Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg727924
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
A resposta endócrino-metabólica ao trauma grave ocorre em fases bem definidas. A fase inicial, conhecida como fase ebb (ou de choque), é o período de defesa imediata do organismo. Qual das seguintes alternativas descreve corretamente as características fisiológicas predominantes durante a fase inicial (ebb) da resposta metabólica ao trauma?
AHipermetabolismo, aumento do débito cardíaco e hipertermia, visando à degradação acelerada de gorduras.
BAumento da pressão sanguínea e do metabolismo, com foco na hiperglicemia e lipogênese.
CAumento do débito cardíaco, glicogenólise acelerada e produção de proteínas de fase aguda.
DLiberação aumentada de insulina, promovendo o anabolismo proteico muscular.
EDiminuição do débito cardíaco, da pressão sanguínea, da perfusão tecidual, da temperatura corpórea e do metabolismo, visando à manutenção da vida e homeostase.
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GabaritoE — Diminuição do débito cardíaco, da pressão sanguínea, da perfusão tecidual, da temperatura corpórea e do metabolismo, visando à manutenção da vida e homeostase.
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Resposta endócrino-metabólica ao trauma: fase ebb (choque)
Gabarito: letra E. A fase inicial (ebb) da resposta metabólica ao trauma é caracterizada por hipometabolismo, diminuição do débito cardíaco, da pressão arterial, da perfusão tecidual, da temperatura corpórea e do consumo de oxigênio, um estado de "economia" fisiológica que visa à manutenção da vida e da homeostase. As demais alternativas descrevem características da fase oposta, a fase flow (ou de fluxo), que ocorre após a ressuscitação e é marcada por hipermetabolismo, aumento do débito cardíaco e hipertermia.
A resposta metabólica ao trauma grave é um processo bifásico, classicamente dividido em duas fases distintas: a fase ebb (do inglês, "vazante") e a fase flow ("fluxo"). Essa divisão, descrita por Cuthbertson, é fundamental para entender a fisiologia do paciente traumatizado e guiar a conduta terapêutica.
A fase ebb, também chamada de fase de choque ou fase hipometabólica, é a resposta imediata ao trauma, durando aproximadamente 24 a 48 horas. É um período de hipoperfusão tecidual e hipometabolismo, no qual o organismo prioriza a sobrevivência imediata. As principais características são:
Diminuição do débito cardíaco e da pressão arterial: consequência da hipovolemia (perda de sangue) e da depressão miocárdica.
Diminuição da perfusão tecidual: leva à hipóxia celular e à ativação de vias metabólicas anaeróbicas.
Hipotermia: a diminuição do metabolismo e a perda de calor contribuem para a queda da temperatura corpórea.
Hipometabolismo: redução do consumo de oxigênio e da produção de energia, com o corpo "desligando" funções não essenciais para preservar os órgãos vitais.
Resistência à insulina e hiperglicemia: o organismo mobiliza glicose para o sangue, mas as células não a utilizam eficientemente, priorizando o fornecimento de glicose para o cérebro e células do sistema imune.
Ativação do sistema nervoso simpático e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal: liberação de catecolaminas, cortisol e glucagon, que promovem a quebra de glicogênio (glicogenólise) e a lipólise, mas em um contexto de metabolismo deprimido.
A fase flow, por outro lado, é a fase de recuperação e anabolismo, que se inicia após a ressuscitação volêmica e a estabilização hemodinâmica. É caracterizada por:
Hipermetabolismo: aumento do consumo de oxigênio e da taxa metabólica basal.
Aumento do débito cardíaco e da pressão arterial: restauração da perfusão tecidual.
Hipertermia: aumento da temperatura corpórea devido ao aumento do metabolismo e da inflamação.
Catabolismo proteico e lipólise: mobilização de substratos para fornecer energia e aminoácidos para a síntese de proteínas de fase aguda e reparo tecidual.
Produção de proteínas de fase aguda: como a proteína C-reativa (PCR) e a procalcitonina, que são marcadores de inflamação.
A confusão entre as duas fases é a pegadinha central desta questão. A banca descreve as características da fase flow (hipermetabolismo, aumento do débito cardíaco, hipertermia) nas alternativas incorretas, esperando que o candidato as associe erroneamente à fase ebb. O termo-chave para diferenciar é o estado metabólico: a fase ebb é hipometabólica, enquanto a fase flow é hipermetabólica.
Para fixar, lembre-se: ebb = economia (hipo), flow = fogo (hiper). A fase ebb é o "apagão" inicial, e a fase flow é a "reignição" do metabolismo.
1Fase ebb (choque)
2Ressuscitação volêmica
3Fase flow (recuperação)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve hipermetabolismo, aumento do débito cardíaco e hipertermia, que são características da fase flow, não da fase ebb. A fase ebb é hipometabólica, com débito cardíaco e temperatura reduzidos. A degradação acelerada de gorduras (lipólise) também é mais proeminente na fase flow, quando o organismo mobiliza substratos para atender à demanda energética aumentada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há aumento da pressão sanguínea e do metabolismo, o que é o oposto do que ocorre na fase ebb. Na fase ebb, a pressão arterial e o metabolismo estão diminuídos. A hiperglicemia ocorre, mas não por lipogênese; na verdade, há resistência à insulina e glicogenólise, e a lipogênese é um processo anabólico que não é priorizado na fase de choque.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona aumento do débito cardíaco, que é uma característica da fase flow. Na fase ebb, o débito cardíaco está diminuído. A glicogenólise acelerada e a produção de proteínas de fase aguda são eventos que ocorrem, mas em um contexto de hipometabolismo, não de hipermetabolismo. A alternativa mistura características das duas fases, mas o erro central é o aumento do débito cardíaco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que há liberação aumentada de insulina, promovendo anabolismo proteico muscular. Na fase ebb, ocorre o oposto: há resistência à insulina e catabolismo proteico, não anabolismo. A insulina é um hormônio anabólico, mas sua ação está prejudicada no trauma grave, e o organismo prioriza a mobilização de substratos, não o armazenamento.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a fase ebb: diminuição do débito cardíaco, da pressão sanguínea, da perfusão tecidual, da temperatura corpórea e do metabolismo, com o objetivo de manutenção da vida e homeostase. Essa é a definição clássica da fase de choque, na qual o organismo reduz suas atividades metabólicas para preservar os órgãos vitais durante a hipoperfusão inicial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte as fases da resposta metabólica ao trauma. As alternativas A, B e C descrevem a fase flow (hipermetabólica), que ocorre após a ressuscitação, e as apresenta como se fossem a fase ebb (hipometabólica). O candidato que não domina a diferença entre as duas fases tende a marcar uma alternativa com características de hipermetabolismo, pois associa "resposta ao trauma" a "aumento do metabolismo". Lembre-se: ebb = hipo, flow = hiper.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as fases, foque no estado hemodinâmico e metabólico: na fase ebb, o paciente está em choque (hipotenso, taquicárdico, hipotérmico, com baixo débito cardíaco); na fase flow, o paciente está recuperado (hipertenso, com débito cardíaco aumentado, febril). Se a alternativa mencionar "diminuição" de débito cardíaco, pressão, temperatura e metabolismo, é a fase ebb; se mencionar "aumento", é a fase flow.