Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg727906
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Em relação à função cardiorrespiratória em pacientes submetidos à ressecção pulmonar para tratamento do câncer de pulmão, assinale a alternativa INCORRETA.
APacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, a despeito da maior vulnerabilidade aos impactos de uma ressecção pulmonar por neoplasia, normalmente exprimem menores declínios no VEF1 após lobectomia do que aqueles sem DPOC.
BAs intervenções cardíacas mais invasivas (angioplastias percutâneas ou revascularizacões cirúrgicas) devem ser reservadas apenas aos pacientes que delas necessitarem, independentemente da perspectiva da cirurgia oncológica, visto que, quando indicadas especificamente para o período pré-operatório, têm benefício limitado, não reduzindo a mortalidade nem a incidência de eventos cardiovasculares maiores.
CPacientes submetidos a lobectomias apresentam um período razoavelmente longo de recuperação funcional, que normalmente se estabiliza aproximadamente seis meses após a cirurgia.
DNos pacientes que se submetem a pneumonectomias, a recuperação geralmente é limitada ao fim de três meses.
EA perda funcional pulmonar não está relacionada com a localização da ressecção e heterogeneidade regional do acometimento pulmonar por algumas doenças.
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GabaritoE — A perda funcional pulmonar não está relacionada com a localização da ressecção e heterogeneidade regional do acometimento pulmonar por algumas doenças.
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Função cardiorrespiratória após ressecção pulmonar no câncer de pulmão
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que a perda funcional pulmonar não está relacionada com a localização da ressecção e a heterogeneidade regional do acometimento pulmonar. Na prática, a perda funcional depende diretamente da quantidade e da qualidade do parênquima ressecado: ressecções de lobos superiores, por exemplo, cursam com menor declínio funcional que ressecções de lobos inferiores, e doenças heterogêneas (como o enfisema) fazem com que a perda seja menor quando se remove as áreas mais doentes. Essa relação é um dos pilares do planejamento cirúrgico oncológico.
A avaliação da função cardiorrespiratória antes da ressecção pulmonar visa estimar o risco cirúrgico e prever a função pulmonar pós-operatória. O VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e a DLCO (capacidade de difusão do monóxido de carbono) são os principais preditores. A perda funcional após a cirurgia não é uniforme: ela depende do volume ressecado, da localização (lobo superior vs. inferior), da presença de doença heterogênea (como enfisema) e da capacidade de compensação do restante do pulmão. Por isso, a afirmação da alternativa E, ao negar essa relação, contraria o conhecimento consolidado.
A alternativa A está correta: pacientes com DPOC, apesar de mais vulneráveis, frequentemente apresentam menor declínio do VEF1 após lobectomia. Isso ocorre porque, nesses pacientes, parte do parênquima já está destruída e não contribui para a função; ao remover o lobo doente, a perda funcional é menor do que em pacientes com pulmões homogêneos. A alternativa B também está correta: intervenções cardíacas invasivas (angioplastia, revascularização) só devem ser indicadas quando há necessidade clínica, pois, no pré-operatório de cirurgia oncológica, não reduzem mortalidade nem eventos cardiovasculares maiores. A alternativa C está correta: após lobectomia, a recuperação funcional se estabiliza em torno de seis meses. A alternativa D está correta: após pneumonectomia, a recuperação geralmente se limita ao fim de três meses.
A pegadinha da questão está na alternativa E, que inverte a relação entre a perda funcional e a localização/heterogeneidade da doença. O candidato pode ser levado a pensar que a perda é sempre proporcional ao volume ressecado, mas a qualidade do parênquima e a distribuição regional da doença são fatores decisivos. Por exemplo, em um paciente com enfisema heterogêneo, a ressecção do lobo mais comprometido pode até melhorar a função, pois remove áreas não funcionais e permite a expansão de áreas saudáveis.
Perda funcional após ressecção pulmonar
1Depende do volume ressecado
2Depende da localização
Lobos superiores → menor declínio
Lobos inferiores → maior declínio
3Depende da heterogeneidade da doença
Pulmão homogêneo → maior perda proporcional
Pulmão heterogêneo (enfisema) → menor perda
4Recuperação funcional
Lobectomia → estabiliza ~6 meses
Pneumonectomia → limita ~3 meses
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Alternativa A — ✅ Correta
A afirmação está correta. Pacientes com DPOC, apesar de mais vulneráveis aos impactos da ressecção, normalmente apresentam menores declínios no VEF1 após lobectomia do que aqueles sem DPOC. Isso ocorre porque, na DPOC, parte do parênquima já está destruída (enfisema) e não contribui para a função; ao remover o lobo doente, a perda funcional é menor do que em pacientes com pulmões homogêneos. O conceito por trás é a reserva funcional: o pulmão remanescente compensa parcialmente a perda, e essa compensação é mais eficiente quando há áreas de parênquima preservado.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmação está correta. Intervenções cardíacas invasivas (angioplastia percutânea ou revascularização cirúrgica) devem ser reservadas apenas aos pacientes que delas necessitarem, independentemente da perspectiva da cirurgia oncológica. Quando indicadas especificamente para o período pré-operatório, têm benefício limitado, não reduzindo a mortalidade nem a incidência de eventos cardiovasculares maiores. O conceito é que a revascularização pré-operatória não melhora desfechos em pacientes estáveis; a indicação deve seguir critérios cardiológicos, não oncológicos.
Alternativa C — ✅ Correta
A afirmação está correta. Pacientes submetidos a lobectomias apresentam um período razoavelmente longo de recuperação funcional, que normalmente se estabiliza aproximadamente seis meses após a cirurgia. Esse é o tempo necessário para que o pulmão remanescente se expanda e compense a perda funcional, com melhora progressiva do VEF1 e da capacidade de exercício.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmação está correta. Nos pacientes que se submetem a pneumonectomias, a recuperação geralmente é limitada ao fim de três meses. Como a perda funcional é maior (remoção de um pulmão inteiro), a compensação é mais limitada e o platô funcional é atingido mais precocemente, em torno de três meses.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação está incorreta. A perda funcional pulmonar está diretamente relacionada com a localização da ressecção e a heterogeneidade regional do acometimento pulmonar. Por exemplo, ressecções de lobos superiores cursam com menor declínio funcional que ressecções de lobos inferiores, e doenças heterogêneas (como o enfisema) fazem com que a perda seja menor quando se remove as áreas mais doentes. O erro da alternativa é negar essa relação, que é um dos pilares do planejamento cirúrgico oncológico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a relação entre a perda funcional e a localização/heterogeneidade da doença. O candidato pode ser levado a pensar que a perda é sempre proporcional ao volume ressecado, mas a qualidade do parênquima e a distribuição regional da doença são fatores decisivos. Por exemplo, em um paciente com enfisema heterogêneo, a ressecção do lobo mais comprometido pode até melhorar a função, pois remove áreas não funcionais e permite a expansão de áreas saudáveis.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, lembre-se: a perda funcional após ressecção pulmonar depende do que foi removido e do que ficou. Se a alternativa diz que a perda "não está relacionada" com localização ou heterogeneidade, desconfie — é quase sempre a incorreta. Compare com a regra geral: quanto mais homogêneo o pulmão, maior a perda proporcional; quanto mais heterogêneo, menor a perda ao remover as áreas doentes.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois nega a relação entre a perda funcional e a localização/heterogeneidade da doença.