Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727895
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Em relação ao câncer de pulmão em pacientes não fumantes, assinale a alternativa correta.
AOs tumores apresentam número de mutações somáticas (TMB) mais elevado.
BHá uma tendência à melhor resposta terapêutica com uso de imunoterapia.
CSempre tem indicação de estadiamento mediastinal invasivo independente do descritor T, uma vez que há maior chance de metástases ocultas.
DTem incidência menor do que em fumantes, apesar de manter a mesma proporcionalidade em homens e mulheres.
EA incidência de mutações acionáveis é maior do que nos tumores de pacientes tabagistas.
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GabaritoE — A incidência de mutações acionáveis é maior do que nos tumores de pacientes tabagistas.
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Câncer de pulmão em não fumantes: perfil molecular e terapêutico
Gabarito: letra E. O câncer de pulmão em pacientes não fumantes apresenta maior incidência de mutações acionáveis (como EGFR, ALK, ROS1, HER2) em comparação aos tumores de tabagistas, que são mais frequentemente associados a mutações como KRAS e maior carga mutacional (TMB). Essa diferença molecular é decisiva para a escolha terapêutica, pois permite o uso de terapia-alvo dirigida, conforme o perfil genômico do tumor.
O câncer de pulmão em não fumantes é um subtipo distinto, com características clínicas, histológicas e moleculares próprias. Enquanto o tabagismo é o principal fator de risco e está fortemente associado ao carcinoma de células escamosas e ao carcinoma de pequenas células, o adenocarcinoma é o subtipo mais comum em não fumantes. A compreensão dessas diferenças é fundamental para o manejo adequado, pois impacta diretamente no prognóstico, na resposta à imunoterapia e na disponibilidade de terapias-alvo.
A base molecular do câncer de pulmão em não fumantes é marcada por uma maior frequência de alterações oncogênicas "acionáveis", ou seja, mutações que podem ser alvo de fármacos específicos. Entre elas, destacam-se as mutações no gene EGFR, as translocações de ALK e ROS1, e as mutações em HER2. Essas alterações são mais comuns em indivíduos que nunca fumaram, especialmente em mulheres e asiáticos, e conferem sensibilidade a inibidores específicos, como os inibidores de EGFR (gefitinibe, erlotinibe, osimertinibe) e de ALK (crizotinibe, alectinibe).
Por outro lado, os tumores de pacientes tabagistas apresentam um perfil molecular diferente, com maior frequência de mutações em KRAS e uma carga mutacional tumoral (TMB) mais elevada. A TMB elevada está associada a uma melhor resposta à imunoterapia, pois gera maior número de neoantígenos, tornando o tumor mais imunogênico. Essa distinção é crucial, pois explica por que a imunoterapia tende a ser mais eficaz em tumores de fumantes, enquanto os não fumantes se beneficiam mais de terapias-alvo.
A alternativa E está correta ao afirmar que a incidência de mutações acionáveis é maior em não fumantes. Essa é uma característica bem estabelecida na literatura e na prática clínica, orientando a realização de testes moleculares amplos (painéis de sequenciamento) em todos os pacientes com adenocarcinoma de pulmão, independentemente do histórico de tabagismo, para identificar oportunidades de terapia-alvo.
Câncer de pulmão em não fumantes: Perfil molecular (Mais mutações acionáveis (EGFR, ALK, ROS1, HER2), Menor TMB (carga mutacional)); Perfil em tabagistas (Mais mutações KRAS, TMB elevada); Resposta terapêutica (Não fumantes: terapia-alvo, Tabagistas: imunoterapia); Epidemiologia (Adenocarcinoma é o subtipo mais comum, Mais comum em mulheres)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os tumores em não fumantes apresentam TMB mais elevado. Na realidade, ocorre o oposto: os tumores de pacientes tabagistas têm maior carga mutacional, devido à exposição prolongada a carcinógenos do tabaco. A TMB elevada está associada a melhor resposta à imunoterapia, característica mais comum em fumantes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há tendência à melhor resposta terapêutica com imunoterapia em não fumantes. Na verdade, a resposta à imunoterapia é geralmente melhor em tumores com alta TMB, que são mais comuns em tabagistas. Em não fumantes, a resposta à imunoterapia tende a ser menor, sendo a terapia-alvo a opção mais eficaz quando há mutações acionáveis.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que sempre há indicação de estadiamento mediastinal invasivo independente do descritor T. Essa afirmação é incorreta, pois a indicação de estadiamento mediastinal invasivo (como mediastinoscopia ou EBUS-TBNA) depende de vários fatores, incluindo o tamanho do tumor (T), a presença de linfonodos suspeitos na imagem e o resultado de exames não invasivos. Não é uma indicação universal, independente do T.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a incidência é menor do que em fumantes, mas mantém a mesma proporcionalidade em homens e mulheres. Embora a incidência seja menor em não fumantes, a proporção entre homens e mulheres não é a mesma. O câncer de pulmão em não fumantes é relativamente mais comum em mulheres, especialmente no subtipo adenocarcinoma, o que torna essa afirmação incorreta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a incidência de mutações acionáveis é maior do que nos tumores de pacientes tabagistas. Essa é a característica central do câncer de pulmão em não fumantes, que apresentam maior frequência de mutações em genes como EGFR, ALK, ROS1 e HER2, todos passíveis de terapia-alvo. Essa diferença molecular é fundamental para a escolha do tratamento e justifica a realização de testes moleculares amplos nesses pacientes.