Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg727833
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Plástica
Paciente de 34 anos será submetida à mastopexia com prótese (cirurgia limpa com implante). Segundo as recomendações contemporâneas, qual é a conduta correta para antibioticoprofilaxia?
AIniciar cefazolina somente após o fechamento da ferida operatória.
BUsar pomada tópica no intraoperatório como método principal de profilaxia.
CUsar cefalexina oral no pré-operatório como alternativa equivalente.
DManter antibiótico por 5 dias no pós-operatório para reduzir risco de infecção.
EFazer cefazolina 30–60 minutos antes da incisão e repetir dose se o tempo cirúrgico ultrapassar 4h.
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GabaritoE — Fazer cefazolina 30–60 minutos antes da incisão e repetir dose se o tempo cirúrgico ultrapassar 4h.
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Antibioticoprofilaxia cirúrgica em mastopexia com prótese
Gabarito: letra E. A conduta correta é administrar cefazolina 30–60 minutos antes da incisão e repetir a dose se o procedimento ultrapassar 4 horas, pois o objetivo da profilaxia é manter os tecidos impregnados com o antimicrobiano durante todo o período de contaminação potencial. Essa recomendação está alinhada com as diretrizes contemporâneas de prevenção de infecção de sítio cirúrgico (ISC), que preconizam o início do antibiótico próximo à indução anestésica e a redose intraoperatória em cirurgias prolongadas.
A antibioticoprofilaxia cirúrgica é uma medida fundamental para reduzir a incidência de infecção de sítio cirúrgico (ISC). O princípio central é simples: manter uma concentração adequada do antimicrobiano nos tecidos durante todo o período em que há risco de contaminação bacteriana, ou seja, desde o momento da incisão até o fechamento da ferida. Para isso, o antibiótico deve ser administrado por via intravenosa, em dose única, 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica — o que coincide, na prática, com a indução anestésica. Essa janela de tempo é crucial: se administrado muito cedo, a concentração tecidual pode já estar baixa no momento da incisão; se administrado tarde demais, os tecidos ainda não estarão impregnados quando a contaminação ocorrer.
A escolha do antimicrobiano também segue critérios definidos. Para procedimentos limpos, como a mastopexia com prótese, a cefazolina é a droga de primeira escolha, por sua atividade contra os principais patógenos da pele (estafilococos e estreptococos) e por seu perfil farmacocinético favorável. Em cirurgias que envolvem o trato gastrointestinal (esôfago, estômago, intestino), a cefoxitina é a opção preferida, por cobrir também bacilos gram-negativos e anaeróbios. A duração da profilaxia é outro ponto crítico: em geral, não há indicação de doses adicionais no pós-operatório, mesmo em cirurgias com implante de prótese. A exceção fica por conta de procedimentos cardíacos e ortopédicos com prótese, em que alguns guias recomendam estender a profilaxia por até 48 horas — mas essa não é a regra para cirurgia mamária.
A redose intraoperatória é necessária quando a cirurgia se prolonga além de 4 horas ou quando há perda sanguínea intensa, pois a concentração do antibiótico nos tecidos diminui com o tempo. Essa recomendação visa garantir que a proteção se mantenha durante todo o procedimento, independentemente da duração. A tabela abaixo resume os pontos-chave:
Aspecto
Recomendação
Momento da 1ª dose
30–60 min antes da incisão (indução anestésica)
Droga de escolha (cirurgia limpa)
Cefazolina
Redose intraoperatória
Cirurgia > 4h ou perda sanguínea intensa
Dose pós-operatória
Em geral, não indicada
Exceção para redose pós-op
Próteses cardíacas e ortopédicas (até 48h, alguns guias)
A pegadinha desta questão está em confundir profilaxia com tratamento. A banca explora a ideia de que "mais antibiótico é sempre melhor", mas a profilaxia cirúrgica é uma medida de curta duração, com início pré-operatório e término, em regra, no intraoperatório. Manter antibiótico por 5 dias no pós-operatório (alternativa D) não reduz o risco de ISC e ainda expõe a paciente a efeitos adversos e à seleção de bactérias resistentes. Da mesma forma, iniciar a profilaxia após o fechamento da ferida (alternativa A) é inócuo, pois o momento crítico de contaminação já passou. O uso de pomada tópica (alternativa B) não substitui a profilaxia sistêmica, e a cefalexina oral (alternativa C) não é equivalente à cefazolina intravenosa no contexto cirúrgico, pois a via oral não garante concentrações teciduais adequadas no momento da incisão.
Guarde a fronteira entre profilaxia (medida preventiva, curta, pré e intraoperatória) e tratamento (medida terapêutica, prolongada, para infecção já instalada): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
1Cefazolina 30–60 min antes da incisão
2Redose se cirurgia > 4h
3Sem dose pós-operatória (regra geral)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar cefazolina após o fechamento da ferida é completamente ineficaz, pois o objetivo da profilaxia é impregnar os tecidos antes da contaminação bacteriana, que ocorre durante a incisão e a manipulação cirúrgica. Quando a ferida já está fechada, o risco de contaminação cessou e a administração do antibiótico não traz benefício algum — é uma medida tardia e sem fundamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O uso de pomada tópica no intraoperatório não é método de profilaxia sistêmica e não substitui a administração intravenosa de antibiótico. A profilaxia cirúrgica exige concentração adequada do antimicrobiano nos tecidos profundos, o que só é alcançado por via parenteral. Pomadas tópicas têm papel em outras situações (como prevenção de infecção em feridas superficiais), mas não na prevenção de ISC em cirurgia com implante.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cefalexina oral no pré-operatório não é alternativa equivalente à cefazolina intravenosa. A via oral não garante concentrações teciduais previsíveis e adequadas no momento da incisão, além de ter biodisponibilidade variável. A profilaxia cirúrgica padrão é feita com antibiótico intravenoso, em dose única, 30–60 minutos antes da incisão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Manter antibiótico por 5 dias no pós-operatório é uma prática não recomendada e que não reduz o risco de infecção de sítio cirúrgico. A profilaxia cirúrgica é de curta duração: em regra, apenas a dose pré-operatória e, se necessário, redoses intraoperatórias. Estender o antibiótico no pós-operatório aumenta o risco de efeitos adversos, resistência bacteriana e infecção por Clostridioides difficile, sem benefício clínico comprovado.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta: cefazolina 30–60 minutos antes da incisão (coincidindo com a indução anestésica) e repetição da dose se o tempo cirúrgico ultrapassar 4 horas. Essa prática garante que os tecidos permaneçam impregnados com o antimicrobiano durante todo o procedimento, prevenindo a proliferação bacteriana e a ISC. A redose em cirurgias prolongadas é recomendação explícita das diretrizes de profilaxia cirúrgica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre profilaxia e tratamento. O candidato que pensa "quanto mais antibiótico, melhor" tende a marcar a alternativa D (5 dias de pós-operatório), mas a profilaxia cirúrgica é curta e termina, em regra, no intraoperatório. Lembre-se: o antibiótico profilático é dado antes da contaminação, não depois.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de antibioticoprofilaxia, memorize o tripé: droga certa (cefazolina para limpas), hora certa (30–60 min antes da incisão) e duração certa (dose única + redose se > 4h). Se a alternativa fugir de qualquer um desses três pontos, está errada.