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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg727844
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Plástica
Homem de 41 anos, vítima de esmagamento de antebraço, apresenta exposição óssea e perda muscular flexora, sem opções locais viáveis. Qual é a melhor opção para restauração funcional e cobertura estável?
  1. ARetalho ALT (anterolateral da coxa) livre.
  2. BRetalho radial antebraquial.
  3. CRetalho inguinal pediculado.
  4. DEnxerto de pele após granulação espontânea.
  5. ERetalho latíssimo do dorso (grande dorsal) microcirúrgico.
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GabaritoA — Retalho ALT (anterolateral da coxa) livre.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reconstrução de defeitos complexos do antebraço: retalho ALT livre

Gabarito: letra A. Em um esmagamento de antebraço com exposição óssea e perda muscular flexora, sem opções locais viáveis, o retalho anterolateral da coxa (ALT) livre é a melhor opção por oferecer tecido vascularizado em volume adequado para restaurar a função e proporcionar cobertura estável, com pedículo longo e versatilidade de design. A alternativa B (retalho radial antebraquial) é inviável porque a lesão compromete justamente o território doador, e a alternativa E (retalho de grande dorsal) é uma opção válida, porém o ALT é preferido pela menor morbidade do sítio doador e maior facilidade de modelagem.

O retalho anterolateral da coxa (ALT) é um retalho perfurante baseado na artéria descendente da circunflexa femoral lateral, amplamente utilizado na reconstrução de defeitos complexos de membros superiores. Sua principal vantagem é a capacidade de incluir pele, tecido subcutâneo e, quando necessário, fáscia ou músculo vasto lateral, permitindo restaurar tanto a cobertura cutânea quanto o volume muscular perdido. O pedículo vascular é longo (geralmente 8 a 12 cm), o que facilita a anastomose microcirúrgica em vasos receptores distais, e o calibre dos vasos é adequado (2 a 3 mm), favorecendo a taxa de sucesso.

A escolha do retalho em lesões por esmagamento deve considerar a zona de lesão: o tecido adjacente ao trauma frequentemente apresenta dano microvascular invisível macroscopicamente, o que contraindica retalhos locais ou regionais. O retalho livre traz tecido saudável de área distante, com vascularização independente, essencial para cobertura estável sobre osso exposto e para permitir reconstrução funcional posterior, como tenoplastias ou transferências tendíneas. O ALT é particularmente vantajoso por permitir a inclusão de fáscia lata, que pode ser utilizada para reconstrução de tendões flexores perdidos, e por possibilitar a confecção de retalho composto (pele + fáscia + músculo) conforme a necessidade.

Na prática, o planejamento começa com o desbridamento agressivo de todo tecido desvitalizado, seguido de estabilização óssea (fixação interna ou externa). A reconstrução deve ser realizada idealmente em até 72 horas, ou de forma tardia após controle da infecção. O ALT é elevado com o paciente em decúbito dorsal, permitindo abordagem simultânea do membro lesado e da área doadora, o que reduz o tempo cirúrgico. A anastomose é realizada preferencialmente em vasos receptores fora da zona de lesão, como a artéria ulnar ou radial proximal, utilizando técnica microcirúrgica com lupa ou microscópio.

A principal distinção que separa as alternativas é a viabilidade do território doador: o retalho radial antebraquial (alternativa B) depende da artéria radial, que está no mesmo membro traumatizado e frequentemente lesada ou em área de dano; o retalho inguinal pediculado (alternativa C) é uma opção clássica, porém exige imobilização prolongada do membro junto ao tronco e oferece tecido menos versátil, sem possibilidade de reconstrução funcional imediata; o enxerto de pele (alternativa D) não fornece cobertura adequada sobre osso exposto e não restaura função muscular; o retalho de grande dorsal (alternativa E) é uma alternativa válida, mas o ALT é preferido na maioria dos centros por menor morbidade do sítio doador e maior facilidade de modelagem tridimensional.

A pegadinha da banca está em explorar a associação automática entre "perda muscular flexora" e "retalho muscular" (grande dorsal), quando na verdade o ALT, um retalho fasciocutâneo, pode incluir fáscia lata para reconstrução tendínea e oferece resultados funcionais superiores com menor morbidade. O candidato deve lembrar que, em defeitos complexos do antebraço, o ALT é o retalho de escolha na maioria dos algoritmos modernos de reconstrução.

1Vantagens
Tecido vascularizado de área distante
Pedículo longo (8–12 cm)
Inclui fáscia lata p/ tendões
Baixa morbidade do doador
2Indicação
Defeito complexo com osso exposto
Perda muscular flexora
Zona de lesão inviável p/ retalho local
3Planejamento
Desbridamento agressivo
Estabilização óssea
Anastomose fora da zona de lesão
Retalho ALT livre (antebraço)
LEVELsoulevel.com.br
Retalho ALT livre (antebraço): Vantagens (Tecido vascularizado de área distante, Pedículo longo (8–12 cm), Inclui fáscia lata p/ tendões, Baixa morbidade do doador); Indicação (Defeito complexo com osso exposto, Perda muscular flexora, Zona de lesão inviável p/ retalho local); Planejamento (Desbridamento agressivo, Estabilização óssea, Anastomose fora da zona de lesão)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O retalho ALT livre é a melhor opção porque fornece tecido vascularizado em volume adequado, com pedículo longo e versátil, permitindo cobertura estável sobre osso exposto e reconstrução funcional (inclusão de fáscia lata para tendões). A morbidade do sítio doador é baixa e o paciente pode ser operado em decúbito dorsal, facilitando o acesso simultâneo ao membro lesado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O retalho radial antebraquial utiliza a artéria radial como pedículo, que está no mesmo membro traumatizado e frequentemente comprometida pela lesão por esmagamento. Além disso, o território doador está na zona de lesão, o que contraindica seu uso. A alternativa confunde a utilidade clássica do retalho (reconstrução de defeitos pequenos/médios) com a necessidade de tecido vascularizado de área distante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O retalho inguinal pediculado é uma opção histórica, mas exige imobilização prolongada do membro junto ao tronco (posição de "carregador de fuzil"), o que atrasa a reabilitação e aumenta o risco de rigidez articular. Além disso, oferece tecido menos versátil, sem possibilidade de reconstrução funcional imediata, e o pedículo (artéria circunflexa ilíaca superficial) tem menor calibre e comprimento, dificultando a cobertura de defeitos distais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O enxerto de pele após granulação espontânea não fornece cobertura adequada sobre osso exposto, pois depende de leito vascularizado para sobreviver. Além disso, não restaura a função muscular perdida e o tempo de granulação prolongado aumenta o risco de infecção, contraturas e perda funcional. A alternativa ignora a necessidade de tecido vascularizado para cobertura estável e reconstrução funcional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O retalho de grande dorsal (latíssimo do dorso) microcirúrgico é uma opção válida para defeitos extensos, mas o ALT é preferido na maioria dos algoritmos por menor morbidade do sítio doador, maior facilidade de modelagem e possibilidade de incluir fáscia lata para reconstrução tendínea. A alternativa não é tecnicamente errada, mas não é a "melhor opção" quando o ALT está disponível, considerando a necessidade de restaurar função flexora e cobertura estável.

Gabarito: letra A

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