Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg727911
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Torácica
Em relação às recomendações sobre cessação do tabagismo em pacientes com câncer de pulmão que serão submetidos ao tratamento operatório, assinale a alternativa correta.
AÉ imprescindível que o paciente tabagista abandone o hábito antes do procedimento, pelo maior risco de complicações no pós-operatório.
BNão há diferença na incidência de complicações cirúrgicas em tabagistas ativos ou abstêmios, e a cessação deve ser recomendada após o tratamento operatório.
CA cessação do tabagismo deve ser ativa e estimulada em todos os momentos do tratamento e não afeta a indicação cirúrgica.
DSó há benefício de diminuição de complicações pós-operatórias se o paciente parar de fumar até duas semanas antes da cirurgia. Após esse período, a cessação pode complicar mais o procedimento pelo excesso de secreção na via aérea.
EHá indicação de esperar até 12 semanas para que o paciente encerre o hábito tabágico antes de realizar a cirurgia. Após esse período, o risco de progressão da doença é maior do que o de complicações pós-operatórias decorrentes do tabagismo.
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GabaritoC — A cessação do tabagismo deve ser ativa e estimulada em todos os momentos do tratamento e não afeta a indicação cirúrgica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cessação do tabagismo no perioperatório de câncer de pulmão
Gabarito: letra C. A cessação do tabagismo deve ser ativamente estimulada em todos os momentos do tratamento oncológico, incluindo o perioperatório, e não contraindica nem adia a cirurgia — o benefício da abstinência supera os riscos, e a conduta correta é oferecer suporte para parar de fumar o quanto antes, sem condicionar a indicação cirúrgica à cessação. Essa recomendação está alinhada às diretrizes de assistência oncológica, que consideram a identificação do tabagismo e as intervenções para sua cessação como parte essencial do cuidado do paciente com câncer.
O tabagismo é um fator de risco bem estabelecido para complicações pós-operatórias, especialmente pulmonares, em cirurgias torácicas. O monóxido de carbono da fumaça reduz a oxigenação tecidual, a nicotina causa vasoconstrição e há prejuízo na função mucociliar e na resposta imunológica — tudo isso aumenta o risco de atelectasia, pneumonia, deiscência de anastomose e má cicatrização. Por isso, a recomendação é que o paciente tabagista seja encorajado a parar de fumar o mais precocemente possível, idealmente semanas antes do procedimento eletivo, pois o abandono do tabagismo reduz as complicações pulmonares.
No entanto, é fundamental entender que a cessação do tabagismo não é um pré-requisito para a cirurgia. Em pacientes com câncer de pulmão, o tratamento cirúrgico é frequentemente curativo e o adiamento da operação pode permitir a progressão da doença. Assim, a conduta correta é oferecer intervenções para cessação — aconselhamento estruturado e farmacoterapia — em todos os momentos do tratamento, sem que a impossibilidade de parar de fumar impeça ou atrase a cirurgia. O paciente deve ser apoiado na tentativa de cessação, mas a decisão cirúrgica é baseada no estadiamento e na ressecabilidade do tumor, não no status tabágico.
A alternativa D traz uma ideia equivocada e perigosa: a de que parar de fumar até duas semanas antes da cirurgia seria benéfico, mas que após esse período a cessação poderia complicar o procedimento pelo excesso de secreção. Essa noção é um mito — não há evidência de que a cessação recente aumente complicações; pelo contrário, qualquer período de abstinência é benéfico, e quanto mais tempo sem fumar, menor o risco. A alternativa E, por sua vez, sugere esperar até 12 semanas para o paciente parar de fumar antes da cirurgia, o que não é recomendado, pois o atraso pode permitir a progressão tumoral — o risco de adiar o tratamento oncológico supera o benefício de uma abstinência mais prolongada.
A pegadinha central desta questão é a inversão entre o ideal e o obrigatório: é ideal que o paciente pare de fumar antes da cirurgia, mas não é obrigatório, e a cessação não deve atrasar o tratamento cirúrgico. A banca explora essa confusão nas alternativas A, D e E, que condicionam a cirurgia à cessação ou impõem prazos rígidos. A alternativa B erra ao afirmar que não há diferença de complicações entre tabagistas ativos e abstêmios — há diferença, e a cessação deve ser recomendada antes, não após, o tratamento operatório.
Guarde o critério decisivo: a cessação do tabagismo é sempre recomendada e nunca contraindica a cirurgia — é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Cessação do tabagismo no perioperatório
1Recomendação
Sempre estimulada
Em todos os momentos do tratamento
Quanto antes, menor o risco
2Indicação cirúrgica
Baseada no estadiamento e ressecabilidade
Não é condicionada à cessação
Não é adiada pela cessação
3Mitos a evitar
"Imprescindível parar antes"
"Prazo mágico de 2 semanas"
"Esperar 12 semanas"
"Cessação recente aumenta secreção"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que é imprescindível que o paciente abandone o hábito antes do procedimento. O erro está no termo "imprescindível": a cessação é altamente recomendada e benéfica, mas não é condição obrigatória para a realização da cirurgia. Em pacientes com câncer de pulmão, adiar a operação para aguardar a cessação pode permitir a progressão da doença, o que seria mais prejudicial. A conduta correta é estimular a cessação e oferecer suporte, mas sem condicionar a indicação cirúrgica a ela.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que não há diferença na incidência de complicações cirúrgicas entre tabagistas ativos e abstêmios. Isso é falso: o tabagismo ativo aumenta significativamente o risco de complicações pulmonares e de cicatrização no pós-operatório, e a cessação reduz esses riscos. Além disso, a alternativa sugere recomendar a cessação após o tratamento operatório, quando o correto é recomendá-la antes e durante todo o tratamento, incluindo o perioperatório.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a cessação do tabagismo deve ser ativa e estimulada em todos os momentos do tratamento e que não afeta a indicação cirúrgica. Isso está correto: a identificação do tabagismo e as intervenções para cessação são parte essencial da assistência oncológica, e parar de fumar diminui os riscos de complicações pós-operatórias. A cirurgia, por sua vez, é indicada com base no estadiamento e na ressecabilidade do tumor, e a cessação do tabagismo não deve ser um obstáculo para o tratamento cirúrgico — o paciente deve ser apoiado na tentativa de parar de fumar, mas a operação não deve ser adiada por isso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que só há benefício se o paciente parar de fumar até duas semanas antes da cirurgia e que, após esse período, a cessação poderia complicar o procedimento pelo excesso de secreção. Isso é um mito: qualquer período de abstinência é benéfico, e não há evidência de que parar de fumar próximo à cirurgia aumente complicações. O excesso de secreção é um efeito do tabagismo ativo, não da cessação. A recomendação é encorajar a cessação o mais cedo possível, mas nunca desencorajá-la por suposto risco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que há indicação de esperar até 12 semanas para o paciente parar de fumar antes da cirurgia. Isso não é recomendado: o adiamento do tratamento cirúrgico para aguardar a cessação pode permitir a progressão da doença, e o risco de complicações pós-operatórias decorrentes do tabagismo é menor que o risco de progressão tumoral. A conduta correta é operar no momento oportuno e oferecer suporte para cessação em paralelo, sem atrasar a cirurgia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "recomendado" e "obrigatório". Parar de fumar é sempre recomendado, mas não é condição para operar. As alternativas A, D e E tentam fazer você acreditar que a cirurgia depende da cessação ou que há prazos mágicos — na prática, a cirurgia é indicada pelo estadiamento, e a cessação é um apoio paralelo, nunca um obstáculo. Fique atento a termos como "imprescindível", "só há benefício se" e "esperar até" — eles sinalizam a armadilha.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão falar de tabagismo e cirurgia, lembre-se do tripé: (1) cessação sempre recomendada; (2) nunca contraindica a cirurgia; (3) quanto antes parar, melhor — mas nunca atrase o tratamento oncológico por causa do tabagismo. Se a alternativa trouxer prazo rígido ou condição obrigatória, desconfie.