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Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg727902
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Paciente masculino, 23 anos, vai ao pronto-socorro devido a quadro de febre iniciada há uma semana, acompanhada de prostração leve e sudorese noturna. Piorou nas últimas 48 horas com dispneia aos pequenos esforços e tosse seca persistente e refere perda ponderal de 3 quilos nas últimas 2 semanas. Após avaliação clínica inicial, foi solicitado raio-X de tórax que mostrou derrame pleural à direita velando metade do hemitórax. Foi submetido à punção pleural que revelou líquido branco fluido, sem grumos, inodoro. Ao ser acionado pelo plantão como cirurgião torácico, qual das condutas a seguir lhe parece mais adequada ao caso?
  1. AEncaminhar o paciente para o centro cirúrgico para pleuroscopia com descorticação pulmonar e drenagem pleural.
  2. BSolicitar exames do líquido pleural (gram, cultura, LDH, pH, citometria, triglicérides, colesterol, proteínas totais); fazer punção pleural de alívio e solicitar tomografia computadorizada de tórax para melhor estudo do quadro.
  3. CEncaminhar ao centro cirúrgico para drenagem pleural em selo d'água e iniciar antibioticoterapia.
  4. DRealizar biopsia percutânea de pleura com agulha e encaminhar o paciente para avaliação ambulatorial com pneumologista.
  5. EFazer punção pleural de alívio e iniciar antibioticoterapia oral em regime ambulatorial.
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GabaritoB — Solicitar exames do líquido pleural (gram, cultura, LDH, pH, citometria, triglicérides, colesterol, proteínas totais); fazer punção pleural de alívio e solicitar tomografia computadorizada de tórax para melhor estudo do quadro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derrame pleural: abordagem diagnóstica e terapêutica inicial

Gabarito: letra B. Diante de um derrame pleural volumoso (velando metade do hemitórax) em paciente jovem com febre, sudorese noturna e perda ponderal, a conduta mais adequada é complementar a investigação diagnóstica — análise completa do líquido pleural, punção de alívio e tomografia de tórax — antes de qualquer decisão terapêutica definitiva. A apresentação clínica (febre há uma semana, sudorese noturna, emagrecimento) e as características do líquido (branco fluido, sem grumos, inodoro) sugerem fortemente derrame parapneumônico complicado ou empiema em fase inicial, mas também levantam a hipótese de tuberculose pleural — e é exatamente por isso que a conduta correta é a investigação, não a intervenção cirúrgica imediata.

O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, entre a pleura visceral e a parietal. Ele não é uma doença em si, mas a manifestação de uma doença de base — pneumonia, tuberculose, neoplasia, insuficiência cardíaca, embolia pulmonar, entre outras. Por isso, a abordagem inicial de um derrame pleural de causa indeterminada é sempre diagnóstica: a punção pleural (toracocentese) é o primeiro passo, e o líquido obtido deve ser submetido a uma bateria de exames que vão orientar o diagnóstico etiológico. A classificação do derrame em transudato ou exsudato (critérios de Light) é o ponto de partida: transudatos ocorrem por desequilíbrio hidrostático/oncótico (insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica), enquanto exsudatos indicam processo inflamatório ou neoplásico local (pneumonia, tuberculose, neoplasia, embolia pulmonar). No caso apresentado, o derrame volumoso em paciente com febre e emagrecimento é claramente um exsudato, e a investigação deve buscar a causa.

A análise do líquido pleural deve incluir: proteínas totais e albumina (para cálculo do gradiente e classificação em transudato/exsudato), LDH (também para os critérios de Light), pH (pH < 7,20 sugere empiema ou derrame parapneumônico complicado), glicose (baixa em empiema, artrite reumatoide e neoplasia), citologia (contagem diferencial de células — predomínio de linfócitos sugere tuberculose ou neoplasia; neutrófilos sugerem processo bacteriano), cultura e bacterioscopia (gram) para identificação do agente infeccioso, e triglicérides e colesterol para investigar quilotórax (líquido leitoso). No caso, o líquido é descrito como "branco fluido, sem grumos, inodoro" — essa descrição é importante: um líquido leitoso (quilo) tem aspecto de leite homogêneo, enquanto um empiema clássico é purulento, com grumos e odor fétido. O líquido branco fluido e inodoro pode representar um quilotórax (lesão do ducto torácico) ou um empiema em fase inicial, ainda não franco — daí a importância de dosar triglicérides e colesterol, além da cultura e do gram.

A tomografia computadorizada de tórax é fundamental na avaliação do derrame pleural: ela permite melhor caracterização do líquido (loculações, espessamento pleural), avalia o parênquima pulmonar subjacente (pneumonia, massa, cavitação) e o mediastino, e orienta a decisão terapêutica — por exemplo, se há necessidade de drenagem cirúrgica ou se o derrame pode ser manejado clinicamente. A punção pleural de alívio (toracocentese terapêutica) está indicada quando o derrame é volumoso e causa dispneia significativa, como no caso (dispneia aos pequenos esforços). Ela alivia os sintomas enquanto a investigação diagnóstica prossegue. A conduta da alternativa B — solicitar exames do líquido, fazer punção de alívio e solicitar TC de tórax — é exatamente a abordagem inicial correta e completa para um derrame pleural de causa indeterminada.

A pegadinha desta questão está na tentação de "agir" imediatamente: encaminhar para drenagem cirúrgica (alternativas A e C) ou iniciar antibiótico empírico (alternativas D e E) sem antes completar a investigação. O cirurgião torácico, embora seja o especialista em procedimentos pleurais, deve primeiro diagnosticar para depois tratar. A drenagem pleural em selo d'água (alternativa C) é indicada para empiema estabelecido (líquido purulento, pH < 7,20, glicose baixa) ou derrame parapneumônico complicado — mas, no caso, ainda não temos esses dados; o líquido é fluido e inodoro, e a hipótese de tuberculose pleural (que não se beneficia de drenagem, mas sim de tratamento medicamentoso) é forte. A pleuroscopia com descorticação (alternativa A) é um procedimento cirúrgico mais invasivo, reservado para empiema organizado com septações ou para diagnóstico de derrames neoplásicos — não é a primeira conduta. A biópsia percutânea de pleura (alternativa D) pode ser útil na suspeita de tuberculose ou neoplasia, mas não é o primeiro passo — a análise do líquido vem antes. E o tratamento ambulatorial com antibiótico oral (alternativa E) é completamente inadequado para um derrame volumoso com dispneia, que exige internação e investigação.

Guarde a sequência lógica da abordagem do derrame pleural: 1º diagnosticar (punção + análise do líquido), 2º aliviar sintomas (punção de alívio se volumoso), 3º investigar a causa (TC, exames complementares), 4º tratar a causa (antibiótico, drenagem, quimioterapia, etc.). É exatamente essa sequência que a alternativa B respeita, e é nela que as alternativas se dividem.

  1. 1Punção + análise do líquido
  2. 2Punção de alívio (se volumoso)
  3. 3TC de tórax (investigar causa)
  4. 4Tratar a causa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Encaminhar diretamente para pleuroscopia com descorticação pulmonar e drenagem pleural é uma conduta precipitada e invasiva. A pleuroscopia (videotoracoscopia) é um procedimento cirúrgico indicado para diagnóstico de derrames pleurais de causa indeterminada (biópsia pleural guiada) ou para tratamento de empiema organizado com septações, quando a drenagem simples não é eficaz. No caso, ainda não temos a etiologia definida — o líquido é fluido, sem grumos, inodoro, o que não caracteriza empiema estabelecido. A descorticação pulmonar é uma cirurgia de grande porte, reservada para empiema crônico com espessamento pleural e pulmão aprisionado. Realizar esse procedimento como primeira conduta, sem investigação diagnóstica prévia, é um erro grave — pode ser um derrame tuberculoso (que não se beneficia de descorticação) ou um quilotórax (que tem tratamento clínico/dietético inicial). A conduta correta é sempre investigar antes de operar.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais adequada e completa. Solicitar exames do líquido pleural (gram, cultura, LDH, pH, citometria, triglicérides, colesterol, proteínas totais) é o passo fundamental para classificar o derrame (transudato/exsudato) e identificar a etiologia (infecciosa, neoplásica, quilosa). Fazer punção pleural de alívio é indicado porque o derrame é volumoso (vela metade do hemitórax) e o paciente tem dispneia aos pequenos esforços — a toracocentese terapêutica alivia os sintomas imediatamente. Solicitar tomografia computadorizada de tórax é essencial para avaliar o parênquima pulmonar, o mediastino e as características do derrame (loculações, espessamento pleural), orientando a conduta subsequente. Essa tríade — análise do líquido, alívio sintomático e imagem avançada — é exatamente o que a boa prática médica recomenda para um derrame pleural de causa indeterminada em paciente com sintomas sistêmicos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Encaminhar ao centro cirúrgico para drenagem pleural em selo d'água e iniciar antibioticoterapia é precipitado. A drenagem torácica está indicada para empiema estabelecido (líquido purulento, pH < 7,20, glicose < 40 mg/dL, cultura positiva) ou derrame parapneumônico complicado — mas, no caso, o líquido é fluido, sem grumos e inodoro, não caracterizando empiema. Além disso, a hipótese de tuberculose pleural é forte (febre, sudorese noturna, perda ponderal, derrame volumoso em jovem) — e nesse caso a drenagem não é o tratamento; o tratamento é medicamentoso (esquema RIPE). Iniciar antibioticoterapia empírica sem diagnóstico é igualmente inadequado: se for tuberculose, o antibiótico comum não terá efeito; se for quilotórax, o antibiótico é inútil. A conduta correta é investigar antes de drenar e medicar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Realizar biópsia percutânea de pleura com agulha e encaminhar para avaliação ambulatorial é uma conduta incompleta e prematura. A biópsia pleural percutânea (agulha de Cope ou Abrams) é indicada quando há suspeita de tuberculose pleural ou neoplasia pleural, mas não é o primeiro passo — a análise do líquido pleural vem antes e pode já fornecer o diagnóstico (por exemplo, citologia positiva para células neoplásicas ou cultura positiva para Mycobacterium tuberculosis). Além disso, encaminhar o paciente para avaliação ambulatorial é inadequado: ele tem derrame volumoso com dispneia aos pequenos esforços, necessitando de internação para punção de alívio e investigação. A biópsia, se necessária, deve ser feita após a análise do líquido e idealmente com o paciente internado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fazer punção pleural de alívio e iniciar antibioticoterapia oral em regime ambulatorial é completamente inadequado. O paciente tem derrame volumoso (metade do hemitórax) com dispneia aos pequenos esforços — isso exige internação hospitalar para monitorização, punção de alívio e investigação diagnóstica. Tratar ambulatorialmente um derrame pleural volumoso com antibiótico oral empírico é um erro grave: não se sabe a etiologia (pode ser tuberculose, neoplasia, quilotórax), e o antibiótico oral não trata nenhuma dessas causas. Além disso, a punção de alívio isolada, sem análise completa do líquido e sem seguimento, não resolve o problema — o derrame pode recorrer. A conduta correta é internar o paciente, puncionar para diagnóstico e alívio, e investigar a causa antes de qualquer tratamento específico.

Gabarito: letra B — a conduta mais adequada é solicitar exames do líquido pleural, fazer punção de alívio e solicitar tomografia de tórax, pois a prioridade é o diagnóstico etiológico do derrame antes de qualquer intervenção terapêutica definitiva.

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