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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
qg727872
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
A contusão pulmonar é a lesão torácica potencialmente letal mais comum nos traumas fechados. Consiste em lesão alvéolo-capilar com hemorragia e edema intersticial sem laceração franca do parênquima pulmonar. De acordo com a fisiopatologia e tratamento da contusão pulmonar, assinale a alternativa correta.
  1. AA lesão tem evolução lenta e o risco de síndrome do desconforto respiratório agudo é maior a partir do quinto dia após o trauma.
  2. BA tomografia de tórax mostra áreas de vidro fosco e consolidações heterogêneas que acompanham a segmentação pulmonar.
  3. COs exames de imagem podem ser normais ou com alterações mínimas nas primeiras horas após o trauma.
  4. DA broncoscopia deve ser indicada precocemente para adequada toalete da via aérea e para evitar infecção pulmonar.
  5. ESuporte ventilatório invasivo precoce e reanimação volêmica vigorosa nas primeiras horas são cruciais para a evolução favorável.
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GabaritoC — Os exames de imagem podem ser normais ou com alterações mínimas nas primeiras horas após o trauma.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Contusão pulmonar no trauma torácico fechado

Gabarito: letra C. A contusão pulmonar é a lesão torácica fechada mais comum e potencialmente letal, e uma de suas características marcantes é que os exames de imagem podem ser normais ou mostrar alterações mínimas nas primeiras horas após o trauma, evoluindo com piora radiológica e clínica nas 24 a 72 horas seguintes. Essa evolução temporal é o ponto central da questão e o que distingue a alternativa correta das demais.

A contusão pulmonar resulta de mecanismo de aceleração-desaceleração ou compressão direta da parede torácica, gerando lesão alvéolo-capilar com hemorragia e edema intersticial, sem laceração franca do parênquima. O dano inicial é seguido de resposta inflamatória local e sistêmica, com aumento da permeabilidade capilar, acúmulo de líquido e células no interstício e nos alvéolos, e consequente comprometimento da troca gasosa. A hipoxemia e o shunt intrapulmonar são as consequências funcionais mais importantes, e a evolução pode ser agravada por pneumonia, SDRA e falência de múltiplos órgãos.

Na prática, o paciente chega ao pronto-socorro com dor torácica, dispneia e, às vezes, hemoptise, mas a radiografia de tórax inicial pode ser normal em até 50% dos casos, especialmente nas primeiras 6 horas. A tomografia computadorizada é mais sensível e mostra áreas de vidro fosco e consolidações heterogêneas, porém essas alterações também podem ser discretas no início. O pior momento clínico costuma ocorrer entre 24 e 72 horas, quando o edema e a inflamação atingem o pico, e é nesse período que o paciente pode evoluir para SDRA, com necessidade de suporte ventilatório.

O tratamento é essencialmente de suporte: analgesia adequada, fisioterapia respiratória, oxigenioterapia e, se necessário, ventilação mecânica protetora. A reanimação volêmica deve ser criteriosa, pois o excesso de fluidos pode piorar o edema pulmonar. A broncoscopia é reservada para casos de suspeita de aspiração, corpo estranho ou atelectasia persistente, não sendo indicada rotineiramente para toalete da via aérea. A intubação precoce e a ventilação invasiva só são indicadas quando há falência respiratória, e não como medida profilática.

A pegadinha da banca está em inverter a cronologia e a conduta: a alternativa A fala em risco maior de SDRA a partir do quinto dia, quando na verdade o pico é entre 24 e 72 horas; a alternativa E sugere reanimação volêmica vigorosa e intubação precoce, que são prejudiciais. A alternativa C, ao afirmar que os exames podem ser normais nas primeiras horas, reflete exatamente a realidade clínica e radiológica da contusão pulmonar.

  1. 1Trauma fechado
  2. 2Exames iniciais normais
  3. 3Pico 24-72h
  4. 4SDRA / recuperação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A lesão tem evolução rápida, não lenta, e o risco de SDRA é maior entre 24 e 72 horas após o trauma, não a partir do quinto dia. O pico de edema e inflamação ocorre nesse período inicial, e é quando o paciente mais frequentemente deteriora. A banca troca o período de maior risco, fazendo o candidato acreditar que a complicação é tardia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tomografia mostra áreas de vidro fosco e consolidações heterogêneas, mas elas não acompanham a segmentação pulmonar — pelo contrário, a contusão costuma respeitar os limites dos segmentos e lobos, sendo frequentemente periférica e poupando as fissuras. A distribuição é irregular e não segue a anatomia segmentar, o que ajuda a diferenciar de consolidações pneumônicas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Exatamente: nas primeiras horas após o trauma, a radiografia de tórax pode ser normal ou mostrar apenas alterações discretas, e mesmo a tomografia pode subestimar a extensão inicial da lesão. Isso ocorre porque o edema e a hemorragia intersticial levam algumas horas para se tornar evidentes nos exames de imagem. Essa é uma característica clássica da contusão pulmonar e um alerta para não afastar a lesão com base em exame inicial normal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A broncoscopia não é indicada precocemente para toalete da via aérea na contusão pulmonar. Ela é reservada para situações específicas, como suspeita de aspiração, corpo estranho, atelectasia persistente ou para auxiliar no diagnóstico de lesão de via aérea. A toalete brônquica rotineira não previne infecção e pode até piorar o quadro, além de ser um procedimento invasivo com riscos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reanimação volêmica vigorosa é contraindicada, pois o excesso de fluidos aumenta o edema pulmonar e piora a oxigenação. O suporte ventilatório invasivo deve ser reservado para os casos de falência respiratória, não sendo indicado precocemente de forma profilática. A conduta correta é reposição volêmica criteriosa, analgesia, oxigenioterapia e ventilação não invasiva quando possível, com intubação apenas se necessário.

Gabarito: letra C

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