Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg727887
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Paciente 23 anos, com quadro de empiema pleural à direita, foi operado há 3 dias e está apresentando febre de 39 graus, que melhora com dipirona. Dreno pleural posterior sem escape aéreo e com pouca oscilação. Na radiografia, apresenta loja pleural anterior com nível hidroaéreo. Assinale a alternativa com a melhor conduta a ser tomada nesse caso.
ATroca de antibioticoterapia para ampliar o espectro de atuação.
BRetirada do dreno pleural não funcionante e punção da loja pleural para lavagem.
CPleuroscopia para saneamento da cavidade pleural e redrenagem adequada.
DManutenção da drenagem e instalação de aspiração contínua.
EManutenção da antibioticoterapia por 15 dias e fisioterapia respiratória intensa.
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GabaritoC — Pleuroscopia para saneamento da cavidade pleural e redrenagem adequada.
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Empiema pleural: drenagem inadequada e conduta cirúrgica
Gabarito: letra C. O paciente apresenta empiema pleural já operado (drenagem há 3 dias), com febre persistente e radiografia mostrando loja pleural anterior com nível hidroaéreo — sinais de drenagem inadequada e loculação do conteúdo pleural. A melhor conduta é a pleuroscopia para saneamento da cavidade pleural e redrenagem adequada, pois permite quebrar septações, aspirar o conteúdo loculado e posicionar novo dreno sob visão direta. As demais alternativas (troca de antibiótico, retirada do dreno com punção, aspiração contínua ou apenas observação) não resolvem o problema mecânico da loculação.
O empiema pleural é a presença de pus no espaço pleural, geralmente complicação de pneumonia, cirurgia torácica ou trauma. O tratamento padrão é a drenagem pleural fechada com antibióticos. Porém, quando a drenagem é inadequada — seja por posicionamento ruim do dreno, obstrução ou loculação do conteúdo (formação de septos que dividem a cavidade em lojas) — o paciente persiste com febre, e a radiografia mostra níveis hidroaéreos residuais. Nesse cenário, a simples troca de antibiótico ou a manutenção da drenagem não resolve, pois o problema é mecânico: há coleção loculada que não drena pelo tubo.
A pleuroscopia (também chamada toracoscopia) é um procedimento minimamente invasivo que permite visualizar diretamente a cavidade pleural, quebrar aderências e septações, aspirar o conteúdo purulento e reposicionar o dreno no local adequado. É a conduta de escolha quando a drenagem convencional falha, especialmente nos estágios iniciais do empiema (fase fibrinopurulenta), antes da formação de uma pleura espessada que exigiria decorticação cirúrgica aberta.
A alternativa D (aspiração contínua) pode ser tentada em alguns casos de dreno funcionante com escape aéreo, mas aqui o dreno está com pouca oscilação e há loja anterior — sinal de que o dreno não está drenando a coleção loculada. A alternativa B (retirar o dreno e puncionar) é arriscada, pois a punção cega pode não atingir a loja e pode lesar estruturas. A alternativa A (trocar antibiótico) não trata a causa mecânica. A alternativa E (observação com fisioterapia) é insuficiente diante de um empiema não drenado.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a febre persistente após drenagem de empiema não é, necessariamente, falha do antibiótico — é, na maioria das vezes, falha da drenagem. O candidato que pensa apenas em "infecção não controlada" escolhe trocar o antibiótico (A), mas o raciocínio correto é "drenagem inadequada → intervenção cirúrgica para sanear a cavidade".
1Drenagem fechada + antibiótico
2Dreno inadequado / loculação
3Febre persistente + nível hidroaéreo
4Pleuroscopia: quebrar septos e redrenar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Trocar a antibioticoterapia para ampliar o espectro não resolve o problema, pois o paciente já está em uso de antibióticos e a febre persiste por falha mecânica da drenagem (loja loculada). A troca de antibiótico seria indicada se houvesse evidência de resistência bacteriana ou falha terapêutica sem causa mecânica — o que não é o caso. O foco deve ser o saneamento da cavidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Retirar o dreno não funcionante e puncionar a loja pleural para lavagem é conduta inadequada e arriscada. A punção cega pode não atingir a loja loculada, pode lesar pulmão ou vasos, e a lavagem sem drenagem adequada não resolve a coleção. O correto é a pleuroscopia, que permite visualização direta e redrenagem sob visão.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pleuroscopia para saneamento da cavidade pleural e redrenagem adequada é a conduta de escolha. Ela permite quebrar septações, aspirar o conteúdo purulento loculado e posicionar novo dreno no local correto, sob visão direta. É o tratamento minimamente invasivo ideal para empiema com drenagem inadequada, especialmente na fase fibrinopurulenta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Manter a drenagem e instalar aspiração contínua pode ser útil em alguns casos de dreno funcionante, mas aqui o dreno está com pouca oscilação e há loja anterior — sinais de que o dreno não está drenando a coleção loculada. A aspiração contínua não resolve a loculação mecânica; é necessária intervenção cirúrgica para quebrar os septos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Manter a antibioticoterapia por 15 dias e fisioterapia respiratória intensa é conduta insuficiente. O empiema não drenado não será resolvido apenas com antibióticos e fisioterapia; a coleção purulenta loculada precisa ser drenada cirurgicamente. A fisioterapia pode auxiliar na reexpansão pulmonar, mas não substitui o saneamento da cavidade.
Gabarito: letra C — pleuroscopia para saneamento da cavidade pleural e redrenagem adequada.