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Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg727903
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Paciente feminina, 72 anos, nódulo pulmonar de 2,7cm no lobo superior esquerdo, sólido, com biopsia por agulha mostrando adenocarcinoma primário pulmonar. PET-CT com captação apenas na lesão pulmonar. Ex-tabagista 35 anos/maço, parou há 23 anos. Na história clínica, tem relato de AVC isquêmico há 3 anos, com sequela motora mínima na mão esquerda e quadro de angina instável tratada há 5 anos com angioplastia sem intercorrências. A função pulmonar mostra VEF1 78% (1,12L) e difusão de monóxido de carbono de 69%. Em relação à avaliação pré-operatória dessa paciente, assinale a alternativa correta.
  1. AA paciente tem condições de ser submetida à lobectomia para tratamento do câncer com risco aceitável.
  2. BHá indicação de teste cardiopulmonar de esforço para melhor predição do risco cirúrgico.
  3. CA paciente deve ser melhor avaliada do ponto de vista cardiológico; a função pulmonar está adequada para a proposta de lobectomia.
  4. DHá indicação de avaliação funcional isquêmica cardiológica; deve ser também indicada melhor avaliação da função respiratória, podendo ser usados testes de baixa complexidade (teste de caminhada ou de escada).
  5. EPelos achados funcionais, deve ser considerado tratamento menos invasivo (radioterapia estereotáxica) ou ressecção sublobar para evitar complicações respiratórias no pós-operatório.
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GabaritoD — Há indicação de avaliação funcional isquêmica cardiológica; deve ser também indicada melhor avaliação da função respiratória, podendo ser usados testes de baixa complexidade (teste de caminhada ou de escada).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação pré-operatória em cirurgia torácica oncológica

Gabarito: letra D. A paciente apresenta adenocarcinoma pulmonar primário com PET-CT sem evidência de doença metastática, porém com função pulmonar limítrofe (VEF1 78% e DLCO 69%) e história de doença cardiovascular relevante (AVC isquêmico e angina instável tratada). Nesse cenário, a avaliação pré-operatória deve incluir avaliação funcional isquêmica cardiológica e melhor avaliação da função respiratória, podendo ser usados testes de baixa complexidade como o teste de caminhada ou de escada — exatamente o que afirma a alternativa D. A conduta correta não é liberar a lobectomia de imediato (A), nem indicar diretamente teste cardiopulmonar de esforço (B), nem considerar a função pulmonar adequada sem mais investigação (C), nem pular para tratamento menos invasivo sem essa avaliação (E).

A avaliação pré-operatória do paciente com câncer de pulmão candidato à ressecção cirúrgica é um processo em etapas, que busca estimar o risco de complicações e de mortalidade pós-operatória. O objetivo é identificar pacientes com risco aceitável para a cirurgia proposta, evitando tanto a recusa indevida de uma cirurgia potencialmente curativa quanto a exposição a um risco cirúrgico proibitivo. Essa avaliação combina a função pulmonar (espirometria e DLCO), a reserva cardiopulmonar (teste de exercício) e o risco cardíaco (escores e testes funcionais).

No caso apresentado, a paciente tem 72 anos, é ex-tabagista com carga tabágica de 35 anos-maço, e apresenta VEF1 de 78% do previsto (1,12 L) e DLCO de 69% do previsto. Esses valores estão acima dos limites clássicos de inoperabilidade (VEF1 e DLCO < 40% do previsto), mas a DLCO reduzida (< 80%) já é um fator de risco independente para complicações pulmonares pós-operatórias. Além disso, a paciente tem história de AVC isquêmico e angina instável tratada com angioplastia, o que a coloca em uma categoria de risco cardíaco intermediário a alto para cirurgia não cardíaca. A diretriz do American College of Chest Physicians (ACCP) e da European Respiratory Society (ERS) recomenda que, quando o VEF1 ou a DLCO são < 80% do previsto, deve-se realizar uma avaliação adicional da reserva cardiopulmonar, que pode ser feita com testes de baixa complexidade (teste de caminhada de 6 minutos ou teste de escada) ou com teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) formal.

A alternativa D é a mais completa e correta porque reconhece a necessidade de dupla avaliação: cardiológica (funcional isquêmica, dado o histórico de doença coronariana) e respiratória (melhor avaliação da função, com testes de baixa complexidade). As demais alternativas são incompletas ou precipitadas: a A libera a cirurgia sem considerar os fatores de risco; a B indica diretamente o TCPE, que não é o primeiro passo (os testes de baixa complexidade vêm antes); a C subestima a função pulmonar (DLCO 69% não é "adequada"); e a E sugere tratamento menos invasivo sem antes completar a avaliação, o que seria uma decisão precipitada.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia dos testes na avaliação funcional: muitos candidatos pulam direto para o teste cardiopulmonar de esforço (TCPE) quando a função pulmonar está limítrofe, mas a diretriz recomenda começar com testes de baixa complexidade (caminhada ou escada) e só então, se necessário, avançar para o TCPE. Além disso, a banca explora a confusão entre "função pulmonar adequada" e "função pulmonar limítrofe": VEF1 78% e DLCO 69% não são valores normais, mas também não são contraindicação absoluta — exigem investigação adicional.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a paciente tem condições de ser submetida à lobectomia com risco aceitável. Isso é precipitado: a função pulmonar está limítrofe (DLCO 69%) e há histórico de doença cardiovascular relevante. A avaliação pré-operatória não foi completada — falta a avaliação funcional isquêmica cardiológica e a melhor avaliação da função respiratória. Liberar a cirurgia sem esses passos contraria as diretrizes de avaliação pré-operatória em cirurgia torácica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Indica diretamente o teste cardiopulmonar de esforço (TCPE) para melhor predição do risco cirúrgico. Embora o TCPE seja o padrão-ouro para avaliar a reserva cardiopulmonar, ele não é o primeiro passo na hierarquia de avaliação. Quando o VEF1 ou a DLCO estão entre 40% e 80% do previsto, a recomendação é iniciar com testes de baixa complexidade (teste de caminhada de 6 minutos ou teste de escada). O TCPE fica reservado para quando esses testes não são conclusivos ou quando há dúvida significativa. Além disso, a alternativa não menciona a avaliação cardiológica isquêmica, que também é necessária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a paciente deve ser melhor avaliada do ponto de vista cardiológico, mas que a função pulmonar está adequada para a lobectomia. Isso é incorreto: a DLCO de 69% do previsto não é considerada adequada — valores < 80% já indicam necessidade de avaliação adicional da reserva cardiopulmonar. A função pulmonar está limítrofe, não adequada. A alternativa acerta ao pedir melhor avaliação cardiológica, mas erra ao considerar a função pulmonar adequada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. Ela reconhece a necessidade de dupla avaliação: (1) avaliação funcional isquêmica cardiológica, dado o histórico de AVC isquêmico e angina instável tratada; e (2) melhor avaliação da função respiratória, pois VEF1 78% e DLCO 69% são limítrofes. A alternativa também menciona corretamente que podem ser usados testes de baixa complexidade (teste de caminhada ou de escada) para essa avaliação adicional, seguindo a hierarquia recomendada pelas diretrizes. É a conduta mais completa e alinhada com a prática clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sugere que, pelos achados funcionais, deve ser considerado tratamento menos invasivo (radioterapia estereotáxica) ou ressecção sublobar. Isso é precipitado: os achados funcionais (VEF1 78%, DLCO 69%) não são contraindicação absoluta para lobectomia. Antes de decidir por tratamento menos invasivo, é necessário completar a avaliação com testes de baixa complexidade e avaliação cardiológica. A decisão de optar por tratamento menos invasivo só deve ser tomada após essa avaliação adicional, se o risco cirúrgico for considerado inaceitável.

Gabarito: letra D

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