Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727905
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Em uma reunião multidisciplinar semanal da equipe de oncologia torácica, foi apresentado o seguinte caso: paciente do sexo feminino, 83 anos, nódulo semissólido no segmento posterior do lobo superior direito com 1,2 cm de maior diâmetro, já presente em exame de um ano antes com 1,0 cm. PET-CT com captação leve (SUV max = 4,3) no nódulo sem outras áreas de captação anômala. Paciente com VEF1 88% do previsto, DLCO 78% do previsto. Obesidade grau II, hipotireoidismo controlado, sem queixas respiratórias específicas. A respeito desse caso, foram apresentadas 4 opiniões de conduta:I. indicação de cirurgia curativa com segmentectomia anatômica S2D e linfadenectomia mediastinal lobo específica;II. biopsia percutânea para diagnóstico diferencial da lesão antes de indicar tratamento invasivo;III. radioterapia estereotáxica para tratamento não invasivo por se tratar de paciente octagenária com várias comorbidades associadas;IV. seguimento radiológico pelo pequeno crescimento em 12 meses;Quanto às condutas indicadas, estão corretas:
Aapenas I e II.
Bapenas II e IV.
Capenas II, III e IV.
Dapenas I, III e IV.
Eapenas III e IV.
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GabaritoA — apenas I e II.
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Nódulo pulmonar subsólido: manejo e decisão terapêutica
Gabarito: letra A. No caso apresentado, as condutas corretas são I e II: a paciente tem um nódulo pulmonar subsólido com crescimento (de 1,0 cm para 1,2 cm em 12 meses), o que indica necessidade de investigação diagnóstica definitiva (biópsia) e, uma vez confirmada malignidade, tratamento cirúrgico curativo com segmentectomia anatômica e linfadenectomia mediastinal. A radioterapia estereotáxica (III) e o seguimento radiológico (IV) são condutas inadequadas neste cenário, pois a paciente é candidata a tratamento cirúrgico com boa função pulmonar (VEF1 88%, DLCO 78%) e o crescimento do nódulo contraindica apenas observação.
O nódulo pulmonar subsólido é uma lesão que contém componente em vidro fosco, podendo ser puramente ground-glass (GGO) ou parcialmente sólido (parte sólida + vidro fosco). O manejo dessas lesões é guiado por diretrizes como as da Fleischner Society e do NCCN, que levam em conta o tamanho, a morfologia, o crescimento e o risco do paciente. No caso, o nódulo tem 1,2 cm, é semissólido e apresentou crescimento de 2 mm em 12 meses — um achado que aumenta a suspeita de malignidade e, portanto, exige confirmação diagnóstica antes de qualquer decisão terapêutica definitiva.
A biópsia percutânea (conduta II) é o passo inicial correto para obter diagnóstico histológico, especialmente porque o PET-CT mostrou captação leve (SUV max 4,3), que não é específica e pode ocorrer em lesões benignas ou malignas de baixa agressividade. A confirmação diagnóstica é essencial para evitar tratamento invasivo desnecessário em uma paciente idosa com comorbidades, mas também para não atrasar o tratamento de um possível câncer de pulmão em estágio inicial.
Uma vez confirmado o diagnóstico de carcinoma de pulmão de não pequenas células (CPNPC) em estágio clínico I (T1c N0 M0, considerando o tamanho de 1,2 cm), a cirurgia é o tratamento de escolha. A segmentectomia anatômica (conduta I) é uma ressecção sublobar que preserva parênquima pulmonar, sendo particularmente indicada em pacientes com função pulmonar limítrofe ou com lesões pequenas periféricas. A linfadenectomia mediastinal lobo-específica é parte obrigatória do estadiamento cirúrgico, permitindo avaliar comprometimento linfonodal e orientar o tratamento adjuvante. A paciente tem VEF1 88% e DLCO 78%, o que indica boa reserva funcional e a torna candidata a ressecção cirúrgica com segurança.
A radioterapia estereotáxica (SBRT) (conduta III) é uma alternativa para pacientes inoperáveis ou de alto risco cirúrgico. Embora a paciente seja octogenária e tenha obesidade grau II e hipotireoidismo, sua função pulmonar é preservada e não há contraindicação cirúrgica evidente. A SBRT seria considerada apenas se a paciente recusasse a cirurgia ou se a avaliação de risco cirúrgico (por exemplo, pelo escore de Charlson ou avaliação cardiológica) indicasse alto risco de complicações. No entanto, a simples idade avançada e comorbidades controladas não são contraindicação absoluta à cirurgia, e a ressecção cirúrgica oferece melhor controle local e oportunidade de cura.
O seguimento radiológico (conduta IV) seria apropriado apenas para nódulos subsólidos sem crescimento ou com crescimento mínimo em intervalos curtos, conforme as diretrizes da Fleischner Society. No entanto, o crescimento de 2 mm em 12 meses em um nódulo semissólido é um sinal de alerta que indica necessidade de intervenção diagnóstica, não de observação continuada. A conduta de vigilância seria aceitável apenas se o nódulo fosse puramente ground-glass, menor que 6 mm, ou se a paciente tivesse risco cirúrgico proibitivo — o que não é o caso.
A decisão entre as condutas I e II versus III e IV depende, portanto, da avaliação do risco cirúrgico e da probabilidade de malignidade. A paciente tem boa função pulmonar, o que favorece a cirurgia, e o crescimento do nódulo aumenta a suspeita de malignidade, o que contraindica a observação. A biópsia é necessária para confirmar o diagnóstico antes da cirurgia, mas a cirurgia é o tratamento definitivo indicado. A SBRT e o seguimento são opções para pacientes inoperáveis ou com lesões de baixo risco, o que não se aplica a este caso.
Nódulo pulmonar subsólido
1Características
Semissólido (GGO + parte sólida)
Crescimento (1,0 → 1,2 cm em 12 meses)
PET-CT: captação leve (SUV 4,3)
2Conduta indicada
Biópsia percutânea (confirma diagnóstico)
Segmentectomia anatômica + linfadenectomia
3Conduta inadequada
Radioterapia estereotáxica (reservada a inoperáveis)
Seguimento radiológico (crescimento contraindica)
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Item I — ✅ Correto
A segmentectomia anatômica S2D com linfadenectomia mediastinal lobo-específica é uma conduta adequada para o tratamento curativo de um nódulo pulmonar suspeito de malignidade em estágio inicial, especialmente em paciente com boa função pulmonar. A ressecção sublobar anatômica é aceitável para tumores ≤ 2 cm com características de baixa agressividade, e a linfadenectomia é parte do estadiamento cirúrgico. A paciente tem VEF1 88% e DLCO 78%, indicando reserva funcional suficiente para a cirurgia.
Item II — ✅ Correto
A biópsia percutânea é indicada para obter diagnóstico histológico antes de tratamento invasivo definitivo. O nódulo semissólido com crescimento e captação leve no PET-CT (SUV max 4,3) não é diagnóstico de malignidade, e a confirmação por biópsia evita cirurgia desnecessária em caso de lesão benigna. A biópsia é o padrão-ouro para diferenciar lesões benignas de malignas e orientar a conduta.
Item III — ❌ Incorreto
A radioterapia estereotáxica é reservada para pacientes inoperáveis ou de alto risco cirúrgico. A paciente é octogenária e tem comorbidades, mas sua função pulmonar é preservada (VEF1 88%, DLCO 78%) e não há contraindicação cirúrgica evidente. A idade avançada e comorbidades controladas não são contraindicação absoluta à cirurgia, e a SBRT seria uma opção apenas se a paciente recusasse a cirurgia ou se a avaliação de risco indicasse alto risco de complicações. Portanto, a SBRT não é a conduta de primeira escolha neste caso.
Item IV — ❌ Incorreto
O seguimento radiológico seria apropriado apenas para nódulos sem crescimento ou com crescimento mínimo em intervalos curtos, conforme as diretrizes da Fleischner Society. O crescimento de 2 mm em 12 meses em um nódulo semissólido é um sinal de alerta que indica necessidade de intervenção diagnóstica, não de observação continuada. A conduta de vigilância seria aceitável apenas se o nódulo fosse puramente ground-glass, menor que 6 mm, ou se a paciente tivesse risco cirúrgico proibitivo — o que não é o caso.
Conclusão: Corretos: I e II → portanto a alternativa é a letra A.