Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg727878
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Em relação ao tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico, assinale a alternativa INCORRETA.
AA forma neurogênica da síndrome do desfiladeiro torácico é inicialmente tratada com fisioterapia, mudanças posturais e anti-inflamatórios.
BO tratamento da forma venosa na síndrome é baseado no uso de anticoagulantes e sintomáticos.
CA abordagem transaxilar para ressecção da primeira costela é vantajosa porque permite uma excelente exposição da parte anterior, onde a compressão ocorre.
DA abordagem supraclavicular proporciona uma abordagem mais ampla das costelas, além de permitir ressecção da musculatura escalênica e neurólise do plexo braquial.
EO tratamento cirúrgico ocorre na maioria dos casos e está relacionado a anomalias ósseas sintomáticas, complicações vasculares e traumas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — A forma neurogênica da síndrome do desfiladeiro torácico é inicialmente tratada com fisioterapia, mudanças posturais e anti-inflamatórios.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome do desfiladeiro torácico: tratamento
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que o tratamento cirúrgico ocorre na maioria dos casos, pois o tratamento inicial da síndrome do desfiladeiro torácico é conservador (fisioterapia, mudanças posturais e analgésicos), sendo a cirurgia reservada para casos selecionados, como falha do tratamento clínico, complicações vasculares ou anomalias ósseas sintomáticas. As demais alternativas descrevem corretamente aspectos do tratamento das formas neurogênica, venosa e das abordagens cirúrgicas.
A síndrome do desfiladeiro torácico (SDT) é um conjunto de sintomas causados pela compressão do plexo braquial, da artéria subclávia ou da veia subclávia em sua passagem pelo estreito espaço entre a clavícula, a primeira costela e os músculos escalenos. Essa compressão pode ser de origem neurogênica (a mais comum, cerca de 95% dos casos), venosa ou arterial. O entendimento da fisiopatologia é essencial para compreender a lógica do tratamento: como a causa é a compressão mecânica de estruturas neurovasculares, a abordagem inicial busca aliviar essa compressão por meios não invasivos.
O tratamento conservador é a pedra angular do manejo da SDT, especialmente na forma neurogênica. Ele consiste em fisioterapia para fortalecer a musculatura do ombro e melhorar a postura, correção de hábitos posturais inadequados, uso de anti-inflamatórios e analgésicos para controle da dor e, em alguns casos, infiltrações locais. A cirurgia fica reservada para os casos em que o tratamento clínico falha após um período adequado (geralmente 3 a 6 meses) ou quando há complicações vasculares (trombose venosa, aneurisma arterial) ou anomalias ósseas (como costela cervical) que causam sintomas graves. Portanto, a cirurgia não é a primeira opção e não é indicada na maioria dos casos.
A forma venosa da SDT, também chamada de síndrome de Paget-Schroetter, é caracterizada por trombose da veia subclávia, geralmente desencadeada por esforço repetitivo do membro superior. O tratamento inicial envolve anticoagulação para prevenir a progressão do trombo e alívio sintomático, podendo ser complementado por trombólise dirigida por cateter em casos selecionados. Já a forma arterial, menos comum, pode cursar com aneurisma ou estenose da artéria subclávia, sendo frequentemente indicação cirúrgica precoce.
Quando a cirurgia é necessária, existem duas abordagens principais: a transaxilar e a supraclavicular. A abordagem transaxilar, realizada através da axila, oferece uma excelente exposição da primeira costela, especialmente de sua porção anterior, onde a compressão costuma ocorrer, sendo menos invasiva e com melhor resultado estético. A abordagem supraclavicular, por sua vez, proporciona um campo mais amplo, permitindo a ressecção da primeira costela, a ressecção da musculatura escalênica e a neurólise do plexo braquial, sendo preferida em casos de compressão neurogênica associada a anomalias musculares ou ósseas.
A pegadinha desta questão está na inversão da lógica terapêutica: a banca apresenta a cirurgia como tratamento de primeira linha e majoritário, quando na realidade o tratamento conservador é o pilar inicial. O candidato que não domina a hierarquia terapêutica da SDT pode ser induzido a marcar a alternativa E como correta, pois ela menciona indicações cirúrgicas plausíveis (anomalias ósseas, complicações vasculares, traumas), mas o erro está no termo "na maioria dos casos".
Síndrome do desfiladeiro torácico
1Tratamento conservador (1ª linha)
Fisioterapia
Mudanças posturais
Anti-inflamatórios/analgésicos
2Cirurgia (casos selecionados)
Falha do tratamento clínico
Complicações vasculares
Anomalias ósseas sintomáticas
3Abordagens cirúrgicas
Transaxilar
Excelente exposição da 1ª costela (anterior)
Supraclavicular
Campo amplo
Ressecção escalênica
Neurólise do plexo braquial
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta
A forma neurogênica da SDT é a mais prevalente e, em sua grande maioria, responde bem ao tratamento conservador. A fisioterapia visa fortalecer a musculatura do ombro e da cintura escapular, corrigir a postura e alongar os músculos escalenos, reduzindo a compressão sobre o plexo braquial. As mudanças posturais são fundamentais, pois a má postura (ombros caídos e protraídos) estreita o desfiladeiro torácico. Os anti-inflamatórios ajudam a controlar a dor e a inflamação local. Essa abordagem é a primeira linha de tratamento e apresenta bons resultados na maioria dos pacientes.
Alternativa B — ✅ Correta
A forma venosa da SDT, também conhecida como síndrome de Paget-Schroetter, é causada pela trombose da veia subclávia. O tratamento inicial baseia-se na anticoagulação para impedir a progressão do trombo e na utilização de sintomáticos para alívio da dor e do edema. Em casos selecionados, pode-se associar trombólise dirigida por cateter ou trombectomia, mas a base do tratamento é clínica, com anticoagulantes. A alternativa está correta ao descrever essa conduta.
Alternativa C — ✅ Correta
A abordagem transaxilar para ressecção da primeira costela é uma técnica cirúrgica que oferece uma excelente exposição da porção anterior da primeira costela, local onde a compressão neurovascular ocorre com maior frequência. Essa via de acesso é menos invasiva, proporciona melhor resultado estético e está associada a menor morbidade quando comparada a outras abordagens. A alternativa descreve corretamente essa vantagem.
Alternativa D — ✅ Correta
A abordagem supraclavicular é uma via de acesso mais ampla, que permite não apenas a ressecção da primeira costela, mas também a ressecção da musculatura escalênica (escalenectomia) e a neurólise do plexo braquial. Essa técnica é particularmente útil em casos de compressão neurogênica associada a anomalias musculares ou ósseas, pois permite uma exploração mais completa da região. A alternativa está correta ao descrever essas vantagens.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa E afirma que o tratamento cirúrgico ocorre na maioria dos casos, o que é incorreto. O tratamento da SDT é majoritariamente conservador, com cirurgia reservada para casos selecionados, como falha do tratamento clínico, complicações vasculares (trombose, aneurisma) ou anomalias ósseas sintomáticas (costela cervical). A cirurgia não é indicada na maioria dos casos, pois a maioria dos pacientes responde bem ao tratamento não invasivo. O erro está na generalização "na maioria dos casos", que inverte a hierarquia terapêutica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a lógica terapêutica: apresenta a cirurgia como tratamento majoritário, quando na verdade o tratamento conservador é o pilar inicial. O candidato que não domina a hierarquia terapêutica da SDT pode ser induzido a marcar a alternativa E como correta, pois ela menciona indicações cirúrgicas plausíveis (anomalias ósseas, complicações vasculares, traumas), mas o erro está no termo "na maioria dos casos".
NÃO CAIA NESSA!
Para questões sobre SDT, lembre-se da hierarquia: conservador primeiro, cirurgia para casos selecionados. Na dúvida, desconfie de alternativas que generalizam com "sempre", "nunca" ou "na maioria dos casos" — elas costumam esconder a pegadinha.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois inverte a hierarquia terapêutica da síndrome do desfiladeiro torácico.