenagem cirúrgica imediata e substituição do implante por nova prótese estéril.
BIniciar antibioticoterapia sistêmica empírica com cobertura para germes cutâneos, mantendo vigilância clínica próxima.
CManter apenas curativo compressivo e analgesia, reavaliando em 24 a 48 horas.
DOptar por remoção do implante caso não haja melhora clínica após início do tratamento clínico.
EProceder à abertura parcial da ferida apenas para coleta de secreção, sem intervenção adicional no momento.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Iniciar antibioticoterapia sistêmica empírica com cobertura para germes cutâneos, mantendo vigilância clínica próxima.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infecção de ferida cirúrgica após mamoplastia com implante
Gabarito: letra B. No 5º dia pós-operatório de mamoplastia com implante, o quadro de hiperemia difusa, dor, calor local e secreção serossanguinolenta, sem pus franco e com febre baixa, sugere celulite/ infecção incisional precoce sem abscesso formado — a conduta inicial é antibioticoterapia sistêmica empírica com cobertura para germes cutâneos (estreptococos e estafilococos), mantendo vigilância clínica próxima, reservando a drenagem cirúrgica e a remoção do implante para os casos de abscesso, necrose ou falha do tratamento clínico. Essa abordagem está alinhada com os princípios de manejo de infecções de sítio cirúrgico em cirurgia plástica, priorizando o tratamento clínico inicial quando não há coleção purulenta franca.
A infecção de ferida operatória (IFO) é uma complicação frequente em cirurgias com implante de silicone, e o diagnóstico precoce é essencial para evitar a perda do implante. O quadro clínico descrito — hiperemia difusa, dor, calor, secreção serossanguinolenta e temperatura de 37,9 °C — é compatível com celulite, ou seja, infecção do tecido subcutâneo sem formação de abscesso. Nessa fase, o tratamento de escolha é clínico, com antibióticos que cubram a flora cutânea, principalmente Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. A drenagem cirúrgica está indicada apenas quando há coleção purulenta (abscesso), flutuação ou necrose tecidual — o que não é o caso, pois o enunciado explicitamente diz "sem pus franco". A remoção do implante é uma medida extrema, reservada para infecções graves, abscessos extensos, ou quando o tratamento clínico falha. Portanto, a conduta inicial mais adequada é iniciar antibióticos e observar a evolução, com reavaliação próxima.
A vigilância clínica próxima é parte fundamental da conduta: o paciente deve ser reavaliado em 24 a 48 horas para verificar se há resposta ao tratamento. Se houver piora, formação de abscesso ou sinais de sepse, aí sim parte-se para intervenção cirúrgica (drenagem e possível troca ou remoção do implante). Essa abordagem escalonada evita procedimentos desnecessários em infecções iniciais que respondem bem ao antibiótico, mas também não negligencia a possibilidade de evolução para formas mais graves.
A pegadinha desta questão está em confundir "infecção inicial sem abscesso" com "abscesso estabelecido". O candidato apressado pode optar pela drenagem imediata (alternativa A) ou pela remoção do implante (alternativa D), mas o enunciado deixa claro que não há pus franco — o que afasta a indicação cirúrgica imediata. A alternativa E, de abrir parcialmente a ferida apenas para coleta, também não é a conduta inicial ideal, pois a coleta de cultura pode ser feita por swab ou punção, sem necessidade de abertura cirúrgica, e a abertura parcial sem drenagem adequada pode não resolver o processo infeccioso. A alternativa C, de apenas curativo e analgesia, é insuficiente, pois há sinais claros de infecção que exigem antibioticoterapia.
Guarde o critério decisivo: presença ou ausência de abscesso/coleção purulenta. Se há pus franco ou flutuação → drenagem cirúrgica; se não há → antibioticoterapia empírica e observação. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
1Avaliar presença de abscesso
2Sem abscesso → antibiótico empírico
3Reavaliar em 24–48h
4Piora → drenagem/remoção
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A drenagem cirúrgica imediata com substituição do implante é uma conduta agressiva e prematura para um quadro de celulite sem abscesso. A drenagem está indicada quando há coleção purulenta, flutuação ou necrose — o que não é o caso, pois o enunciado afirma "sem pus franco". Além disso, a substituição do implante no mesmo ato, em um campo potencialmente infectado, aumenta o risco de reinfecção e perda da nova prótese. O correto é tratar clinicamente primeiro e reavaliar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta inicial mais adequada. O quadro é de celulite (infecção sem abscesso), e a antibioticoterapia sistêmica empírica com cobertura para germes cutâneos (estafilococos e estreptococos) é o tratamento de primeira linha. A vigilância clínica próxima permite reavaliar em 24–48 horas e escalonar a conduta (drenagem, troca ou remoção do implante) caso não haja resposta ou haja piora. Essa abordagem é conservadora, mas ativa, e está alinhada com as diretrizes de manejo de infecções de sítio cirúrgico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Manter apenas curativo compressivo e analgesia, sem antibioticoterapia, é insuficiente diante de sinais claros de infecção (hiperemia, dor, calor, secreção). A infecção bacteriana não tratada pode evoluir para abscesso, sepse ou perda do implante. A analgesia e o curativo são medidas adjuvantes, mas não tratam a causa infecciosa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A remoção do implante é uma medida extrema, reservada para infecções graves, abscessos extensos, necrose ou falha do tratamento clínico. No caso descrito, ainda não há indicação de remoção imediata — o tratamento inicial é clínico. A alternativa menciona "caso não haja melhora após início do tratamento clínico", o que até faz sentido como plano B, mas a questão pede a conduta inicial, e a remoção não é a primeira escolha. Além disso, a redação sugere que a remoção seria a conduta inicial, o que está errado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Abrir parcialmente a ferida apenas para coleta de secreção não é a conduta inicial ideal. A coleta de cultura pode ser feita por swab da secreção ou punção aspirativa, sem necessidade de abertura cirúrgica. Além disso, a abertura parcial sem drenagem adequada não trata a infecção e pode até introduzir novos patógenos. O correto é iniciar antibióticos e, se necessário, coletar cultura por método não invasivo.
Gabarito: letra B — antibioticoterapia empírica com vigilância clínica é a conduta inicial correta para celulite pós-mamoplastia sem abscesso.