Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg727879
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Paciente de 36 anos, apresenta massa hilar direita com lesão ocluindo totalmente o brônquio principal e biopsia mostrando tumor carcinoide típico. Não há adenomegalia mediastinal associada. Assinale a alternativa com a melhor conduta para o caso descrito.
ARessecção pulmonar favorecendo lobectomia superior direita em "manga".
BQuimio e radioterapia concomitantes, seguidas de imunoterapia de consolidação.
CImunoterapia com quimioterapia de indução, e cirurgia se houver diminuição do tumor.
DQuimioterapia + imunoterapia seguidas de cirurgia, e consolidação com radioterapia.
EPneumonectomia direita, seguida de quimo e radioterapia.
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GabaritoA — Ressecção pulmonar favorecendo lobectomia superior direita em "manga".
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Tumor Carcinoide Brônquico: Conduta Cirúrgica
Gabarito: letra A. O tumor carcinoide típico é uma neoplasia neuroendócrina de baixo grau, de crescimento lento e raramente metastática; o tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica completa, com preservação máxima do parênquima pulmonar. No caso de lesão central ocluindo o brônquio principal, a lobectomia em "manga" (sleeve lobectomy) é a técnica ideal, pois resseca o tumor com margens adequadas sem sacrificar o pulmão inteiro. As demais alternativas propõem terapias sistêmicas (quimio, imunoterapia, radioterapia) que não são a primeira linha para tumores carcinoides típicos localizados, e a pneumonectomia (letra E) é uma cirurgia mutilante, reservada para casos em que a preservação do parênquima não é possível.
O tumor carcinoide brônquico faz parte do grupo dos tumores neuroendócrinos pulmonares, que inclui, em ordem crescente de agressividade: carcinoide típico, carcinoide atípico, carcinoma neuroendócrino de grandes células e carcinoma de pequenas células. O carcinoide típico é o de melhor prognóstico: é um tumor de baixo grau, bem diferenciado, com baixo índice mitótico (< 2 mitoses por 2 mm²) e sem necrose. Clinicamente, costuma se apresentar como uma lesão endobrônquica central, causando sintomas obstrutivos como tosse, hemoptise, sibilos e pneumonias de repetição — exatamente o cenário do paciente do enunciado, com massa hilar ocluindo o brônquio principal.
A conduta para tumores carcinoides típicos é essencialmente cirúrgica. A ressecção deve ser completa (R0), mas com o objetivo de preservar o máximo de parênquima pulmonar funcional, pois são tumores de baixa agressividade e excelente sobrevida. Para lesões centrais que comprometem a origem de um brônquio lobar ou o brônquio principal, a técnica de escolha é a broncoplastia com ressecção em "manga": remove-se o lobo acometido juntamente com um segmento do brônquio principal, e a continuidade da via aérea é reconstruída com uma anastomose término-terminal (brônquio principal ao brônquio lobar remanescente). Isso evita a pneumonectomia, que seria a alternativa mutilante, com maior morbimortalidade e pior qualidade de vida.
A indicação de quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia para tumores carcinoides típicos é excepcional. Essas modalidades são reservadas para tumores neuroendócrinos de alto grau (carcinoma de pequenas células, por exemplo) ou para carcinoides atípicos metastáticos ou irressecáveis. No caso descrito, não há linfonodos comprometidos (sem adenomegalia mediastinal), o que reforça o caráter localizado da doença e a indicação de tratamento cirúrgico curativo isolado. A letra E (pneumonectomia) é um distrator clássico: embora seja uma opção tecnicamente possível para lesão central, ela é excessiva para um tumor de baixo grau, e a cirurgia preservadora de parênquima é sempre preferida quando tecnicamente viável.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre o tratamento do carcinoide típico (cirurgia conservadora) e o tratamento dos carcinomas de pulmão de alto grau (terapias sistêmicas + cirurgia ou quimio/radioterapia definitiva). O aluno que não domina a classificação dos tumores neuroendócrinos tende a tratar o carcinoide como um "câncer de pulmão comum", optando por quimioterapia ou pneumonectomia. A chave é reconhecer que o carcinoide típico é uma neoplasia de baixo grau, com comportamento biológico favorável, e que a cirurgia com preservação de parênquima é o padrão-ouro. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Tumores neuroendócrinos pulmonares
1Baixo grau
Carcinoide típico
Cirurgia preservadora (lobectomia em manga)
Quimio/radio/imunoterapia (excepcional)
2Grau intermediário
Carcinoide atípico
3Alto grau
Carcinoma neuroendócrino de grandes células
Carcinoma de pequenas células
Terapias sistêmicas + cirurgia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lobectomia superior direita em "manga" é a conduta ideal. O tumor está no brônquio principal direito (massa hilar), e a ressecção em manga permite remover o lobo superior com o tumor e o segmento comprometido do brônquio principal, reconstruindo a via aérea com anastomose. Isso garante margens cirúrgicas negativas (R0) e preserva o parênquima pulmonar, o que é fundamental para tumores de baixo grau como o carcinoide típico. A ausência de adenomegalia mediastinal confirma doença localizada, sem necessidade de terapias adjuvantes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe quimio e radioterapia concomitantes seguidas de imunoterapia de consolidação — um esquema típico para carcinoma de pulmão de células não pequenas localmente avançado (estágio III), não para carcinoide típico. O carcinoide típico é pouco responsivo à quimioterapia e à radioterapia, e a imunoterapia não tem papel estabelecido nesse cenário. A conduta correta é cirúrgica, não sistêmica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere imunoterapia com quimioterapia de indução e cirurgia apenas se houver diminuição do tumor. Essa estratégia de "neoadjuvância" é usada em carcinomas de pulmão agressivos (como o de pequenas células ou não pequenas células localmente avançados), não em carcinoides típicos. O carcinoide típico é uma lesão de baixo grau, e a cirurgia é o tratamento de primeira linha, sem necessidade de terapia sistêmica prévia. Além disso, a resposta à quimio/imunoterapia não é critério para indicar ou não a cirurgia nesse tumor.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Combina quimioterapia + imunoterapia seguidas de cirurgia e consolidação com radioterapia — um esquema multimodal agressivo, indicado para tumores de alto grau ou metastáticos. No carcinoide típico localizado, não há indicação de terapia neoadjuvante nem adjuvante. A cirurgia isolada, com preservação de parênquima, é curativa na grande maioria dos casos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A pneumonectomia direita é uma cirurgia mutilante que remove todo o pulmão. Embora seja uma opção para tumores centrais extensos, ela é desproporcional para um carcinoide típico, que tem excelente prognóstico e pode ser tratado com ressecção preservadora de parênquima (lobectomia em manga). Além disso, a associação com quimio e radioterapia pós-operatória não é indicada para carcinoide típico ressecado com margens negativas. A pneumonectomia só seria considerada se a lesão fosse tão extensa que impossibilitasse a reconstrução brônquica — o que não é o caso descrito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento do carcinoide típico (tumor neuroendócrino de baixo grau → cirurgia conservadora) e o dos carcinomas de pulmão de alto grau (→ quimio/imunoterapia, radioterapia, pneumonectomia). O aluno que não domina a classificação dos tumores neuroendócrinos tende a tratar o carcinoide como um "câncer de pulmão comum". A chave é reconhecer que o carcinoide típico é uma neoplasia de baixo grau, com comportamento biológico favorável, e que a cirurgia com preservação de parênquima é o padrão-ouro. Com treino, você enxerga essa distinção de longe 💪.