Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg727915
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Paciente de 70 anos, com histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) avançada, doença arterial coronariana (DAC) e claudicação limitante. Sua angiotomografia (AngioTC) revela uma oclusão aortoilíaca extensa, classificada como TASC D. O cirurgião vascular deve decidir sobre uma reconstrução cirúrgica aberta (enxerto aortobifemoral) ou a abordagem endovascular. Considerando as comorbidades do paciente e a complexidade da lesão, qual é a recomendação mais adequada de acordo com os princípios do tratamento da Doença Arterial Obstrutiva Periférica?
APacientes classificados como de alto risco cirúrgico, devido a comorbidades como DPOC avançada e DAC grave, devem ser preferencialmente tratados por técnicas minimamente invasivas (endovascular), mesmo que a lesão seja classificada como TASC D.
BO paciente deve ser tratado apenas clinicamente, pois lesões TASC D em pacientes com múltiplas comorbidades graves apresentam risco cirúrgico proibitivo para qualquer procedimento invasivo.
CRecomenda-se, em casos de comorbidades que levam ao risco cirúrgico aumentado em relação a complicações cardiovasculares e pulmonares, que essas doenças crônicas sejam compensadas clinicamente, antes de realizar tratamento cirúrgico da doença arterial.
DEmbora o tratamento endovascular seja menos invasivo, ele é formalmente contraindicado em lesões TASC D, devendo-se priorizar o enxerto aortobifemoral pelo acesso extraperitoneal.
ETrata-se de um caso em que tanto tratamento endovascular quanto reconstrução cirúrgica aberta apresentam a mesma morbimortalidade pós-operatória, visto que as doenças de base são graves.
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GabaritoA — Pacientes classificados como de alto risco cirúrgico, devido a comorbidades como DPOC avançada e DAC grave, devem ser preferencialmente tratados por técnicas minimamente invasivas (endovascular), mesmo que a lesão seja classificada como TASC D.
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Doença Arterial Obstrutiva Periférica: TASC D e risco cirúrgico
Gabarito: letra A. Em pacientes com lesões TASC D e alto risco cirúrgico (DPOC avançada, DAC grave), a abordagem endovascular é preferível, mesmo em lesões complexas, pois o risco de complicações cardiovasculares e pulmonares da cirurgia aberta supera o benefício da maior durabilidade do enxerto. Essa recomendação segue os princípios das diretrizes de DAOP, que priorizam a técnica menos invasiva em pacientes de alto risco, independentemente da classificação TASC.
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma manifestação da aterosclerose que reduz o fluxo sanguíneo arterial para os membros, causando claudicação intermitente, dor isquêmica em repouso e, em casos graves, perda do membro. A classificação TASC (TransAtlantic Inter-Society Consensus) estratifica as lesões anatômicas da DAOP em tipos A, B, C e D, sendo o tipo D o mais complexo — caracterizado por oclusões extensas e difusas, como a oclusão aortoilíaca do paciente. Historicamente, lesões TASC D eram tratadas preferencialmente com cirurgia aberta (enxerto aortobifemoral), por oferecer maior durabilidade e melhores taxas de perviedade a longo prazo.
No entanto, a decisão terapêutica não se baseia apenas na anatomia da lesão. O risco cirúrgico do paciente, determinado por comorbidades como DPOC avançada e DAC grave, é um fator decisivo. A cirurgia aberta aortoilíaca é um procedimento de grande porte, com incisão abdominal ou retroperitoneal, clampeamento aórtico e anastomoses — o que impõe estresse cardiovascular e pulmonar significativo. Em pacientes com DPOC avançada, o risco de complicações pulmonares (pneumonia, insuficiência respiratória, ventilação mecânica prolongada) é elevado. Em pacientes com DAC grave, o risco de eventos cardíacos (IAM, arritmias, insuficiência cardíaca) é igualmente alto. A mortalidade perioperatória da cirurgia aberta nesse grupo pode chegar a 5-10%, dependendo da série.
As técnicas endovasculares (angioplastia com stent, recanalização, stents cobertos) evoluíram significativamente e hoje são capazes de tratar lesões complexas, incluindo TASC D, com menor morbimortalidade. Embora a perviedade a longo prazo possa ser inferior à da cirurgia aberta, o benefício imediato em pacientes de alto risco é claro: menor tempo de internação, menor sangramento, menor risco de complicações cardiopulmonares e recuperação mais rápida. As diretrizes atuais (ACC/AHA, ESVS) recomendam que a escolha entre endovascular e cirurgia aberta seja individualizada, considerando o risco cirúrgico, a expectativa de vida e a preferência do paciente. Em pacientes de alto risco, a abordagem endovascular é preferível, mesmo para lesões TASC D.
A alternativa C, embora mencione a compensação clínica das comorbidades, não é a recomendação mais adequada para o caso. A compensação clínica é sempre desejável antes de qualquer procedimento, mas não elimina o risco cirúrgico inerente à cirurgia aberta em um paciente com DPOC avançada e DAC grave. A alternativa A é a mais alinhada com os princípios atuais: priorizar a técnica menos invasiva em pacientes de alto risco, mesmo em lesões complexas.
A pegadinha desta questão está na tentação de escolher a alternativa C, que parece "prudente" ao sugerir compensar as comorbidades antes da cirurgia. No entanto, a banca quer que o candidato reconheça que, em pacientes de alto risco, a cirurgia aberta não é a primeira escolha, independentemente da compensação clínica. A alternativa A captura essa nuance ao afirmar que o tratamento endovascular é preferível mesmo em lesões TASC D.
DAOP: escolha da técnica
1Fatores da decisão
Anatomia da lesão (TASC A-D)
Risco cirúrgico (comorbidades)
Expectativa de vida
2Lesão TASC D
Cirurgia aberta (enxerto aortobifemoral)
Maior durabilidade
Alto risco cardiopulmonar
Endovascular (stent/recanalização)
Menor morbimortalidade
Menor perviedade
3Paciente de alto risco (DPOC, DAC)
Preferir endovascular
Evitar cirurgia aberta
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta porque reflete o princípio de individualização do tratamento da DAOP: em pacientes de alto risco cirúrgico (DPOC avançada, DAC grave), a abordagem endovascular é preferível, mesmo para lesões TASC D. A menor morbimortalidade do procedimento endovascular supera a menor durabilidade em relação à cirurgia aberta, especialmente em pacientes com expectativa de vida limitada pelas comorbidades. As diretrizes recomendam que a escolha da técnica seja baseada no risco cirúrgico, na anatomia da lesão e na expectativa de vida do paciente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque afirma que o paciente deve ser tratado apenas clinicamente, o que é inadequado. A claudicação limitante e a oclusão aortoilíaca extensa (TASC D) indicam a necessidade de revascularização para aliviar os sintomas e prevenir a progressão para isquemia crítica. O tratamento clínico isolado (controle de fatores de risco, exercício, medicação) é uma opção para claudicação leve a moderada, mas não é suficiente para lesões TASC D com sintomas limitantes. Além disso, a alternativa sugere que o risco cirúrgico é "proibitivo para qualquer procedimento invasivo", o que é falso — o risco é elevado para cirurgia aberta, mas o tratamento endovascular é uma opção viável e menos invasiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque, embora a compensação clínica das comorbidades seja sempre desejável antes de qualquer procedimento, ela não é a recomendação mais adequada para o caso. O paciente tem DPOC avançada e DAC grave, condições que não são totalmente reversíveis com compensação clínica. Mesmo com otimização clínica, o risco de complicações cardiopulmonares da cirurgia aberta permanece elevado. A alternativa ignora que a abordagem endovascular é preferível em pacientes de alto risco, independentemente da compensação clínica. A compensação clínica é um passo importante, mas não muda a recomendação de priorizar a técnica menos invasiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque afirma que o tratamento endovascular é formalmente contraindicado em lesões TASC D. Isso é falso — as técnicas endovasculares evoluíram e são capazes de tratar lesões complexas, incluindo TASC D, com bons resultados. Embora a cirurgia aberta (enxerto aortobifemoral) seja uma opção clássica para lesões TASC D, ela não é a única, e a contraindicação formal do endovascular não existe. A alternativa também sugere que a cirurgia aberta deve ser priorizada pelo acesso extraperitoneal, o que não é uma recomendação absoluta, especialmente em pacientes de alto risco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque afirma que o tratamento endovascular e a reconstrução cirúrgica aberta apresentam a mesma morbimortalidade pós-operatória. Isso é falso — a cirurgia aberta tem maior morbimortalidade perioperatória, especialmente em pacientes com comorbidades graves como DPOC avançada e DAC. O tratamento endovascular é menos invasivo e está associado a menor risco de complicações cardiopulmonares, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. A alternativa ignora a diferença fundamental de risco entre as duas abordagens.
Gabarito: letra A — a abordagem endovascular é preferível em pacientes de alto risco cirúrgico, mesmo em lesões TASC D.