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Critérios de Light: diferenciação entre derrame pleural exsudativo e transudativo
Gabarito: letra C. Os critérios de Light, que são o padrão para diferenciar exsudato de transudato, baseiam-se na comparação entre o líquido pleural e o soro: a razão proteína pleural/sérica, a razão LDH pleural/sérico e o nível absoluto de LDH no líquido pleural. A alternativa C é a única que apresenta corretamente esses parâmetros, incluindo tanto as dosagens séricas quanto as do líquido pleural.
O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, e sua classificação em exsudato ou transudato é o primeiro passo para o diagnóstico diferencial. O transudato é um líquido pobre em proteínas, que se acumula por desequilíbrio das forças hidrostáticas e oncóticas (como na insuficiência cardíaca congestiva, cirrose e síndrome nefrótica). Já o exsudato é um líquido rico em proteínas e células, resultante de processos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos que aumentam a permeabilidade capilar ou reduzem a drenagem linfática (como pneumonia, tuberculose e neoplasias).
Para distinguir os dois, os Critérios de Light (propostos por Richard Light em 1972) são o método mais consagrado. Um derrame é classificado como exsudato se pelo menos um dos três critérios for preenchido:
Razão proteína pleural/sérica > 0,5;
Razão LDH pleural/sérico > 0,6;
LDH pleural > 2/3 do limite superior do normal do LDH sérico.
Quando todos os três critérios são atendidos, a sensibilidade, especificidade e valor preditivo positivo excedem 98% para definir um derrame exsudativo. É importante notar que os critérios envolvem sempre a comparação entre o líquido pleural e o soro — por isso, as dosagens séricas são tão importantes quanto as do líquido.
Na prática, o raciocínio clínico é: se o derrame é exsudativo, a investigação deve focar em causas locais (infecção, neoplasia, inflamação); se é transudativo, a causa é geralmente sistêmica (insuficiência cardíaca, cirrose, hipoalbuminemia). A tabela abaixo resume os critérios:
Critério
Exsudato
Transudato
Razão proteína pleural/sérica
> 0,5
< 0,5
Razão LDH pleural/sérico
> 0,6
< 0,6
LDH pleural
> 2/3 do limite superior do normal
< 2/3 do limite superior do normal
A pegadinha desta questão está em incluir parâmetros que não fazem parte dos critérios de Light, como pH, colesterol, triglicérides e adenosina deaminase. Esses exames são úteis em outros contextos (o colesterol pleural > 45 mg/dL sugere exsudato; a ADA > 50 U/L sugere tuberculose; o pH < 7,2 sugere derrame complicado), mas não são os critérios clássicos de diferenciação. A banca mistura esses marcadores com os verdadeiros critérios para confundir o candidato.
Guarde a estrutura dos critérios de Light: proteína (razão), LDH (razão) e LDH absoluto — sempre comparando líquido pleural com soro. É exatamente essa combinação que a alternativa correta apresenta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui pH do líquido pleural, que não faz parte dos critérios de Light. O pH é útil para avaliar derrames complicados (pH < 7,2 sugere derrame parapneumônico complicado ou empiema), mas não é critério para diferenciar exsudato de transudato. Além disso, a alternativa traz proteínas totais séricas sem a correspondente dosagem no líquido pleural, o que inviabiliza o cálculo da razão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Apresenta LDH sérico e proteínas totais séricas, mas omite as dosagens correspondentes no líquido pleural. Sem o LDH e a proteína do líquido, não é possível calcular as razões pleural/sérica que definem os critérios de Light. O colesterol do líquido pleural é um marcador auxiliar (nível > 45 mg/dL sugere exsudato), mas não substitui os critérios clássicos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única alternativa que apresenta corretamente os parâmetros dos critérios de Light: LDH sérico, LDH do líquido pleural, proteínas totais séricas e proteínas totais do líquido pleural. Com essas quatro dosagens, é possível calcular as duas razões (proteína pleural/sérica e LDH pleural/sérico) e comparar o LDH pleural com o limite superior do normal do LDH sérico — exatamente os três critérios que definem exsudato vs. transudato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Inclui triglicérides do líquido pleural, que é um marcador de quilotórax (derrame quiloso, com triglicérides > 110 mg/dL), e colesterol do líquido pleural, que é um marcador auxiliar de exsudato. No entanto, não apresenta as dosagens séricas de LDH e proteínas, que são essenciais para os critérios de Light. A alternativa mistura marcadores de outras condições com a diferenciação exsudato/transudato.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Apresenta adenosina deaminase (ADA) do líquido pleural, que é um marcador de derrame tuberculoso (níveis > 50 U/L são sugestivos), e LDH sérico e proteínas totais do líquido pleural. Embora inclua alguns parâmetros dos critérios de Light, omite o LDH do líquido pleural e as proteínas séricas, impossibilitando o cálculo das razões pleural/sérica. A ADA não faz parte dos critérios de Light.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora incluir marcadores que são úteis em outros contextos (pH, colesterol, triglicérides, ADA) para confundir com os critérios de Light. Lembre-se: os critérios de Light são apenas proteína (razão pleural/sérica), LDH (razão pleural/sérico) e LDH absoluto do líquido. Qualquer outro parâmetro é distrator.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os critérios de Light, pense em "P e L": Proteína (razão > 0,5) e LDH (razão > 0,6 ou LDH pleural > 2/3 do limite superior do normal). Sempre que a questão pedir diferenciação exsudato/transudato, procure essas duas dosagens no líquido e no soro.