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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg727897
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Qual é a conduta a ser dada para um paciente masculino de 62 anos, tabagista ativo 30 anos/maço – sem outras comorbidades importantes – com queixa de tosse oligoprodutiva há 3 semanas e que deseja avaliar a possibilidade de estar com câncer de pulmão?
  1. ASolicitar raio-X de tórax e espirometria para avaliação inicial.
  2. BSolicitar espirometria para definir necessidade do uso de broncodilatador; orientar ativamente a cessação do tabagismo.
  3. CSolicitar TC de tórax para rastreamento e encaminhar para avaliação de terapia cognitivo comportamental; orientar ativamente cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina.
  4. DSolicitar TC de tórax e espirometria; encaminhar para broncoscopia para propedêutica da tosse.
  5. ESolicitar PET-CT para rastreamento e iniciar broncodilatador para tratamento de DPOC presumido.
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GabaritoC — Solicitar TC de tórax para rastreamento e encaminhar para avaliação de terapia cognitivo comportamental; orientar ativamente cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de pulmão e cessação do tabagismo

Gabarito: letra C. O paciente de 62 anos, tabagista ativo com carga de 30 maços-ano, preenche os critérios da USPSTF para rastreamento anual de câncer de pulmão por TC de tórax de baixa dose sem contraste (idade entre 55 e 80 anos, fumante atual ou ex-fumante há menos de 15 anos, histórico ≥ 30 maços-ano). Além disso, a conduta correta inclui orientar ativamente a cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina (TRN), pois a estratégia de prevenção mais efetiva do câncer de pulmão é o abandono do tabagismo. A alternativa C é a única que combina corretamente o rastreamento por TC com a abordagem terapêutica do tabagismo.

O câncer de pulmão é a neoplasia mais letal no mundo, e o tabagismo é seu principal fator de risco. A carga tabágica é medida em maços-ano, calculada multiplicando o número de maços fumados por dia pelo número de anos de tabagismo. No caso, 1 maço/dia × 30 anos = 30 maços-ano. Esse valor é o ponto de corte clássico para definir a população elegível ao rastreamento.

O rastreamento do câncer de pulmão é uma estratégia de detecção precoce em população assintomática e de alto risco, diferente do diagnóstico de um paciente sintomático. A recomendação da USPSTF (United States Preventive Services Task Force) é baseada no ensaio clínico NLST (National Lung Screening Trial), que demonstrou redução de 20% na mortalidade específica por câncer de pulmão com o rastreamento anual por TC de baixa dose em fumantes inveterados. Os critérios são:

  • Idade entre 55 e 80 anos;

  • Fumante atual ou ex-fumante que abandonou o tabagismo há menos de 15 anos;

  • Histórico de tabagismo de ≥ 30 maços-ano (ou equivalente).

A cessação do tabagismo é a medida mais efetiva de prevenção primária e deve ser abordada em toda consulta. O tratamento do tabagismo combina aconselhamento estruturado (intervenção cognitivo-comportamental) com farmacoterapia (terapia de reposição de nicotina, bupropiona ou vareniclina). A associação de intervenções não medicamentosas e medicamentosas é mais eficaz do que qualquer uma isoladamente. No paciente com câncer, parar de fumar aumenta a eficácia da quimioterapia, diminui complicações da radioterapia e melhora a sobrevida.

A espirometria é o exame para diagnóstico funcional de DPOC, não para rastreamento de câncer. A broncoscopia é um método diagnóstico invasivo, indicado quando há suspeita de lesão central ou para estadiamento, não para rastreamento. O PET-CT é usado no estadiamento, não no rastreamento. O raio-X de tórax não é recomendado para rastreamento por ter baixa sensibilidade para nódulos pequenos.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre rastreamento e diagnóstico, e entre prevenção primária (cessação) e tratamento de doença estabelecida (broncodilatador). O paciente é assintomático para DPOC (tosse oligoprodutiva há 3 semanas não é critério diagnóstico de DPOC, que exige sintomas crônicos e progressivos) e busca avaliação de risco de câncer. Portanto, a conduta é rastrear com TC e tratar o tabagismo, não investigar DPOC.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar raio-X de tórax e espirometria para avaliação inicial. O raio-X de tórax não é o exame recomendado para rastreamento de câncer de pulmão por sua baixa sensibilidade para nódulos pulmonares pequenos — a USPSTF recomenda especificamente a TC de baixa dose. A espirometria avalia função pulmonar (diagnóstico de DPOC), não rastreia neoplasia. O erro é duplo: exame de imagem inadequado e exame funcional desnecessário para a suspeita de câncer.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar espirometria para definir necessidade do uso de broncodilatador; orientar ativamente a cessação do tabagismo. A espirometria e o broncodilatador são ferramentas para DPOC, não para rastreamento de câncer de pulmão. O paciente não tem diagnóstico de DPOC (tosse há 3 semanas não configura doença obstrutiva crônica). A alternativa ignora completamente o rastreamento oncológico, que é o desejo explícito do paciente, e trata apenas o tabagismo — conduta incompleta e que não responde à queixa principal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Solicitar TC de tórax para rastreamento e encaminhar para avaliação de terapia cognitivo comportamental; orientar ativamente cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina. Esta alternativa combina os dois pilares da conduta correta: (1) rastreamento por TC de tórax de baixa dose, pois o paciente preenche os critérios da USPSTF (62 anos, fumante ativo, 30 maços-ano); e (2) tratamento do tabagismo com abordagem dupla — terapia cognitivo-comportamental (aconselhamento estruturado) e terapia de reposição de nicotina (farmacoterapia). A associação de intervenções não medicamentosas e medicamentosas é a conduta preconizada para cessação do tabagismo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Solicitar TC de tórax e espirometria; encaminhar para broncoscopia para propedêutica da tosse. A broncoscopia é um procedimento invasivo indicado para diagnóstico e estadiamento de lesões suspeitas (massas centrais), não para rastreamento em paciente assintomático. Realizar broncoscopia sem uma lesão identificada na TC seria conduta inadequada e iatrogênica. A espirometria também não se justifica para rastreamento de câncer. A alternativa confunde propedêutica diagnóstica com rastreamento populacional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Solicitar PET-CT para rastreamento e iniciar broncodilatador para tratamento de DPOC presumido. O PET-CT não é exame de rastreamento — é utilizado no estadiamento de câncer já diagnosticado, para avaliar metástases e linfonodos. Além disso, iniciar broncodilatador sem diagnóstico de DPOC (presumido) é conduta incorreta: o diagnóstico exige espirometria com distúrbio ventilatório obstrutivo. A alternativa erra tanto no exame de rastreamento quanto no tratamento medicamentoso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre rastreamento (população assintomática de alto risco → TC de baixa dose) e diagnóstico (paciente sintomático → investigação com broncoscopia, biópsia). O paciente de 62 anos com 30 maços-ano é o exemplo clássico de elegível para rastreamento, mas a tosse oligoprodutiva de 3 semanas pode fazer o candidato pensar em investigação diagnóstica. Fique atento: a presença de critérios de rastreamento (idade + carga tabágica) é o gatilho para TC, e a cessação do tabagismo é sempre parte da conduta.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de rastreamento, decore os critérios da USPSTF: 55–80 anos, fumante atual ou ex-fumante < 15 anos, ≥ 30 maços-ano, TC de baixa dose anual. E lembre: espirometria é para DPOC, broncoscopia é para diagnóstico, PET-CT é para estadiamento — nenhum deles é rastreamento. A cessação do tabagismo (aconselhamento + farmacoterapia) é obrigatória em qualquer cenário.

Gabarito: letra C

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